' Coleta de Sangue Arterial para Gasometria - Prescrição
Conteúdo copiado com sucesso!

Coleta de Sangue Arterial para Gasometria

Voltar

Definição: A gasometria arterial é um exame de sangue que tem como objetivo a avaliação do equilíbrio ácido-básico, da oxigenação e da ventilação do paciente. Sua coleta deve seguir rigorosos critérios técnicos, visando garantir acurácia dos resultados, segurança do paciente e redução das complicações.

Sinônimos: Gases sanguíneos arteriais; GSA; punção arterial.

    O exame de gasometria arterial consiste em uma avaliação quantitativa dos seguintes parâmetros:
  • pH;
  • Pressão parcial de dióxido de carbono (pCO2 ou PaCO2);
  • Pressão parcial de oxigênio (pO2 ou PaO2);
  • Bicarbonato (HCO3-);
  • Saturação de hemoglobina (SO2);
  • Excesso de base ( base excess ).
  • Avaliação da oxigenação;
  • Análise de distúrbios ácido-básicos;
  • Avaliar distúrbios ventilatórios;
  • Avaliação de hemoglobinas anômolas (ex: carboxihemoglobina ou metemoglobinemia);
  • Coleta de exames, quando a via venosa está indisponível;
  • Seguimento de doenças metabólicas e respiratórias.
    Absolutas (buscar outro sítio):
  • Teste de Allen alterado;
  • Infecção no sítio de acesso;
  • Doença arterial obstrutiva periférica grave;
  • Fenômeno de Raynaud ativo;
  • Malformações arteriais ou anomalias vasculares no local.
    Relativas (realizar procedimento com maior cuidado):
  • Infusão de trombolíticos há < 24 horas;
  • INR > 3 ou TTPa > 100 segundos;
  • Plaquetas < 30 mil;
  • História de fenômeno de Raynaud;
  • Presença de fístula arteriovenosa para hemodiálise no membro;
  • Cirurgias vasculares ou procedimentos prévios no mesmo local.
  • Radial: Primeira escolha, por ser superficial, ter boa colateral pela artéria ulnar e menor risco de complicações;
  • Braquial: Utilizada quando a radial não é acessível; apresenta maior risco por ausência de circulação colateral significativa;
  • Femoral: Mais indicada em situações de emergência ou impossibilidade de acesso em outros sítios; maior calibre, porém maior risco de complicações locais e sistêmicas;
  • Pediosa dorsal : Menos usual.
  • Seringa heparinizada estéril (1 a 5 mL, com heparina seca ou líquida);
  • Na indisponibilidade da seringa heparinizada: aspirar 1 ml heparina não fracionada (5.000 UI / ml) em uma seringa de 5 ml. Em seguida, puxe o êmbolo da seringa até o final para espalhar a heparina. Após, descarte totalmente a heparina visível que esteja na seringa;
  • Gaze estéril;
  • Álcool 70% ou swabs de álcool;
  • Curativo ou Micropore;
  • Lidocaína 2% (sem epinefrina);
  • Soro fisiológico 0,9% 10 ml (diluir lidocaína);
  • 1 seringa 1 ml + 1 seringa 10 ml;
  • 1 agulha hipodérmica + 1 agulha de ponta romba;
  • Luvas de procedimento + touca + máscara.
  1. Identificação e preparo do paciente: confirmar identidade, explicar o procedimento, verificar indicações e contraindicações;
  2. Posicione a cama com altura adequada para que você fique em posição confortável;
  3. Coloque touca e máscara cirúrgica;
  4. Higienize as mãos e coloque as luvas;
  5. Limpe o local da punção com uma gaze embebida em álcool 70% ou clorexidina alcoólica;
  6. Palpação do pulso arterial: sempre palpar a artéria que será puncionada com a mão não-dominante, enquanto segura a seringa com a mão dominante;
  7. Se disponível, utilize um ultrassom para ajudar a guiar o procedimento, facilitando a identificação da artéria;
  8. Aplique a anestesia local com lidocaína 2% , diluída com SF 0,9% , utilizando sempre agulhas hipodérmicas e aguarde 30-60 segundos para a medicação fazer efeito;
  9. Inicie a punção introduzindo a agulha em ângulo de 30–45° em relação à pele (radial e braquial) ou 90° (femoral), com bisel voltado para cima;
  10. Avance a agulha lentamente até que o sangue arterial preencha passivamente a seringa. Caso o sangue não retorne espontaneamente, puxe o êmbolo da seringa com a mão dominante;
  11. Com a artéria puncionada, colete 2 ml de sangue, que é suficiente para análise;
  12. Retire a agulha e seringa e realize compressão local firme por, pelo menos, 5 minutos (15 minutos em pacientes anticoagulados);
  13. Realize um curativo com gaze estéril e micropore no sítio de punção;
  14. Retire o ar da seringa e coloque a tampa (eventuais bolhas de ar na seringa interferem na análise);
  15. Homogeneização da amostra: realize movimentos para colocar a seringa com a tampa de "cabeça para baixo" e de volta para cima ou gire suavemente a seringa entre as palmas das mãos para misturar o sangue com a heparina;
  16. Identifique adequadamente a amostra (nome, data, hora, FiO₂, modo de oxigenoterapia/ventilação);
  17. Transporte imediatamente o material para o laboratório (idealmente em até 10 minutos; se houver atraso, manter em gelo até 30 minutos).
    Posicionamento conforme o sítio de punção:
  • Radial: Antebraço em leve extensão, apoiado, com punho em dorsiflexão (pode-se usar um coxim). Seu pulso pode ser palpado abaixo do punho, lateralmente aos tendões flexores do carpo, e medialmente ao processo estilóide do rádio distal;
  • Braquial: Braço em supinação, estendido, com a palma da mão para cima. Seu pulso pode ser palpado na fossa antecubital, imediatamente medial ao tendão do músculo bíceps;
  • Femoral: Paciente em decúbito dorsal, quadril levemente abduzido e rotado externamente. Seu pulso pode ser palpado 1 cm abaixo do ligamento inguinal, em seu terço médio.;
  • Pedioso: Posicione o paciente deitado em decúbito dorsal, com o membro inferior estendido. Seu pulso pode ser palpado imediatamente lateral ao tendão extensor do hálux.

