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Transplante Cardíaco_ Indicações

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Definição: O transplante cardíaco é um tratamento para pacientes com doença cardíaca em fase avançada que se mantêm sintomáticos a despeito do tratamento clínico otimizado. Neste tópico, serão revisadas as indicações e as contraindicações ao método, a fim de promover melhores práticas clínicas.

    Gerais:
  • Choque cardiogênico necessitando de aminas vasoativas ou suporte circulatório (balão intra-aórtico, outros dispositivos circulatórios) sem perspectiva de recuperação do quadro (classe I);
  • Insuficiência cardíaca (IC) com classificação NYHA III persistente IV e tratamento clínico otimizado na presença de outros fatores de mau prognóstico (classe I);
  • IC avançada e VO 2 de pico ≤ 12 mL/kg/minuto em pacientes em uso de betabloqueadores (classe I);
  • IC avançada e VO 2 de pico ≤ 14 mL/kg/minuto em pacientes intolerantes a betabloqueadores (classe I);
  • Arritmias ventriculares sintomáticas e refratárias ao manejo com fármacos, dispositivos elétricos e procedimentos de ablação (classe I);
  • IC refratária e VO 2 de pico ≤ 50% do previsto em pacientes com < 50 anos e mulheres (classe IIa);
  • Angina refratária ou intratável em paciente com doença arterial coronariana, sem possibilidade de revascularização e em tratamento medicamentoso otimizado (classe IIa);
  • IC refratária e VO 2 de pico ajustado para massa magra ≤ 19 mL/kg/minuto em pacientes com índice de massa corporal > 30 (classe IIb);
  • IC refratária e equivalente ventilatório de gás carbônico (relação VE/VCO 2 ) > 35 particularmente se VO 2 de pico ≤ 14 mL/kg/minuto e/ou teste cardiopulmonar submáximo (RER < 1,05) (classe IIb);
  • Recomendações classe III : Disfunção sistólica isolada, prognóstico adverso estimado apenas por escores prognósticos ou VO 2 de pico isoladamente, IC classe funcional NYHA III-IV sem otimização terapêutica.
    Situações especiais:
  • IC avançada e cardiomiopatia restritiva (classe I);
  • Tumores cardíacos com potencial de cura com o explante do coração (classe IIa);
  • Amiloidose cardíaca relacionada com mutações da transtirretina (ATTR) sem perspectiva ou resposta a tratamentos específicos, associada ao transplante de fígado (classe IIa);
  • IC secundária à amiloidose AL com contraindicação para terapias específicas pelo envolvimento cardíaco, na ausência de envolvimento extracardíaco, seguido de transplante de medula (classe IIa);
  • IC refratária em pacientes com infecções crônicas por HBV ou HCV, na ausência de sinais clínicos, radiológicos ou bioquímicos de cirrose, hipertensão portal ou carcinoma hepatocelular (classe IIb);
  • IC refratária em pacientes HIV-positivos sem história de infecções oportunísticas, que estejam clinicamente estáveis, em uso de terapia antirretroviral combinada com carga viral indetectável e contagem de CD4 >200 células /µL (classe IIb);
  • Quando há indicação de transplante, os pacientes devem ser encaminhados a um centro de referência para o procedimento;
  • No centro de referência, o paciente será avaliado pela equipe responsável, determinando se ele realmente tem indicação de transplante, se está apto ou não a realizar o procedimento, se há complicações que impeçam o transplante, se há possibilidade de transplante de outros órgãos e se os benefícios superam os riscos, conforme é demonstrado no fluxograma (figura 1) ;
  • Uma vez definida sua candidatura ao transplante, o paciente entra em uma fila, que é dinâmica e se atualiza constantemente;
  • A indicação de transplante implica acompanhamento ambulatorial constante, em que serão esgotadas todas as opções terapêuticas e será atualizado o quadro clínico do paciente.
Texto alternativo para a imagem Figura 1 . Fluxograma de avaliação para transplante cardíaco. Fonte : Bacal F, et al. (2018).

Após a indicação ao transplante, os pacientes devem ser avaliados para possíveis fatores que contraindiquem o procedimento.

    Fatores absolutos:
  • Idade > 70 anos;
  • Pacientes selecionados (boa performance status e poucas comorbidades) podem ser considerados;
  • Comorbidades com baixa expectativa de vida a despeito do transplante cardíaco (< 2 anos);
  • Pacientes com AIDS e infecções oportunistas estão incluídos na lista, porém pacientes soropositivos com carga viral negativa e doença controlada podem ser transplantados;
  • Infecção sistêmica ativa;
  • Obesidade grau 3;
  • Doença cerebrovascular grave sintomática;
  • Doença vascular periférica grave sem possibilidade de revascularização e/ou reabilitação;
  • Doença hepática ou pulmonar avançada (é possível considerar o transplante de múltiplos órgãos);
  • Doença psiquiátrica grave, dependência química, baixo suporte social e/ou baixa adesão ao tratamento e recomendações vigentes;
  • DM com lesões graves em órgão-alvo e/ou controle glicêmico inadequado (HbA1c > 7,5%);
  • Incompatibilidade ABO (adequar o doar compatível);
  • Embolia pulmonar < 3 semanas, sendo que o risco é maior em caso de infarto pulmonar e/ou hipertensão pulmonar;
  • Hipertensão pulmonar fixa: persistência de resistência vascular pulmonar > 5 unidades Wood, apesar de testes de vasorreatividade pulmonar e descompressão cardíaca com dispositivos de assistência ventricular mecânica, indica risco cirúrgico elevado e deve ser considerada no risco global do receptor (dispositivo de assistência ventricular mecânica como ponte para candidatura/decisão ao transplante, visando à redução das pressões pulmonares, pode ser considerado); é possível considerar o transplante cardiopulmonar;
  • Neoplasia com risco de recorrência elevado ou incerto;
  • Perda de função renal intrínseca e irreversível apesar de tratamento clínico otimizado (taxa de filtração glomerular estimada < 30mL/min/1,73m2 ); é possível considerar o transplante combinado de coração e rim;
  • Síndromes demenciais ou retardo mental graves;
  • Tabagismo ativo (o período de abstinência sugerido é de 6 meses; Pela associação a desfechos desfavoráveis no pós-transplante, deve ser individualizado conforme opções do centro transplantador e gravidade do caso).

Autoria principal: Gabriel Quintino Lopes (Clínica Médica e Cardiologia).

Revisão : Sara Del Vecchio Ziotti (Clínica Médica e Cardiologia).

    Equipe adjunta:
  • Eraldo Moraes (Cardiologia, Eletrofisiologia, com especialização em Marca-passo);
  • Leonardo Nanes (Clínica Médica, Cardiologia, Arritmologia e Medicina Intensiva).

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