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Toracocentese

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Definição: Procedimento invasivo que envolve a introdução de uma agulha/cateter na cavidade pleural com o objetivo de remover líquido ou ar, com fins diagnósticos ou terapêuticos.

  • Derrame pleural:
    • Diagnóstico : Exsudato x transudato;
    • Diagnóstico para decisão de complementação com drenagem;
    • Terapêutico em caso de sintomas (dispneia principalmente);
    • Derrame pleural associado à sepse (suspeita de empiema).
  • Pneumotórax:
    • Pneumotórax espontâneo primário de qualquer tamanho se sintomático;
    • Pneumotórax espontâneo primário > 2 cm (a distância entre o pulmão e a parede torácica tendo como referência o hilo pulmonar);
    • Pneumotórax espontâneo secundário de 1-2 cm sem sintomas;
    • Pneumotórax hipertensivo em situação de emergência.
  • Lesões no sítio de procedimento (incluindo celulite, herpes-zóster, invasão cutânea tumoral);
  • Distúrbios de coagulação não corrigidos:
    • INR < 1.5; PTTa < 2x referência ou plaquetas > 50.000 não alteram o risco de sangramento;
    • Uso de trombolíticos;
    • Anticoagulação plena (respeitar tempo de suspensão); para mais informações, acesse Pré-operatório:
  • Derrames pequenos;
  • Paciente não cooperativo.
  • Equipamento de proteção individual;
  • Campo estéril;
  • Gaze estéril;
  • Soluções antissépticas;
  • Seringas (10-20 mL);
  • Agulhas;
  • Anestésico local (Lidocaína 1 ou 2%);
  • Cateter com agulha (Jelco 14 ou 16);
  • Equipo de soro;
  • Frasco coletor (vidro ou plástico);
  • Torneira de 3 vias;
  • Tubos de coleta para exames;
  • Material para curativo.

Atenção! O feixe vasculonervoso (incluindo a artéria e a veia intercostal e o nervo intercostal) possui seu trajeto abaixo da borda inferior dos arcos costais, desde a coluna vertebral à porção anterior do tórax. O feixe é melhor recoberto pela costela na porção lateral do tórax em relação à medial ou posterior. [cms-watermark]

      "Triângulo de segurança": área para possível punção lateral mais segura:
  • Anterior : Borda do músculo peitoral maior; [cms-watermark]
  • Posterior: Borda do músculo grande dorsal; [cms-watermark]
  • Inferior: 5º ou 6º espaço intercostal; [cms-watermark]
  • Vértice: Base axilar. [cms-watermark]
    Avaliação de risco x benefício:
  • Avaliar o objetivo do procedimento: diagnóstico ou terapêutico;
  • A punção de derrames pleurais com objetivo terapêutico somente é justificada caso haja clínica atribuível ao quadro (toracocentese de alívio);
  • Um exame de imagem recente deve estar disponível antes de realizar o procedimento (radiografia de tórax ou USG torácico);
  • Atenção! Em casos de pneumotórax hipertensivo, no qual a punção tem objetivo de alívio inicial, o diagnóstico é exclusivamente clínico;
  • Derrames pleurais, nos quais a "espessura" do líquido à radiografia lateral for < 10 mm, devem ser avaliados idealmente com USG torácico, pelo maior risco de complicação.
    Rotinas pré-procedimento:
  • Discutir com o paciente o procedimento e seus riscos, consentimento;
  • Confirmar a lateralidade do procedimento por exame físico e exame de imagem (radiografia, USG).
    Posicionamento:
  • Punção posterior: Sentado na beira da cama, levemente inclinado para frente com os braços apoiados em anteparo (mesa);
  • Punção lateral: Decúbito horizontal com o tronco levemente elevado e o braço ipsilateral ao derrame elevado acima da cabeça;
  • Punção pneumotórax: Decúbito horizontal com braços ao longo do corpo.
  1. Higienização das mãos e uso de EPI.
  2. Cuidados locais de assepsia e antissepsia.
  3. Colocação de campo estéril.
  4. Identificação do ponto de punção: 2 cm abaixo da ponta da escápula (evitando abaixo da 9ª costela) ou com auxílio de USG. Para punções anteriores, normalmente no 2º espaço intercostal na linha hemiclavicular:
    • Atenção! Pneumotórax hipertensivo: punção no 5º espaço intercostal e na linha axilar média (ATLS 10 ed.).
  5. Anestesia local com Lidocaína 2% (diluir com água destilada 1:1):
    • Atenção! Realizar na borda superior da costela;
    • Manter a aspiração negativa até se obter amostragem do líquido pleural (derrame pleural) ou ar (pneumotórax).
  6. Punção da cavidade pleural, perpendicular à parede torácica, na borda superior da costela.
  7. Ao aspirar o conteúdo, tracionar a agulha e avançar o cateter plástico.
  8. Retirar a agulha ocluindo o cateter, de forma a evitar a entrada de ar na pleura.
  9. Conectar torneira de 3 vias ao cateter ou este diretamente ao equipo de soro.
  10. Retirada do conteúdo pleural:
    • Derrame pleural : Aspirar com seringa de 20 mL líquido pleural para análise (em média 50-60 mL);
    • Pneumotórax: Aspirar o ar, fechando o sistema para o ambiente e abrindo para o paciente; depois, fechando para o paciente e abrindo para o ambiente (com auxílio da torneira de 3 vias).
  11. Drenar o restante do líquido para coletor situado em nível abaixo do paciente.
  12. Para toracocentese terapêutica, retirar o máximo de líquido possível e evitar volumes superiores à 1,5 L em um único procedimento.
    • Em caso de desconforto respiratório, dor torácica, dispneia, tosse ou hipotensão, reduzir o fluxo de drenagem ou cessar o procedimento (edema de reexpansão pulmonar).
  13. Retirar o cateter em pausa respiratória.
  14. Realizar curativo oclusivo no local.
  15. Solicitar radiografia de tórax para controle.
  16. Atenção! A punção guiada por USG torácico está associada a uma menor taxa de complicação, falhas no procedimento e lesões viscerais, portanto deve ser o método de escolha.
Texto alternativo para a imagem Punção posterior

