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Ácido Lático

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Definição: É um intermediário do metabolismo de carboidratos, derivado do metabolismo anaeróbio do glicogênio, por meio da glicólise.

Sinônimos: Lactato; Lacticemia; L-Lactato; Ácido Láctico; Ácido Lático - Sangue.

O ácido lático é formado a partir do ácido pirúvico (piruvato), principalmente no músculo esquelético, cérebro, rins e eritrócitos.

Possui dois isômeros: o L-lactato (principal forma sintetizada em humanos e responsável pela grande maioria dos quadros de acidose lática) e o D-lactato, um isômero incomum, majoritário em poucos casos de acidose lática (ex.: síndrome do intestino curto, cetoacidose diabética, propilenoglicol).

Ele pode ser coletado em sangue venoso ou arterial, bem como em plasma ou sangue total (a depender da metodologia). Além do sangue, ele também pode ser determinado em outros líquidos biológicos (ex.: pleural, sinovial, peritoneal, líquor).

    Indicações:
  • Avaliação de pacientes com perfusão tecidual alterada;
  • Diagnóstico e monitoramento de acidose lática;
  • Investigação de distúrbios metabólicos;
  • Avaliação pós-exercícios físicos;
  • Na intoxicação por drogas/toxinas;
  • Avaliação de prognóstico e preditor de mortalidade em pacientes críticos.

Como solicitar: Ácido lático (especificar se em sangue total ou plasma, e se venoso ou arterial).

  • Orientações ao paciente: repouso de no mínimo 30 minutos, evitando exercícios físicos. Não realizar movimentos de abrir e fechar a mão, bem como evitar o garroteamento do braço para a coleta;
  • Tubo para plasma (tampa cinza - Fluoreto de sódio) ou seringa heparinizada (sangue total). Deve ser centrifugado em no máximo 15 minutos, e ter o plasma separado das células (a não ser que o laboratório utilize metodologia adequada para sangue total), com envio da amostra sob refrigeração (2-8 o C);
  • Material: sangue;
  • Volume recomendável: 2,0 mL.
Texto alternativo para a imagem Figura 1. Tubo para plasma (tampa cinza - Fluoreto de sódio).
SANGUE TOTAL mmol/L mg/dL
Venoso: em repouso 0,5 a 1,3 4,5 a 11,0
Venoso: a nível hospitalar 0,9 a 1,7 8,0 a 15,0
Arterial: em repouso 0,36 a 0,75 3,0 a 7,0
Arterial: a nível hospitalar 0,36 a 1,25 3,0 a 11,0
PLASMA mmol/L mg/dL
Venoso 0,5 a 2,2 4,5 a 19,8
Arterial 0,5 a 1,6 4,5 a 14,4
  • Observação! Os valores de referência para o ácido lático podem variar de acordo com o laboratório clínico e metodologia utilizada;
  • Observação! Embora não haja um ponto de corte bem definido para o diagnóstico de acidose lática, concentrações acima de 5,0 nmol/L e pH < 7,25 são indicativos de um quadro de acidose lática significativa.
  • O uso de Manitol pode interferir em algumas metodologias;
  • Hemólise pode causar resultados falsamente baixos;
  • Níveis altos de LDH podem diminuir falsamente suas concentrações;
  • Infusões intravenosas (medicamentos, líquidos) podem modificar o equilíbrio ácido-base, alterando as concentrações do ácido lático.
    Aumento:
  • Choque séptico;
  • Acidose lática;
  • Exercício físico;
  • Hipotensão;
  • Anemia;
  • Asfixia intraparto;
  • Erros inatos do metabolismo;
  • Diabetes;
  • Cetoacidose diabética;
  • Insuficiência hepática;
  • Insuficiência renal;
  • Miopatia;
  • Insuficiência respiratória;
  • Hiperventilação;
  • Insuficiência cardíaca;
  • Infecção;
  • Malignidades;
  • Estado pós-prandial;
  • Isquemia mesentérica;
  • Peritonite bacteriana;
  • Obstrução intestinal;
  • Deficiência de tiamina;
  • Drogas/toxinas (ex.: álcool, monóxido de carbono, meta-hemoglobinemia, metanol, etilenoglicol, Epinefrina, Bicarbonato de sódio, Nitroprusseto, Metformina, Salicilato, Ácido nalidíxico).

Diminuição: Jejum.

Autoria principal: Pedro Serrão Morales (Patologia Clínica e Medicina Laboratorial).

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