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Ácido Úrico

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Definição: O ácido úrico – um ácido orgânico fraco – é considerado um produto final do catabolismo das purinas (bases nitrogenadas, notadamente a adenina e guanina, constituintes dos ácidos nucleicos).

Sinônimos: Urato; Urato monossódico; Uricemia, sUA; Ácido úrico sérico; Ácido úrico – Sangue.

A gota é uma doença crônica, causada pelo acúmulo de cristais de ácido úrico em diversos tecidos, principalmente, mas não exclusivamente, nas articulações.

Em pH fisiológico (7,4), cerca de 99% das moléculas de ácido úrico estão sob a forma de urato monossódico.

O balanço das concentrações séricas do ácido úrico está relacionado com sua produção endógena, ingesta e eliminação pelos tratos gastrointestinal (TGI) e renal (filtração, reabsorção e excreção).

As concentrações séricas de urato monossódico que ultrapassam sua solubilidade em níveis fisiológicos de pH, sódio e temperatura – nível limite esse que é de 6,8 mg/dL – é o conceito que define a hiperuricemia.

A maior parte do ácido úrico corporal é sintetizada no fígado e na mucosa intestinal, sendo que sua formação ocorre apenas em tecidos que contêm a enzima xantina-oxidase.

Cerca de 1/3 é eliminado pelo TGI (por degradação enzimática da flora bacteriana), enquanto os 2/3 restantes são eliminados por via renal.

    Indicações:
  • Diagnóstico e monitorização do tratamento de doença gotosa, de alguns casos de insuficiência renal, cálculos renais, neoplasias, psoríase, hiperuricemia assintomática, entre outras condições;
  • Monitorização de pacientes em uso de fármacos citotóxicos.

Como solicitar: Ácido úrico.

  • Orientações ao paciente: Idealmente, o paciente deve estar em jejum de 8 horas e abstinente de álcool. Evitar exercícios físicos antes da coleta. A amostra deverá ser colhida, de preferência, pela manhã;
  • Tubo para soro (tampa vermelha/amarela). Aguardar a devida retração do coágulo, centrifugar o tubo por 15 minutos e refrigerar (2-8 o C) a amostra em seguida;
  • Material: Sangue;
  • Volume recomendável: 1 mL.
Texto alternativo para a imagem Figura 1. Tubo para soro – tampa vermelha. Ilustrador: Caio Lima.


Texto alternativo para a imagem Figura 2. Tubo para soro – tampa amarela. Ilustrador: Caio Lima.
  • Homens: 3,5-7,2 mg/dL (0,21-0,42 milimol/L);
  • Mulheres: 2,7-6,0 mg/dL (0,16-0,36 milimol/L).
    Observações!
  • Normalmente, suas concentrações são maiores durante o dia e menores à noite;
  • Os valores de referência para o ácido úrico são influenciados por sexo, idade, função renal e dieta, podendo ainda variar de acordo com o laboratório clínico e a metodologia utilizada;
  • Em pacientes em tratamento para gota, recomendam-se níveis séricos de ácido úrico < 6 mg/dL.

Uma libação alcoólica no dia anterior à coleta pode elevar suas concentrações.

Amostras acentuadamente hemolisadas podem interferir nos resultados.

Tubos de coleta contendo oxalato de potássio podem prejudicar sua determinação.

O uso de vitamina C, Levodopa, Desferroxamina e Alfametildopa pode interferir em algumas metodologias.

Exercícios físicos severos recentes podem elevar suas concentrações.

Não há correlação direta entre os níveis séricos e urinários de ácido úrico.

Dieta rica em purinas eleva os níveis séricos.

No contexto de uma crise aguda de gota, as concentrações séricas de ácido úrico podem ser de difícil interpretação. As crises em pacientes sob terapias hipouricêmicas podem ocorrer com níveis normais ou até mesmo baixos de ácido úrico.

Depois de uma crise aguda de gota, é necessário aguardar, pelo menos, 2 semanas após a completa resolução do quadro para se estabelecer um valor basal de ácido úrico.

Aumento: Linfomas, leucemias, anemias, policitemia, fármacos (etanol, medicações citotóxicas, Acetaminofeno, Ampicilina, Aspirina em baixas doses, Atenolol, Diltiazem, Ibuprofeno, Levodopa, Propranolol, Varfarina, Pirazinamida, Etambutol, barbitúricos, Furosemida, tiazídicos), radioterapia, diabetes, intoxicação por chumbo, hipercalcemia, hiperparatireoidismo, hipotireoidismo, doença de Addison, consumo excessivo de purinas (ex.: carnes, vegetais leguminosos), acidose metabólica, síndrome de Lesch-Nyhan, síndrome de Down, doença gotosa, obesidade, hipertrigliceridemia, HAS, IRC, cetoacidose, acidose lática, psoríase, toxemia gravídica, depleção de volume.

Diminuição: Síndrome de Fanconi, doença de Wilson, dieta pobre em purinas, galactosemia, SIADH, xantinúria, acromegalia, doença celíaca, carcinoma pulmonar, fármacos (Alopurinol, Aspirina em altas doses, corticosteroides, vitamina C, Dobutamina, Probenicida, Verapamil, Espironolactona, Dipirona, Indometacina, estrogênio, fenotiazinas, Mercaptopurina ).

Autoria principal: Pedro Serrão Morales (Patologia Clínica e Medicina Laboratorial).

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