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Ânion Gap - Sangue

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Definição: Cálculo que estima a diferença entre cátions e ânions no sangue.

Sinônimos: Hiato Aniônico; Íon Gap; Intervalo Aniônico; Ânion Gap - Soro; AG.

O conceito de ânion gap se baseia no princípio da eletroneutralidade, ou seja, o montante de todos os cátions e ânions circulantes deve ser igual.

O sódio é o cátion de maior concentração no sangue, enquanto o cloreto e o bicarbonato (HCO 3 - ) os principais ânions.

Os principais cátions não mensuráveis são representados pelo magnésio , cálcio e potássio. Já os ânions não mensuráveis incluem proteínas (principalmente a albumina ), fosfatos, sulfatos e ácidos orgânicos (especialmente cetoácidos e ácido lático ).

A determinação do ânion gap é uma ferramenta barata e eficaz para auxiliar a determinação de diversos distúrbios ácido-básicos, intoxicações e malignidades hematológicas, por exemplo.

    Basicamente, duas fórmulas podem ser utilizadas para o seu cálculo: [cms-watermark]
  • Ânion gap = Na + - (Cl - + HCO 3 - );
  • Ânion gap = (Na + + K + ) - (Cl - + HCO 3 - ):
    • Observação! Quando utilizada a fórmula que inclui o potássio , os valores de referência são cerca de 4 mmol/L (mEq/L) mais altos.

Dado o fato de a albumina ser o mais importante ânion não mensurável, uma correção do cálculo deve ser feita quando suas concentrações séricas forem < 4 g/dL. Para cada diminuição de 1 g/dL de albumina abaixo de 4 g/dL, há uma redução de 2,5 mmol/L (mEq/L) do ânion gap, que deverá ser corrigido.

    O ânion gap corrigido pela albumina pode ser descrito pela seguinte fórmula: [cms-watermark]
  • Ânion gap corrigido = ânion gap + 2,5 x (4 - albumina).
    Indicações:
  • Diagnóstico diferencial e classificação das acidoses metabólicas em dois grandes grupos: com ânion gap elevado ou normal (hiperclorêmicas);
  • Avaliação de pacientes com insuficiência renal aguda, alteração do sensório, crises convulsivas, paraproteinemias, intoxicação pelo brometo ou lítio.

Como solicitar: Ânion Gap - Sangue.

  • Orientações ao paciente: não há necessidade de preparo específico;
  • Tubo para soro (tampa vermelha/amarela). Aguardar a devida retração do coágulo, centrifugar a amostra por 15 minutos e armazenar o material sob refrigeração (2-8 o C);
  • Material: sangue;
  • Volume recomendável: 2,0 mL.
Texto alternativo para a imagem Figura 1. Tubo para soro - tampa vermelha. Ilustração: Caio Lima
Texto alternativo para a imagem Figura 2. Tubo para soro - tampa amarela. Ilustração: Caio Lima
    Varia conforme a fórmula utilizada:
  • Na + - (Cl - + HCO 3 - ) → 12 ± 4 mmol/L (mEq/L);
  • (Na + + K + ) - (Cl - + HCO 3 - ) → 16 ± 4 mmol/L (mEq/L);
  • Observação! Os valores de referência para o ânion gap podem variar de acordo com o laboratório clínico e a metodologia utilizada.

O preenchimento incompleto do tubo de coleta e/ou a exposição excessiva do material ao ar ambiente pode levar a resultados falsamente elevados.

Em alguns distúrbios metabólicos, os valores do ânion gap podem estar dentro do intervalo de referência.

A demora no processamento adequado do tubo de coleta pode elevar os níveis de bicarbonato in vitro .

O ânion gap não substitui outros testes, como dosagem do lactato, osmolalidade e corpos cetônicos , por exemplo.

Seus valores de referência podem variar sensivelmente em razão da metodologia utilizada para determinação de seus constituintes e pela variabilidade interindividual.

A hipoalbuminemia pode reduzir falsamente os resultados do ânion gap. Na suspeita de hipoalbuminemia, deve-se dosar a albumina e calcular o ânion gap corrigido {ânion gap corrigido = ânion gap + 2,5 x (4 - albumina)}.

    Alto:
  • Associado a um pH ácido: Cetoacidose; uremia/insuficiência renal; acidose láctica; hemoconcentração; rabdomiólise; hiperfosfatemia; estado hiperglicêmico hiperosmolar; toxicidade por drogas (Metanol, Salicilatos, Tolueno, Etilenoglicol, Isoniazida);
  • Associado a pH alcalino: Depleção de volume extracelular; politransfusões (associado à insuficiência renal e/ou depleção de volume extracelular); drogas (Citrato, Penicilina).

Normal (dentro do intervalo de referência): Acidose renal tubular; diarreia; hiperalimentação; drenagem externa percutânea do trato pancreatobiliar; ureteroileostomia; drogas (inibidores da anidrase carbônica).

Baixo: Hipoalbuminemia; hipernatremia; hipercalcemia; hipermagnesemia; hemodiluição; síndrome de hiperviscosidade; mieloma múltiplo; hipergamaglobulinemia policlonal; toxicidade por drogas (Lítio, Brometo).

Autoria principal: Pedro Serrão Morales (Patologia Clínica e Medicina Laboratorial).

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