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Punção Guiada de Subclávia (USG)

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Definição: Técnica de acesso venoso central que consiste na punção da veia subclávia com agulha, realizada com o auxílio de ultrassonografia para orientação em tempo real. É comumente empregada à beira do leito por profissionais treinados, em especial em contextos que demandem a inserção de cateteres venosos centrais de curta permanência.

A punção da veia subclávia guiada por ultrassonografia (USG) é atualmente considerada a técnica padrão-ouro para acesso venoso central. Quando corretamente executada, a abordagem guiada reduz significativamente o risco de complicações, como punção arterial inadvertida, pneumotórax e hemotórax. Além disso, a USG é particularmente útil em pacientes com anatomia complexa ou em situações em que a punção por técnica tradicional (não guiada) apresenta maior dificuldade ou risco.

Desde 2011, o Centers for Disease Control and Prevention (CDC) recomenda que, durante a inserção de cateteres venosos centrais não tunelizados, o acesso pelas veias subclávia ou axilar seja priorizado em relação aos sítios jugular ou femoral. Essa orientação visa reduzir o risco de infecções relacionadas com o sítio de inserção do cateter.

    Em comparação ao procedimento sem uso de USG, apresenta alguns benefícios, como:
  • Maior taxa de sucesso na primeira tentativa;
  • Menor número de perfurações da pele e redirecionamento;
  • Menor tempo total de procedimento;
  • Menor risco relativo de punções arteriais, hematomas locais, pneumotórax e hemotórax.

O uso da USG permite ao operador avaliar patência da veia subclávia e alterações anatômicas relevantes previamente ao procedimento.

  • Abrange todas as indicações clássicas para acesso venoso central previamente estabelecidas, independentemente do uso de ultrassonografia;
  • Considerada a técnica padrão-ouro para a realização da punção da veia subclávia à beira do leito, devido à maior segurança e eficácia;
  • No contexto da inserção de cateteres venosos centrais de curta permanência, o acesso pela veia subclávia é preferido por estar associado a menor risco de infecção relacionada com o sítio de punção.
  • Presença de trombose da veia subclávia ou da veia braquiocefálica ipsilateralmente ao sítio proposto para punção;
  • Sinais clínicos de infecção local no sítio de inserção;
  • Plaquetopenia grave (contagem de plaquetas < 20.000/mm³);
  • Coagulopatia com INR > 2,0-3,0.
  • Clorexidina alcoólica;
  • Clorexidina degermante;
  • Capa estéril para USG;
  • Luvas estéreis;
  • Avental estéril;
  • Gorro e máscara;
  • Campos estéreis;
  • Gazes e compressas estéreis;
  • Pinça cirúrgica para degermação;
  • Porta-agulha;
  • Bandeja e cuba rim;
  • Soro fisiológico 0,9% (100-500 mL);
  • Seringas de 10 mL e 20 mL;
  • Anestésico local (Lidocaína 1% ou 2% sem vasoconstritor);
  • Agulhas para anestesia local;
  • Kit de cateter venoso central contendo:
    • Agulha de punção 18 G;
    • Fio-guia;
    • Dilatador;
    • Cateter venoso central (mono, duplo ou triplo lúmen);
    • Anteparos de fixação.
  • Fio de sutura (mononáilon 2-0 ou 3-0);
  • Curativo.

A veia subclávia é classificada como uma veia de drenagem profunda do membro superior.

Denomina-se veia subclávia a continuação da veia axilar ao cruzar a borda lateral da primeira costela.

Texto alternativo para a imagem

Junta-se com a veia jugular interna no nível da articulação esternoclavicular e forma a veia braquiocefálica.

Seu trajeto retroclavicular torna a punção subclávia tecnicamente mais desafiadora em razão do artefato de sombra acústica gerado pela clavícula.

A veia subclávia encontra-se anteriormente à artéria subclávia.

