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Histerectomia Vaginal

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Definição: Extração cirúrgica do útero por via vaginal. Existe ainda a possibilidade da associação de histerectomia vaginal assistida por laparoscopia, em que a dissecção de algumas estruturas, como a ligadura vascular das artérias uterinas, pode ser feita sob visão direta.

A histerectomia vaginal está entre as vias mais seguras e de menor custo para extração uterina. Tem sido a via de melhor abordagem com menores complicações, pensando em cirurgia minimamente invasiva. Sempre que possível deve ser a via de escolha para a histerectomia.

  • Miomas uterinos;
  • Prolapsos de órgãos pélvicos;
  • Distopias genitais (relaxamento pélvico);
  • Sangramento uterino anormal;
  • Dor pélvica com endometriose;
  • Massas ovarianas benignas;
  • Câncer ginecológico;
  • Adenomiose.
    Não existem situações absolutas, mas essas dificultam o procedimento:
  • Pelve irradiada;
  • Útero de grandes dimensões: apesar de não existir limite definido, úteros maiores do que equivalentes a gestações de 16 semanas apresentam maior dificuldade técnica;
  • Cirurgias pélvicas prévias;
  • Suspeita de aderências pélvicas intensas por sequelas de doença inflamatória pélvica ou endometriose;
  • Obesidade mórbida;
  • Nuliparidade;
  • Prova de tração uterina negativa.
    Material específico - acompanhar a caixa de histerectomia abdominal: [cms-watermark]
  • 01 unidade - Cabo de bisturi n. 4;
  • 01 unidade - Pinça Cheron 25 cm;
  • 01 unidade - Pinça anatômica dissecção 25 cm;
  • 01 unidade - Pinça anatômica dente de rato 25 cm;
  • 01 unidade - Válvula Auvard com peso;
  • 02 unidades - Pinça Lahey 24 cm 2 x 2 garras;
  • 01 unidade - Porta agulha Heaney 26 cm curvo com wídea;
  • 01 unidade - Tesoura parametrial 23 cm curva com wídea;
  • 01 unidade - Tesoura parametrial 26 cm curva com wídea;
  • 01 unidade - Pinça Z clamp parametrial 24 cm semi-curva;
  • 01 unidade - Pinça Z clamp parametrial 24 cm curva;
  • 01 unidade - Válvula Breisky 130 x 30 mm;
  • 01 unidade - Válvula Breisky 130 x 35 mm.

1. Paciente em posição de litotomia dorsal com perneiras bem posicionadas em ângulos de 90º ou uso de estribos tipo bota (figuras 1 e 2) .

Texto alternativo para a imagem Figura 1. Posição com perneiras em 90º
Texto alternativo para a imagem Figura 2. Perneiras tipo bota

2. Realizar o exame ginecológico sob anestesia avaliando tamanho, forma e mobilidade uterina. Assim como acesso aos anexos e possíveis outras massas pélvicas.

3. Cateterização vesical com sonda de Foley em drenagem contínua.

4. Pinçamento cervical com pinça Pozzi com incisão da mucosa vaginal anterior. Aqui, a injeção de solução vasoconstritora diluída auxilia para evitar sangramento e na hidrodissecção (figura 3) .

Texto alternativo para a imagem Figura 3. Incisão mucosa vaginal anterior

5. Dissecção e afastamento vesical superior com separação mucosa vaginal da cérvice uterina.

6. Visualização do peritônio e entrada sutil na cavidade peritoneal com aplicação de afastadores de Breisky para proteção vesical.

7. Palpação do fundo de saco posterior para evitar lesão inadvertida do intestino. Segue-se pinçamento e secção com tesoura de Mayo do fundo de saco posterior para entrada na cavidade peritoneal (figura 4) .

Texto alternativo para a imagem Figura 4. Abertura do fundo de saco posterior

8. Identificação, pinçamento, secção e ligadura do complexo ligamentos uterossacro e cardinal bilateralmente (figura 5) .

Texto alternativo para a imagem Figura 5. Ligadura do complexo uterossacro-cardinal

9. Identificação, pinçamento, secção e ligadura das artérias uterinas bilateralmente utilizando clamp de Heaney (figura 6) .

Texto alternativo para a imagem Figura 6. Ligadura das artérias uterinas

10. Ligamento largo: C omo é formado basicamente de peritônio seu clampeamento, ligadura, secção e sutura são simples (figura 7) .

Texto alternativo para a imagem Figura 7. Ligadura ligamento largo

11. Ligamento redondo e complexo ovariano (vasos e órgãos): E m úteros pequenos, é possível a ligadura com pega única. Em úteros maiores, ou estruturas maiores, a sugestão é ligadura individualizada segmentar (figura 8) .

Texto alternativo para a imagem Figura 8. Ligadura do complexo anexo - ligamento redondo

12. O fundo uterino deve ser basculado em direção ao fundo de saco anteroposteriormente (ou vice-versa) com sua preensão, secção e ligadura (figura 9) .

Texto alternativo para a imagem Figura 9. Descida do fundo uterino para extração final da peça

13. Revisão rigorosa de todas as pegas e hemostasia.

14. Para o fechamento vaginal em sutura horizontal, sugere-se como forma de prevenção de prolapso de cúpula a inclusão dos ligamentos cardinais nas laterais da sutura (figura 10) .

Texto alternativo para a imagem Figura 10. Fechamento da mucosa vaginal
  • Uso de Clorexidina não alcoólico para degermação vaginal;
  • Antibioticoprofilaxia;
  • Tromboprofilaxia;
  • O uso de tampões vaginais não previne sangramento vaginal. Se forem utilizados, deve-se manter sonda vesical até sua retirada.
    Intraoperatórias:
  • Sangramento: sítio mais comum são os vasos uterinos, ligamento útero-ovariano e cúpula vaginal;
  • Lesão ureteral: incidência de 0,5 %, em geral acidental;
  • Lesão vesical: em torno de 1,2%. Aumentam com maior número de cirurgias pélvicas ou cirurgias vesicais concomitantes;
  • Lesão intestinal: infrequente; em torno de 0,4%;
  • Lesões nervosas: nervo femoral ou tibial em geral pelos afastadores ou posicionamento da paciente;
  • Reações anestésicas;
  • Conversão para laparotomia: presença de massas pélvicas não esperadas ou não visualizadas nos exames prévios, sangramento de difícil controle e aderências pélvicas são fatores que aumentam chances de conversão.
    Pós-operatórias:
  • Íleo paralítico;
  • Obstrução intestinal;
  • Deiscência de cúpula vaginal;
  • Infecções, como celulite cúpula vaginal e abscesso pélvico;
  • Fístulas: vesicovaginal, ureterovaginal e retovaginal;
  • Prolapso de estruturas pélvicas como tuba uterina.

Autoria principal: João Marcelo Coluna (Ginecologia e Obstetrícia, com mestrado em Fisiopatologia).

Revisão: Camilla Luna (Ginecologista e Obstetra pela UERJ e FEBRASGO, especialista em Reprodução Humana pela AMB).

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