Definição:
Infiltração intra-articular do joelho através da punção por agulha.
Controle da sinovite nos joelhos acometidos pelas artropatias inflamatórias;
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Deve-se evitar a realização de infiltrações de rotina e/ou repetitivas na osteoartrite do joelho devido ao potencial efeito deletério do corticoide sobre a cartilagem articular.
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Celulite/ piodermite no local de punção;
Suspeita de artrite séptica;
Existem estudos que demonstram que o risco de complicações em pacientes utilizando anticoagulação em doses terapêuticas é semelhante ao da população geral.
Pacote de gaze;
Álcool ou Clorexidina alcoólica;
Luvas estéreis (alguns autores utilizam luvas de procedimento);
Seringas de rosca de 5 mL;
Agulha para aspiração dos medicamentos;
Agulha 40 x 8 mm ou maior (em pacientes obesos, podem ser necessárias agulhas longas, inclusive de punção lombar ‒ Quincke 21 G) para infiltração;
Corticoide injetável:
Formulações com Hexacetonida de triancinolona (preferencialmente), Betametasona ou Metilprednisolona: 3-5 mL de corticoide;
Lidocaína 2% sem vasoconstritor (2-3 mL);
Micropore ou esparadrapo para curativo.
Posicionamento do paciente:
Decúbito dorsal com o membro inferior em extensão, posição neutra e apoiado sobre a maca.
Preparação do material:
Aspirar 3-5 mL de corticoide em uma seringa de 5 mL;
Aspirar 2-3 mL de Lidocaína 2% sem vasoconstritor em uma seringa de 3 mL;
Homogeneizar as medicações através de movimentos suaves;
Trocar a agulha de aspiração por uma agulha de, no mínimo, 40 x 8 mm.
Marcar o ponto a ser infiltrado - diferentes abordagens podem ser utilizadas:
Via superolateral:
Ponto de entrada a 2 cm superolateralmente ao ângulo superolateral da patela, direcionada para o centro da articulação, sob a patela. A patela deve estar evertida, facilitando o acesso à articulação. Essa via é a mais fácil e menos dolorosa;
Via superomedial:
Ponto de entrada a 2 cm superomedialmente ao ângulo superomedial da patela, direcionada para o centro da articulação, sob a patela. A patela deve estar invertida, facilitando o acesso à articulação. Essa via é mais dolorosa que a anterior, porém útil nos casos em que o volume de líquido sinovial é pequeno;
Via lateral mediana (ou subpatelar):
Ponto de entrada na porção média da face lateral da patela, 1,5 cm posteriormente, perpendicular ao maior eixo da articulação. Essa via é particularmente útil nos casos em que existe contratura em flexão do joelho. Apresenta como inconveniente uma maior dificuldade de se obter líquido sinovial para análise.
Realizar a antissepsia com álcool ou Clorexidina alcoólica.
Introduzir uma agulha vazia (sem nenhum conteúdo aspirado) suavemente no ponto previamente marcado, evitando movimentos de vaivém.
O médico deve perceber a passagem da agulha entre as superfícies ósseas sem que haja contato com osso ou periósteo.
Ao atingir o recesso articular, realizar a retirada da maior quantidade possível de líquido sinovial.
Em seguida, desenroscar a seringa utilizada para a artrocentese (mantendo a agulha posicionada no joelho do paciente); inserir a seringa contendo Hexacetonida de triancinolona e injetar todo o conteúdo da seringa. O fluxo deve ocorrer sem resistência. Caso haja resistência, reposicionar a agulha sem realizar movimentos de vai e volta. Repetir o processo até que a injeção ocorra sem resistência.
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Caso a punção seja difícil, pode-se injetar 2-3 mL de Lidocaína (contidas em uma outra seringa) previamente à injeção de Triancinolona, visando maior conforto do paciente.
Após aplicação de todo o volume da solução, retirar a agulha rapidamente, evitando o refluxo da medicação.
Após retirada da agulha, realizar compressão local e finalizar com curativo local.
Aplicar gelo no local;
Repouso relativo pelas primeiras 48 horas. Evitar atividades intensas por cerca de 7 dias;
Complicações:
Dor, lesão de estruturas locais e infecção local (raro). Em caso de evolução para artrite séptica
(febre, eritema local, saída de secreção purulenta), o paciente deve ser orientado a procurar atendimento de emergência.
Autoria principal:
Gustavo Guimarães Moreira Balbi (Clínica Médica e Reumatologia).
Revisão:
Guilherme Guimarães Moreira Balbi (Clínica Médica e Reumatologia).
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