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Colporrafia Posterior

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Definição: Técnica cirúrgica utilizada para a correção do prolapso de parede posterior da vagina (retocele), visando reforçar a camada fibromuscular existente entre a vagina e o reto, evitando o prolapso do reto para o lúmen vaginal.

  • Retocele;
  • Defeitos centrais da fáscia retovaginal.
  • Discussão detalhada dos sintomas;
  • Avaliação de outros defeitos de suporte concomitantes;
  • Preparo intestinal pré-operatório para evitar contaminação fecal durante o ato cirúrgico;
  • Antibioticoprofilaxia (ex.: Cefazolina 1 g, EV).
  • 1 unid. – Estojo Inox 42 x 18 x 9 cm perfurado;
  • 1 unid. – Afastador Farabeuf 10 x 120 mm;
  • 1 unid. – Aspirador Frazier;
  • 1 unid. – Cabo para bisturi n° 3;
  • 1 unid. – Cabo para bisturi n° 4;
  • 1 unid. – Cuba para assepsia 10 cm;
  • 1 unid. – Espéculo vaginal n o 1;
  • 1 unid. – Espéculo vaginal n o 2;
  • 7 unid. – Pinça Allis 15 cm;
  • 3 unid. – Pinça Allis 20 cm;
  • 2 unid. – Pinça anatômica dente de rato 16 cm;
  • 1 unid. – Pinça anatômica dissecção 16 cm;
  • 2 unid. – Pinça Babcock 20 cm;
  • 10 unid. – Pinça Backhaus 13 cm;
  • 1 unid. – Pinça Cheron 25 cm;
  • 1 unid. – Pinça Collin coração 16 cm;
  • 1 unid. – Pinça Cushing 18 cm com serrilha;
  • 9 unid. – Pinça Kelly 16 cm curva;
  • 2 unid. – Pinça Kocher 14 cm curva;
  • 2 unid. – Pinça Kocher 14 cm reta;
  • 3 unid. – Pinça Mosquito 12 cm reta;
  • 1 unid. – Pinça Museux 24 cm curva;
  • 1 unid. – Pinça Museux 24 cm reta;
  • 1 unid. – Pinça Pozzi 24 cm;
  • 1 unid. – Porta-agulha Mayo Hegar 16 cm com vídea;
  • 1 unid. – Porta-agulha Mayo Hegar 18 cm com vídea;
  • 1 unid. – Tesoura Mayo Stille 17 cm curva delicada;
  • 1 unid. – Tesoura Mayo Stille 17 cm reta delicada;
  • 1 unid. – Tesoura Metzembaum 18 cm curva delicada;
  • 1 unid. – Tesoura Metzembaum 18 cm reta delicada;
  • 2 unid. – Válvula Doyen 45 x 60 mm.

1. Posição: Paciente colocada em posição de litotomia alta com estribo escolhido a critério do cirurgião (posição ginecológica). Não há necessidade de instalação de sonda de Foley (Figura 1).

Texto alternativo para a imagem Figura 1. Paciente em posição de litotomia

2. Assepsia , antissepsia e anestesia (frequentemente é realizada anestesia geral ou bloqueio regional).

3. Incisão vaginal e dissecção: Com o uso de duas pinças Allis, apreendem-se os cantos do introito vaginal direito e esquerdo; uma terceira pinça Allis deve ser posicionada no ápice proximal da linha média vaginal. Faz-se uma incisão horizontal no períneo entre as pinças colocadas nos cantos do introito vaginal e realiza-se a dissecção da mucosa vaginal com uma tesoura de Metzenbaum com a ponta em paralelo à mucosa vaginal, devendo-se estender em direção cefálica até a altura da pinça Allis colocada previamente no ápice vaginal – sempre ter cautela para se manter no plano tecidual. Realiza-se, com a mesma tesoura, uma incisão da linha perineal em direção ao ápice e apreendem-se, então, as bordas com pinças Allis. Por vezes, há necessidade de realizar divulsão e dissecção cortante bilateralmente para separação completa da camada fibromuscular do epitélio vaginal lateral (Figura 2).

Texto alternativo para a imagem Figura 2. Incisão vaginal e dissecção. Adaptada de: Hoffman BL, et al., 2014

4. Exame retal: Deve-se realizar o exame retal para identificar a camada fibromuscular, a parede retal e os músculos levantadores do ânus (Figura 3).

Texto alternativo para a imagem Figura 3. Exame retal. Adaptada de: Hoffman BL, et al., 2014

5. Plicatura de linha média: Utiliza-se fio 2-0 de absorção lenta ou permanente para realizar uma sequência de pontos separados para a plicatura da musculatura vaginal, estendendo-se do ápice até o períneo. Em sequência, realiza-se uma segunda rafia com pontos separados, fazendo-se a plicatura da musculatura que está lateralmente aos tecidos aproximados com a primeira camada, sendo fixados na linha média. Realiza-se novamente o exame retal, visando excluir a possibilidade de rafia acometendo a parede do reto (Figura 4).