Técnica com Uso de USG

1. Uso do transdutor linear (alta frequência, 7-12 MHz).

2. Orientação ao paciente passo a passo do procedimento.

3. USG pré-procedimento para visualização anatômica e planejamento. [cms-watermark]

4. Paramentação cirúrgica.

5. Assepsia e antissepsia.

6. Cobrir transdutor com capa estéril no caso da punção guiada por USG. [cms-watermark]

7. Pode-se acessar a veia subclávia por via supraclavicular ou infraclavicular.

8. Embora seja usado o termo punção subclávia, o acesso infraclavicular, em geral, provém acesso à veia axilar, uma vez que a punção acontece lateralmente à primeira costela.

9. Para o acesso infraclavicular, o operador deve se posicionar ao lado do paciente e insonar a veia ao longo da margem inferior do terço médio da clavícula até o terço lateral, no plano sagital, escolhendo o ponto onde a veia encontra-se mais superficial e distinguível da artéria. [cms-watermark]

10. Deve-se evitar puncionar a mais que 4 cm lateralmente à linha hemiclavicular para se evitar lesão de plexo braquial ou nervo torácico longo.

11. O operador deve se posicionar junto à cabeça do paciente para punção via supraclavicular ou ao lado do paciente para punção via infraclavicular.

12. A manobra de abdução e rotação externa do membro superior ipsilateralmente à veia que será puncionada pode facilitar a visualização da veia por via infraclavicular.

13. Para o acesso supraclavicular, o operador deve se posicionar junto à cabeça do paciente, insonando ao longo da veia jugular interna até identificar sua junção com a veia subclávia. [cms-watermark]

14. A via supraclavicular pode ser de difícil acesso em pacientes demasiadamente emagrecidos.

15. O Doppler colorido pode ser útil para auxiliar na diferenciação entre veia e artéria e avaliar patência do vaso. [cms-watermark]

16. Anestesia local no sítio desejado, de preferência, sob ultrassonografia. [cms-watermark]

17. Punção guiada realizada geralmente por técnica longitudinal (em plano) ou técnica transversal (fora de plano).

Texto alternativo para a imagem Técnica longitudinal e técnica transversal

18. Aspirar sangue confirmando posicionamento da agulha dentro do vaso.

19. Passagem do fio-guia e demais passos igualmente ao procedimento não guiado.

20. A colocação de cateteres venosos centrais através de acesso subclávio pode resultar em cateterização da veia jugular interna ipsilateral em alguns casos. Tal complicação pode ser detectada injetando-se soro fisiológico pelo cateter enquanto se palpa o pescoço do paciente. Se sentir o fluxo ocasionado pela injeção do soro, deve-se considerar reposicionar o cateter.

21. Após o procedimento, pode-se realizar infusão rápida de solução salina agitada para confirmar adequado posicionamento do cateter na transição cavoatrial - sinal do redemoinho do átrio direito ( right atrial swirl sign ) ou sinal das bolhas de ar. [cms-watermark]

22. É possível realizar USG direcionada do tórax para avaliar ausência de pneumotórax através de detecção do deslizamento pulmonar ipsilateral após a inserção do cateter venoso central na veia subclávia. [cms-watermark]

  • Necessidade de um aparelho de USG no serviço;
  • Exige experiência e qualificação técnica do operador;
  • A punção subclávia guiada por USG é considerada por alguns tecnicamente mais difícil que a punção jugular ou femoral guiada por USG.
    As principais complicações incluem:
  • Punção arterial inadvertida;
  • Pneumotórax;
  • Hematoma;
  • Hemotórax.

Observação! O uso da ultrassonografia reduz os riscos associados à punção da veia subclávia quando realizado por profissional capacitado.

Autoria principal: Igor Biscotto (Radiologia Intervencionista e Cirurgia Endovascular).

Revisão: Yuri de Albuquerque (Medicina Intensiva). [cms-watermark] [cms-watermark]

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