'
Definição: Técnica de drenagem de abscessos na atenção primária, que consistem em coleções de pus nas regiões da derme e de tecidos adjacentes. Furúnculos e carbúnculos também podem ser drenados com a técnica aqui descrita.
Abscessos de pele, furúnculos e carbúnculos podem se desenvolver também em pacientes saudáveis, sem condições que predisponham seu aparecimento, exceto a presença de
Staphylococcus aureus
na pele ou cavidade nasal
.
Existem alguns fatores de risco para o surgimento de abscessos de pele como diabetes
mellitus
e alterações imunológicas bem como processos que resultem na quebra da solução de continuidade da pele como traumas ou picaduras de insetos.
O furúnculo é caracterizado pela infecção de um folículo piloso, com extensão do material purulento até a derme e o tecido subcutâneo.
Por sua vez, o carbúnculo
é a coalescência desses folículos inflamados, formando uma massa inflamatória com vários orifícios onde ocorre drenagem de secreção purulenta.
São comuns o aparecimento de sinais flogísticos no local, como calor, rubor, edema e dor. Os nódulos formados tem características eritematosas e sinais de flutuação. Pode ocorrer drenagem espontânea da secreção e adenopatia regional. Menos comuns são febre, calafrios ou sinais de toxicidade sistêmica.
1. Sempre inicie qualquer procedimento explicando ao paciente o que será feito, obtendo sua autorização e esclarecendo possíveis dúvidas.
2. Verifique presença de flutuação no abscesso.
3. Realize a assepsia local. Equipe-se com luvas estéreis, máscara e óculos de proteção e prepare o local do procedimento com um agente antisséptico, cobrindo-o com um campo estéril.
4. Com a agulha 40 x 12 (rosa), aspire o anestésico do frasco (dose de 7-10 mg/kg). Troque a agulha pela hipodérmica.
5. Através de técnica de bloqueio de campo regional, introduza o anestésico. A anestesia deve ser realizada a aproximadamente 1 cm do perímetro de maior sinal de flutuação, com injeção no subcutâneo, já que a anestesia é para a pele e para a confecção da abertura.
6. Continue o bloqueio de maneira linear, ao longo da linha em que será realizada a incisão, que deve ser longa.
7. Após a anestesia, realize uma incisão longa e profunda o suficiente ao longo da linha da pele de modo a promover a drenagem espontânea da secreção purulenta. Se as incisões forem pequenas, ocorrerá recidiva dos abscessos.
8. Após a drenagem espontânea ter acontecido, evite espremer a pele ao redor, pois pode fazer com que a infecção se prolifere para o tecido subcutâneo adjacente. Com a pinça hemostática na cavidade, faça movimentos a fim de quebrar possíveis loculações e liberar bolsas de material purulento residuais.
9. Realize a limpeza da cavidade com soro fisiológico.
10. Introduza uma gaze ou um dreno de Penrose no local, com 1-2 cm para fora da incisão, de modo a permitir a drenagem adequada, impedindo o selamento da incisão. Pode ser fixado com um ponto simples frouxo de nylon 3.0, se necessário.
11. Faça o curativo com gaze.
Autoria principal: Renato Bergallo (Medicina de Família e Comunidade).
Revisão: Felipe Victer (Cirurgia Geral).
Gusso G, Lopes JMC. Tratado de Medicina de Família e Comunidade. 2a ed. Porto Alegre: Artmed; 2019.
Sartelli M, et al. 2018 WSES/SIS-E consensus conference: recommendations for the management of skin and soft-tissue infections. World J Emerg Surg. 2018;13:58.
Kamath RS, et al. Guidelines vs Actual Management of Skin and Soft Tissue Infections in the Emergency Department. Open Forum Infect Dis. 2018;5(1):ofx188.
Mayeaux EJ. Guia ilustrado de procedimentos médicos. Porto Alegre: Artmed; 2012.
Ministério da Saúde (BR). Caderno de Atenção Primária. Procedimentos. Ministério da Saúde, Secretaria de Atenção à Saúde, Departamento de Atenção Básica. Brasília: Ministério da Saúde; 2011.
Goffi FS. Técnica cirúrgica: bases anatômicas, fisiopatológicas e técnicas da cirurgia. São Paulo: Atheneu; 2004.