Texto alternativo para a imagem Figura 4. Plicatura de linha média. Adaptada de: Hoffman BL, et al., 2014

6. Reparo da falha: Ao iniciarmos a dissecção, identificamos um defeito isolado na camada fibromuscular posterior. Esses defeitos podem ser laterais (Figuras 5 e 6), em linha média (Figuras 7 e 8), apicais (Figuras 9 e 10) ou perineais (Figuras 11 e 12) . Por vezes, deve-se proceder ao reparo direto do defeito com rafia em pontos separados, em camada única, com fio 2-0 de absorção lenta ou permanente, quando a plicatura de linha média não for suficiente.

Texto alternativo para a imagem Figura 5. Defeito lateral. Adaptada de: Hoffman BL, et al., 2014
Texto alternativo para a imagem Figura 6. Reparo da falha lateral. Adaptada de: Hoffman BL, et al., 2014
Texto alternativo para a imagem Figura 7. Defeito na linha média. Adaptada de: Hoffman BL, et al., 2014
Texto alternativo para a imagem Figura 8. Plicatura de linha média. Adaptada de: Hoffman BL, et al., 2014
Texto alternativo para a imagem Figura 9. Defeito proximal. Adaptada de: Hoffman BL, et al., 2014
Texto alternativo para a imagem Figura 10. Reparo da falha proximal. Adaptada de: Hoffman BL, et al., 2014
Texto alternativo para a imagem Figura 11. Defeito distal. Adaptada de: Hoffman BL, et al., 2014
Texto alternativo para a imagem Figura 12. Reparo da falha distal. Adaptada de: Hoffman BL, et al., 2014

7. Correção com tela: Quando não identificamos tecido fibromuscular de qualidade, é possível utilizar, para correção da lesão, material sintético ou biológico. Deve-se cortar o material escolhido no tamanho correto para que fique esticado sobre o tecido. Realiza-se a sutura ancorando-o com pontos separados com fio 2-0 de absorção lenta no ápice vaginal, bem como as bordas laterais e distais da camada fibromuscular. Caso o material escolhido seja uma tela permanente, ela deve distar pelo menos 2 cm do corpo perineal. Quando já é prevista a necessidade do uso de tela, deve-se realizar a dissecção inicial em um plano tecidual mais profundo para aumentar a distância entre a tela e o lúmen vaginal, objetivando reduzir a chance de erosão da tela para a vagina (Figura 13).

Texto alternativo para a imagem Figura 13. Correção usando-se tela. Adaptada de: Hoffman BL, et al., 2014

8. Fechamento da incisão: Ao realizarmos a correção, frequentemente é necessário exérese do tecido redundante da parede vaginal para podermos realizar a aproximação da mucosa vaginal com fio 2-0 de absorção lenta e sutura contínua.

Não se deve reduzir muito o calibre vaginal, especialmente em mulheres com atrofia vaginal. Em mulheres sexualmente ativas, o calibre da vagina ao fim da reconstrução vaginal deve ser de pelo menos três dedos de largura para evitar dispareunia.

Os cuidados pós-operatórios recomendados são:

  • Deambulação precoce;
  • Evitar pegar peso;
  • Evitar relação sexual por pelo menos 6 semanas;
  • Dieta rica em fibras;
  • Usar emoliente fecal. [cms-watermark]
  • Dor;
  • Constipação;
  • Retenção urinária;
  • Hematoma;
  • Cisto de inclusão;
  • Impactação fecal;
  • Lesão retal com desenvolvimento de fístula retovaginal ou retoperineal.

Autoria principal: Camilla Luna (Ginecologista e Obstetra pela UERJ e FEBRASGO, especialista em Reprodução Assistida pela AMB);

    Revisão:
  • Caroline Oliveira (Ginecologia. Especialista de Patologia do Trato Genital Inferior e Colposcopia. Doutora em Ciências Médicas pela UFF).
  • João Marcelo Coluna (Ginecologista e Obstetra com Mestrado em Fisiopatologia).

Hoffman BL, Halvorson LM, Schaffer JI, et al. Ginecologia de Williams. 2 ed. Porto Alegre: Artmed; 2014.

Fernandes CE, Sá MFS, eds. [cms-watermark] Tratado de Ginecologia da FEBRASGO. 1 ed. Rio de Janeiro: Elsevie; 2019.

Kaeser CT, Rothenberger R, Zoorob D, et al. Bupivacaine Use After Posterior Colporrhaphy to Reduce Postoperative Pain: A Multicenter, Double-Blinded, Placebo-Controlled, Randomized Clinical Trial. Female Pelvic Med Reconstr Surg. 2022; 28(2):72-76.

Winkelman WD, Macharia A, Bharadwa S, et al. Composite Outcomes After Posterior Colporrhaphy With and Without Biologic Graft Augmentation. Female Pelvic Med Reconstr Surg. 2021; 27(2):414-417.

Federação Brasileira das Associações de Ginecologia e Obstetrícia (FEBRASGO). Prolapso dos órgãos pélvicos. 3 ed. São Paulo: FEBRASGO; 2025