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Transporte do Paciente Grave

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O transporte de pacientes com origem e/ou destino às unidades de terapia intensiva é, em geral, uma tarefa complexa e que requer uma equipe treinada e organizada. Muitas vezes, prefere-se por evitar o transporte do paciente até que existam condições mínimas (estabilidade hemodinâmica e ventilatória), pois o momento do deslocamento pode agravar o quadro clínico e originar complicações.

Os principais motivos para o transporte de pacientes críticos são: a realização de procedimentos ou exames diagnósticos (centro cirúrgico, hemodinâmica, radiologia) e transferência para outras unidades de terapia intensiva (intra ou extra-hospitalar).

Eventos adversos são comuns durante o transporte de pacientes críticos. Logo, preparação e planejamento são fundamentais para garantir a segurança do paciente.

É recomendado que a equipe siga um checklist para o transporte, com 10 passos para minimizar a ocorrência de eventos adversos.

  • Instabilidade hemodinâmica;
  • Instabilidade ventilatória;
  • Arritmias cardíacas;
  • Hipertensão severa;
  • Obstrução ventilatória;
  • Broncoaspiração;
  • Crise convulsiva;
  • Vômitos;
  • Retirada inadvertida de dispositivos;
  • Hemorragia.
  • Desconexão do ECG;
  • Falha de monitorização do paciente;
  • Infiltração do subcutâneo por soluções devido à perda de acesso venoso;
  • Desconexão ou interrupção inadvertida de drogas vasoativas e sedação;
  • Extubação acidental;
  • Lesão do paciente na transferência de macas;
  • Tração de cateteres;
  • Obstrução de vias aéreas por secreção.
  • Auxiliar de enfermagem;
  • Enfermeiro;
  • Fisioterapeuta;
  • Médico.
  • Avaliar a indicação do transporte;
  • Avaliar a gravidade do paciente e o risco do transporte;
  • Definir quais medicamentos acompanharão o paciente no transporte e quais podem ser brevemente interrompidos;
  • Comunicar o transporte e o caso do paciente a unidade que irá recebê-lo;
  • Acompanhar o transporte quando necessário (ex: pacientes com drogas vasoativas, ventilação mecânica, ou com hipoxemia);
  • Alterar parâmetros e programar o ventilador na ausência da fisioterapia ou quando necessário;
  • Checar se a estão disponíveis: fármacos de emergência, material de via aérea, bombas de infusão e desfibrilador.
  • Risco baixo: Estabilidade clínica há mais de 48 horas, sem dependência de oxigenoterapia;
  • Risco médio: Estabilidade nas últimas 24 horas, com necessidade de monitorização hemodinâmica ou ventilatória;
  • Risco alto: Paciente com necessidade de suporte hemodinâmico e/ou ventilação mecânica.
  1. Checagem pré-transporte: Confirmação que o local de destino está apto a receber e iniciar imediatamente a tarefa programada (ex.: tomografia, hemodiálise). Estabelecer contato com a equipe para informar a situação clínica do doente que será transportado.
  2. Equipe: Designação de, pelo menos, dois profissionais treinados, médico e/ou enfermeiro, para acompanhar o procedimento de transferência temporária ou definitiva.
  3. Registro das condições iniciais do paciente: Velocidade de infusão das drogas nas bombas de infusão, modo e parâmetros ventilatórios, posição no leito.
  4. Teste dos equipamentos mínimos:
    • Monitor cardíaco, pressão arterial não invasiva e oximetria de pulso;
    • Fonte de oxigênio com a capacidade necessária prevista para o tempo de transporte, com reserva adicional de tempo para imprevistos (ex.: 30 minutos, ou 3 vezes o tempo previsto de transporte). Pode-se estimar o volume de oxigênio necessário pela fórmula: [(20 + V min) x FiO 2 x tempo de transporte] + 50% , sendo o tempo em minutos;
    • Equipamentos para parada cardiorrespiratória e acesso às vias aéreas:
      • Material para intubação orotraqueal (bolsa-máscara-válvula com reservatório de oxigênio);
      • Extensão;
      • Cânula de Guedel;
      • Seringa de 20 mL;
      • Pilhas;
      • Laringoscópio;
      • Lâminas de laringoscópio nº 3/4;
      • Cânulas de intubação traqueal nº 6.5, 7.0, 7.5 e 8;
      • Sonda de aspiração traqueal nº 12, 14 e 16;
      • Fixadores de cânula ou cadarços;
      • Fio guia para intubação;
      • Dispositivos de suporte ventilatório : Cateter nasal de oxigênio, nebulizadores, máscara de nebulização, circuito do ventilador;
      • Fármacos: A drenalina, Noradrenalina, Amiodarona, Lidocaína, Dobutamina, Atropina, Bicarbonato de sódio, Adenosina, Cloreto de cálcio, Dexametasona, Furosemida, Heparina, Sulfato de magnésio, Naloxone, Nitroglicerina, Nitroprussiato, Fenitoína, Cloreto de potássio, Midazolam, Propofol, Fentanil, Succinilcolina, Rocurônio, frascos de soro fisiológico e soro glicosado;
      • Desfibrilador.
    • Ventilador portátil capaz de oferecer volume/minuto, pressão, FiO 2 de 100% e PEEP que o doente está em uso, com alarme de desconexão e alarme de altas pressões na via aérea. Checar o nível de gases nos cilindros;
    • Dispositivo bolsa-válvula-máscara ("ambu") conectado ao cilindro de oxigênio;
    • Avaliar as especificações da rede elétrica da ambulância e dos aparelhos a serem utilizados no transporte (ex: o console de ECMO precisa de voltagem 220V) e considerar transformador 110-220V.
  5. Rever as contraindicações ao transporte:
    • Número insuficiente de profissionais treinados;
    • Incapacidade de assegurar suporte ventilatório e/ou hemodinâmico durante o transporte ou o tempo de permanência no setor de destino;
    • Instabilidade clínica (relativa): PEEP > 14 cm H 2 O e uso de drogas vasoativas;
    • Impossibilidade de monitorização contínua.
  6. Condições ideais de monitorização durante o transporte:
    • Monitorização cardíaca;
    • Oximetria de pulso;
    • Pressão arterial;
    • Frequência respiratória;
    • Capnografia;
    • Pressão intracraniana (paciente neurocrítico).
  7. Revisão dos equipamentos invasivos:
    • Cateteres venosos: Fixação adequada, para evitar tração. Conferir se o volume disponível de solução sendo infundido é suficiente para o tempo previsto de transporte;
    • Dreno de tórax: Somente clampeá-lo para o posicionamento do paciente na maca (transportar aberto, desclampeado). Posicionar o frasco em nível abaixo do ponto de inserção no tórax;
    • Bombas de infusão: Fixá-las adequadamente e garantir que a bateria esteja com carga;
    • Sondas nasogástrica e vesical: Podem ser clampeadas por curto período e ser transportadas no mesmo nível do paciente; lembre-se de retorná-las à configuração inicial quando possível.
  8. Transporte:
    • Planejar para que seja feito no menor tempo possível;
    • Cuidado especial na transferência para maca de transporte. Checar se o paciente não está com contenções nos membros ou drenos/sondas (evitar tração);
    • Configurar o ventilador de transporte com parâmetros compatíveis com o modo ventilatório prévio. Se necessário, elevar a fração inspirada de oxigênio;
    • Cuidado com as principais causas de erro: deslocamento da cânula endotraqueal, perda do suprimento de oxigênio, mau funcionamento do equipamento por falta de energia, bateria descarregada ou danificação do aparelho, perda de cateter endovenoso ou sonda por tração.
  9. Estabilização pós-transporte:
    • Rever parâmetros de monitorização: atenção aos parâmetros hemodinâmicos e ventilatórios;
    • Coleta de gasometria arterial. Quando indicado, coletar um exame pré-transporte, para que sirva como parâmetro comparativo.
  10. Registro médico: Anotar no prontuário o procedimento realizado, incluindo o motivo da transferência, tempo de transporte, as alterações fisiológicas e eventuais intercorrências.
  • É mais seguro manter a FiO 2 em 100% durante o transporte em pacientes em ventilação mecânica (VM), porém assegure-se que o cilindro de oxigênio está com capacidade adequada;
  • Pacientes em VM que dependem de PEEP devem ser transportados no ventilador de transporte. O dispositivo bolsa-válvula-máscara não consegue fornecer PEEP;
  • Não reduzir a PEEP de pacientes com SDRA;
  • Atenção às precauções de contato, aérea, gotículas e EPI;
  • Caso o médico julgue que o risco é maior que o benefício, o transporte deve ser cancelado;
  • Transição de cuidado deve ser realizada de forma apropriada. Passe o caso de forma completa e por sistemas ao profissional que ficará responsável pelo cuidado do paciente, de preferência com relatório médico e exames complementares realizados na unidade de origem.
    Autorias principais:
  • Bernardo Schwartz E Mello (Cirurgia Geral e Medicina Intensiva);
  • Gabriel Quintino Lopes (Clí­nica Médica e Cardiologia).

