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Definição: Os eletrodos do eletrocardiograma são dispostos na superfície do corpo, em diferentes locais, com o intuito de captar as ondas elétricas cardíacas de vários ângulos, tendo assim uma visão tridimensional do coração.
O modelo de eletrocardiograma mais utilizado no mundo foi desenvolvido por Willem Einthoven e aprimorado ao longo do tempo.
As derivações de ECG são convencionalmente chamadas de bipolares ou unipolares. As derivações padrão DI, DII e DIII são derivações bipolares para a diferença de potencial entre dois membros.
Einthoven inicialmente descreveu essas três derivações bipolares localizadas em ambos os braços e na perna esquerda (DI, DII e DIII, que formavam o famoso triângulo de Einthoven).
Posteriormente, vieram mais três derivações periféricas aumentadas (aVF, aVL, aVF) e seis derivações precordiais (V1 a V6), que formam o atual sistema eletrocardiográfico com 12 derivações.
Os eletrodos periféricos ficam posicionados nos membros superiores e inferiores, abaixo dos ombros e do quadril.
A derivação aumentada é criada ao desconectar o eletrodo explorador do eletrodo referência. Na prática, o aparelho usa uma das derivações periféricas para isso, ou seja, ele calcula a diferença entre um dos eletrodos periféricos em relação aos outros dois.
A posição dos eletrodos pode ser determinada por cores ou por letras, a depender do aparelho. Como os aparelhos geralmente dão essa denominação em inglês, serão abordadas duas possíveis listas para a melhor localização do eletrodo.
Figura 1.
Posicionamento de eletrodos determinado por cores
Figura 2.
Sistema hexagonal
As derivações precordiais usam a mesma referência das derivações aumentadas, mas os eletrodos são posicionados no precórdio e têm uma visão direta do coração.
Conceitualmente, um eletrodo unipolar é usado para seguir as variações de potencial de um único eletrodo. Portanto, é necessário um eletrodo de referência com potencial zero. As derivações unipolares práticas começaram com a introdução do terminal central de Wilson como eletrodo de referência, com notável sucesso clínico.
Figura 3.
Derivações precordiais
Figura 4.
Derivações à direita
Figura 5.
Derivações posteriores
A colocação correta das derivações V1 e V2 no ECG não mudou ao longo dos anos, sendo posicionadas no 4º espaço intercostal, à direita e à esquerda do esterno, respectivamente. Essa localização pode ser facilmente identificada usando o ângulo de Louis como referência. No entanto, a má colocação das derivações V1 e V2 tem sido comum desde a sua introdução.
Embora isso geralmente resulte em mudanças mínimas no padrão QRS, sem impactar significativamente a interpretação do ECG, erros específicos de posicionamento podem gerar padrões equivocados no ECG. Por isso, é importante reconhecer a possibilidade de um mau posicionamento das derivações como uma causa potencial desses padrões anômalos.
Autoria principal: Gabriel Quintino Lopes (Clínica Médica e Cardiologia).
Revisão: Eraldo Moraes (Cardiologia, Eletrofisiologia, com especialização em Marca-passo).
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