' Cateterismo Vesical Masculino - Prescrição
Conteúdo copiado com sucesso!

Cateterismo Vesical Masculino

Voltar

Definição: Introdução de cateter através da uretra, com o objetivo de evacuação da urina contida na bexiga por diversos motivos.

Nos homens, é importante avaliarmos alguns conceitos anatômicos. O c omprimento médio da uretra é de 20 cm no sexo masculino. A uretra masculina, devido ao seu maior comprimento, é dividida em três porções distintas: peniana, bulbomembranosa e prostática.

A uretra bulbomembranosa é conhecida como uretra posterior, enquanto a peniana, anterior. Normalmente, o local de maior resistência à passagem do cateter é a uretra posterior, por sua relação com a próstata e maior incidência de malignidade.

  • Monitorização do débito urinário em pacientes críticos;
  • Procedimentos cirúrgicos de longa duração (> 4 horas);
  • Retenção urinária aguda;
  • Retenção urinária crônica (ex.: bexiga neurogênica, prostatismo);
  • Irrigação vesical (ex.: hematúria);
  • Uso de medicamentos intravesicais (ex.: mitomicina C, BCG);
  • Coleta de urina (cateterismo de alívio somente).
    Contraindicações relativas:
  • Estenose de uretra;
  • Cirurgia vesical recente;
  • Cirurgia uretral recente;
  • Paciente não colaborativo.
  • Par de luvas estéreis;
  • Clorexidina solução degermante ou Lodopovidona;
  • Clorexidina solução aquosa;
  • Pacote de gaze (2);
  • Campo estéril;
  • Cuba rim;
  • Pinça para assepsia;
  • Duas seringas de 20 mL;
  • Seringa de 10 mL;
  • Lidocaína gel 10%;
  • Sistema coletor vesical fechado;
  • Ampola de água destilada (mínimo de 10 mL);
  • Cateter de Foley, látex ou silicone:
    • Sexo masculino adulto: 16-18 French (Fr);
    • Crianças do sexo masculino (sondas com guias): conforme tamanho da uretra e idade (ver tabela abaixo).
Escolha de tamanho do cateter de acordo com a idade
Idade Cateter
Recém-nascido (RN) 6 French
1-11 meses 6-8 French [cms-watermark]
12-23 meses 8 French
2-6 anos 8-10 French
7-12 anos 12-14 French
> 12 anos 14-16 French

Tipos de Cateter de Foley

  • Látex: Normalmente utilizado;
  • Silicone: M ais rígido, normalmente indicado para cateterismo com maior dificuldade ou possíveis estenoses uretrais;
  • Número de vias (um, dois ou três): Indicado maior número de vias, conforme a necessidade de irrigação vesical.
  1. Orientar o paciente a respeito do procedimento, garantindo a privacidade do mesmo (biombo).
  2. Posicionar o paciente em decúbito dorsal com as pernas estendidas.
  3. Realizar assepsia e antissepsia locais, incluindo a região inguinal e suprapúbica, além de retrair o prepúcio para expor a glande, descartando posteriormente a pinça utilizada.
  4. Promover colocação de campo estéril.
  5. Realizar teste balonete do cateter.
  6. Tracionar levemente o pênis perpendicular ao abdome, com a mão não dominante.
  7. Injetar 15-20 mL de Lidocaína gel na uretra, iniciando com a lubrificação da fossa navicular e, posteriormente, o restante da uretra, evitando que o gel escorra lateralmente. Em RN, usar 1-2 mL e, em adolescentes, usar 5 mL.
  8. Comprimir a uretra peniana e posicioná-la perpendicularmente ao corpo.
  9. Introduzir o cateter até o final, colocando o pênis em 45° (facilita a passagem pela uretra bulbomembranosa), até ocorrer a saída de urina (pode ser observada também com aspiração com seringa de 10 mL previamente acoplada ao lúmen distal do cateter). Se obstruído, aspirar ou tentar reposicioná-lo sem movimentos que provoquem mais trauma local.
  10. Inflar o balonete com água destilada (volume indicado para cada tipo de cateter), somente se confirmar a saída de urina previamente.
  11. Tracionar delicadamente o cateter até que ofereça resistência (ancoragem no trígono vesical).
  12. Conectar de forma estéril o cateter ao sistema coletor.
  13. Realizar curativo em "H" na coxa ou na região hipogástrica do paciente.
Texto alternativo para a imagem

Questionar se o paciente tem alergia a látex antes de utilizar o cateter.

Evitar inflar o balonete do cateter com SF 0,9%, pelo risco de cristalização no seu interior, dificultando sua retirada posterior. [cms-watermark]

Pacientes com hematúria, com necessidade eventual de irrigação, se beneficiam de cateteres mais calibrosos (18 a 24 French) e irrigação vesical por via acessória. [cms-watermark]

Evitar trações inadvertidas do sistema com o cateter já inflado, pelo risco de trauma local e desposicionamento do mesmo. [cms-watermark]

Na simples suspeita de perfuração uretral, retirar o cateter e chamar o especialista.

    Cateterismo difícil:
  • Muitas vezes relacionados a pacientes com quadros de estenose uretral, seja por manipulação prévia ou mesmo hiperplasia benigna prostática (resistência normalmente entre 16-20 cm);
  • Maior risco de realização de falso trajeto;
  • Não forçar repetidamente o cateter contra a uretra;
  • Opções em estenoses: Uso de cateter siliconado, guia hidrofílico, sondas de aspiração de diâmetro progressivamente maior, cateter vesical montado em guia metálico específico;
  • Em casos de doença prostática, cateteres de maior diâmetro ou silicone são melhores para o procedimento;
  • Idealmente realizado por profissional com maior expertise ou especialista (urologista).
  • Hematúria;
  • Infecção urinária ascendente (3-10% risco/dia);
  • Estenose uretral;
  • Trauma uretral ou vesical com possível falso trajeto;
  • Parafimose.

Procedimento em vídeo

Autoria principal: Filipe Amado (Medicina Intensiva e Medicina de Emergência).

Lien C, Naik N. Foley Catheter Use and Management of Urinary Symptoms. In: Chun A. Geriatric Practice. 1st ed. New York: Springer, 2019.

Murphy C, Cowan A, Moore K, et al. Managing long term indwelling urinary catheters. Brit Med J. 2018; 363:k3711.

Ribeiro FG. Sondagens. In: Scalabrini Neto A, Dias RD, Velasco IT. Procedimentos em emergência. 1a ed. São Paulo: Manole, 2012.

Thomsen TW, Setnik GS. Videos in clinical medicine. Male urethral catheterization. N Engl J Med. 2006; 354(21):e22.