Procedimento em Vídeo

  • Antes da punção da artéria radial, recomenda-se realizar o teste de Allen para verificar a permeabilidade da circulação colateral da mão pela artéria ulnar;
  • Observar o sítio de punção quanto a sangramento, hematoma ou sinais de isquemia;
  • Avaliar o membro puncionado e a perfusão distal (capilar e pulsos);
  • Orientar repouso do membro puncionado por alguns minutos após o procedimento.
  • Dor local;
  • Hematoma;
  • Sangramento prolongado (principalmente em coagulopatias);
  • Espasmo arterial, trombose ou isquemia distal (raro, mais comum em casos onde há ausência de circulação colateral);
  • Infecção local;
  • Lesão de nervos (principalmente em punções braquiais ou femorais).

Autoria principal: Vanessa Nascimento (Cirurgia Pediátrica Geral e Cirurgia Pediátrica Oncológica).

Nieves-Cámara I, Ballesteros-Peña S. Efficacy of locally infiltrated amides as local anesthesia in arterial puncture for blood gas analysis: A systematic review. Enferm Intensiva (Engl Ed). 2025 Apr-Jun;36(2):100506.

Romo-Miguel P, Ballesteros-Peña S. Ultrasound-guided puncture vs conventional technique for arterial blood gas analysis sampling in adults: A systematic review. Enferm Intensiva (Engl Ed). 2024 Oct-Dec;35(4):368-375.

Gonella S, Clari M, Conti A, Simionato L, Tassone C, Berchialla P, Campagna S. Interventions to reduce arterial puncture-related pain: A systematic review and meta-analysis. Int J Nurs Stud. 2022 Feb;126:104131.

Rowling SC, Fløjstrup M, Henriksen DP, Viberg B, Hallenberg C, Lindholt JS, Alberg-Fløjborg A, Nanayakkara PWB, Brabrand M. Arterial blood gas analysis: as safe as we think? A multicentre historical cohort study. ERJ Open Res. 2022 Feb 28;8(1):00535-2021.

Genre Grandpierre R, Bobbia X, Claret PG. Ultrasound guidance in difficult radial artery puncture for blood gas analysis: a prospective, randomized controlled trial. PLoS One. 2019 Mar 20;14(3):e0213683.

Jensen PR, Markewitz BA. Improved success rate of arterial puncture for blood gas analysis through standardization. Lab Med. 2018 Mar 21;49(2):175–178.

Hill S, Moore S. Arterial blood gas sampling: using a safety and pre-heparinised syringe. Br J Nurs. 2018 Jul 26;27(14):S20-S26.

Davis MD, Walsh BK, Sittig SE, Restrepo RD. AARC clinical practice guideline: blood gas analysis and hemoximetry: 2013. Respir Care. 2013 Oct;58(10):1694–703.

Dev SP, Hillmer MD, Ferri M. Videos in clinical medicine. Arterial puncture for blood gas analysis. N Engl J Med. 2011 Feb 3;364(5):e7.