A maioria dos procedimentos pleurais não necessita ser realizada de forma emergencial, portanto não deve ocorrer no período noturno, exceto em caso de relevante comprometimento cardiopulmonar (BTS, 2010). [cms-watermark]

Paciente em ventilação mecânica não é contraindicação ao procedimento, todavia exige maior atenção e cuidado, pelo maior potencial de punção pulmonar. [cms-watermark]

    Causas de falha do procedimento:
  • Derrames pequenos;
  • Derrame loculado;
  • Seio costofrênico muito agudo;
  • Viscosidade aumentada do líquido pleural.
    Controle de imagem:
  • Radiografia de tórax ou ultrassonografia para avaliar complicações e efetividade do procedimento;
  • Pequenos pneumotórax assintomáticos podem ser manejados de forma conservadora com controle radiológico.
  • Tubos de bioquímica : Proteína, LDH, glicose, ADA;
  • Celularidade e contagem diferencial;
  • Pesquisa de citologia oncótica (volumes de 20 a 60 mL);
  • Gasometria : Com seringa heparinizada (envio imediato para análise);
  • Frasco para bacterioscopia e cultura;
  • Para mais informações, acesse conteúdo específico sobre Derrame pleural parapneumônico e empiema.
  • Pneumotórax (aproximadamente: 3-20%);
  • Tosse (minimizado se retirado volumes < 1500 mL);
  • Dor (realizar a devida anestesia local e, eventualmente, sistêmica);
  • Hemotórax;
  • Infecção local;
  • Edema de reexpansão (0,2 a 14%);
  • Reação vasovagal;
  • Punção de órgãos sólidos (fígado/baço);
  • Punção cardíaca;
  • Vazamento continuado de líquido pelo sítio de punção.

Autoria principal: Caio C. B. de Castro (Cirurgia Geral e Torácica).

    Equipe adjunta:
  • Bernardo Schwartz E. Mello (Cirurgia Geral e Medicina Intensiva);
  • Aluisio Reis (Cirurgia Torácica);
  • Angelo Luís Tonon (Cirurgia Geral);
  • Jader David Ricco (Cirurgia Oncológica);
  • Matheus Furtado (Cirurgia Cardiovascular);
  • Mateus Streva (Cirurgia Vascular);
  • Vanessa Nascimento (Cirurgia Pediátrica Geral pelo IFF/FIOCRUZ e Oncológica pelo INCA);
  • Leonardo Dinis de Albuquerque (Cirurgia Geral);
  • Mariane Savio (Coloproctologia);
  • Matheus Meira (Cirurgia do Aparelho Digestivo e Videolaparoscopia).

Scalabrini Neto A, Dias A, Daglius R, et al. Procedimentos em emergências. 1a ed. São Paulo: Manole, 2012.

Havelock T, Teoh R, Laws D, et al. Pleural procedures and thoracic ultrasound: British Thoracic Society Pleural Disease Guideline 2010. Thorax. 2010; 65(Suppl 2):ii61-76.

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Thomsen TW, DeLaPena J, Setnik GS. Videos in clinical medicine. Thoracentesis. N Engl J Med. 2006; 355(15):e16.