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Lavagem Gástrica na APS

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Definição: Técnica para realização de lavagem gástrica na APS, indicada nos casos de ingestão de substâncias tóxicas para diminuir sua absorção pelo organismo.

É um procedimento de urgência e, quando indicado, deve ser realizado de maneira mais precoce possível. Quanto mais rápido for o início do procedimento, maiores são as possibilidades de sucesso na retirada da substância tóxica. [cms-watermark]

Por isso, as equipes de APS devem estar treinadas para a realização desse procedimento.

A lavagem gástrica não é necessária para ingestões pequenas a moderadas da maioria das substâncias, se o carvão ativado puder ser administrado prontamente. Veja mais em Intoxicação Exógena.

Pacientes que ingeriram quantidades ameaçadoras à vida de algum agente tóxico até 1 hora após a ingestão.

  • Ingestão de materiais sólidos com pontas;
  • Ingestão de pacotes contendo drogas;
  • Anomalias cranioencefálicas; [cms-watermark]
  • Traumatismo craniano concomitante;
  • Depressão do nível de consciência sem proteção adequada das vias aéreas;
  • Convulsões;
  • Ingestão de substâncias de baixa viscosidade, tais como hidrocarbonetos (gasolina, querosene, solventes) devido ao risco de broncoaspiração;
  • Risco de hemorragias ou perfuração gastrointestinal (coagulopatias ou cirurgia recente em trato gastrointestinal);
  • Ingestão de substâncias cáusticas (ácidas ou básicas);
  • Pacientes com Glasgow ≤ 8;
  • Pacientes agitados e não cooperativos (contraindicação relativa).
  • Sonda oro ou nasogástrica;
  • Lidocaína gel;
  • Soro fisiológico ou água;
  • Gaze;
  • Luva esterilizada;
  • Seringa de 20 mL;
  • Máscara e óculos para proteção.
  • Posicionar o paciente em decúbito lateral esquerdo com cabeça em um nível inferior ao corpo;
  • Explicar ao paciente como será o procedimento, visando à sua colaboração com a passagem da sonda. Se o paciente estiver comatoso, deve ser realizada intubação antes da lavagem;
  • Realizar estimativa do comprimento (usando as referências lóbulo da orelha, ponta do nariz e apêndice xifoide);
  • Colocar Lidocaína gel na extremidade distal e na narina escolhida;
  • Inserir um tubo gástrico de maior calibre possível através da boca ou nariz (um tubo de menor calibre será suficiente para remoção de líquidos ou se a intenção for administrar somente o carvão ativado), flexionando o pescoço do paciente para engolir;
  • Verificar a posição do tubo com insuflação de ar enquanto escuta com um estetoscópio posicionado no estômago do paciente;
  • Retirar o máximo possível do conteúdo do estômago;
  • Administrar e aspirar, repetidamente, o volume de SF 0,9% recomendado de acordo com a faixa etária, até completar o volume total recomendado ou até que se obtenha líquido de retorno límpido, da seguinte forma:
    • Crianças: 10 mL/kg por infusão até volume total de: escolares: 4 a 5 L; lactentes: 2 a 3 L; recém-nascidos: 0,5 L;
    • Adultos: 250 mL por vez até um volume total de 6 L, ou até que retorne líquido límpido;
  • Adultos: 250 mL por vez até um volume total de 6 L, ou até que retorne líquido límpido;
  • Após cerca de 2.000 mL de líquido e este retornando límpido, pode-se parar o procedimento e decidir ou não pelo uso do carvão ativado.

Reavaliar o paciente a cada 30 minutos ou menos, visto que o mesmo pode chegar acordado e evoluir para o coma;

Providenciar serviço de remoção para o encaminhamento do paciente para um serviço de emergência, o mais rápido possível.

  • Perfuração do esôfago ou estômago;
  • Sangramento por traumatismo da mucosa durante a passagem do tubo;
  • Intubação traqueal inadvertida;
  • Pneumonia aspirativa;
  • Laringospasmo;
  • Hiperêmese;
  • Vômitos com broncoaspiração do conteúdo gástrico.

Autor(a) principal: Renato Bergallo (Medicina de Família e Comunidade).

Revisor(a): Mariana Sobreiro (Clínica Médica e Geriatria). [cms-watermark]

    Equipe adjunta:
  • Renato Gil (Medicina de Família e Comunidade);
  • Flávia Garcez (Geriatria e Clínica Médica).

Ministério da Saúde (BR). Caderno de Atenção Primária. Procedimentos. Ministério da Saúde, Secretaria de Atenção à Saúde, Departamento de Atenção Básica. Brasília: Ministério da Saúde, 2011.

Mayeaux EJ. Guia ilustrado de procedimentos médicos. Porto Alegre: Artmed, 2012.

Duncan BB, Schmidt MI, Giuliani ERJ. Medicina ambulatorial: condutas de atenção primária baseadas em evidências. 3a ed. Porto Alegre: Artmed, 2013. [cms-watermark]

Gusso G, Lopes JMC. Tratado de Medicina de Família e Comunidade. 2a ed. Porto Alegre: Artmed, 2019. [cms-watermark]