Revisão: Yuri Albuquerque (Medicina Intensiva).

    Equipe adjunta:
  • Aluisio Reis (Cirurgia Torácica);
  • Angelo Luís Tonon (Cirurgia Geral);
  • Diogo Moreira Perlingeiro (Urologia e Cirurgia Geral);
  • Felipe Victer (Cirurgia Geral);
  • Jader David Ricco (Cirurgia Oncológica);
  • Leonardo Dinis de Albuquerque (Cirurgia Geral);
  • Mariane Savio (Coloproctologia);
  • Matheus Meira (Cirurgia do Aparelho Digestivo e Videolaparoscopia);
  • Matheus Furtado (Cirurgia Cardiovascular);
  • Vanessa Nascimento (Cirurgia Pediátrica Geral pelo IFF/FIOCRUZ e Oncológica pelo INCA);
  • Leonardo Nanes (Clínica Médica, Cardiologia, Arritmologia e Medicina Intensiva);
  • Isabela Abud Manta (Clínica Médica e Cardiologia);
  • Eraldo Moraes (Cardiologia, Eletrofisiologia, com especialização em Marca-passo);
  • Sara Del Vecchio Ziotti (Clínica Médica e Cardiologia);
  • Rafael Arruda Alves (Emergencista com especialidade em Emergência Pediátrica e Medicina Intensiva);
  • Vinicius Zofoli (Terapia Intensiva).

Agizew TB, Ashagrie HE, Kassahun HG, et al. Evidence-Based Guideline on Critical Patient Transport and Handover to ICU. Anesthesiol Res Pract. 2021; 2021:6618709.

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