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Adenosina Deaminase - ADA

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Definição: É uma enzima, com ampla distribuição tecidual, que catalisa a desaminação (conversão) da adenosina para inosina.

Sinônimos: Adenosina desaminase; ADA.

A adenosina deaminase (ADA) está envolvida no metabolismo das purinas e no processo de proliferação e diferenciação de linfócitos diante de uma resposta imune.

Nos derrames pleurais, uma metanálise sugere que níveis de ADA superiores a 45-60 unidades/L apresentam uma sensibilidade de 100%, com especificidade de 98% para o diagnóstico.

Já no líquor, uma outra metanálise demonstrou que concentrações de ADA maiores que 9-10 unidades/L possuem uma sensibilidade de 79%, associado a uma especificidade de 91% para meningite tuberculosa.

Para o diagnóstico de pericardite tuberculosa, um estudo sugeriu que níveis superiores a 30 unidades/L de ADA apresentam 94% de sensibilidade, com especificidade de 68%.

No líquido peritoneal, uma metanálise demonstrou uma sensibilidade de 100% e especificidade de 97%, em concentrações de ADA maiores que 36-40 unidades/L para o diagnóstico de peritonite tuberculosa.

    Indicações: [cms-watermark]
  • Auxílio diagnóstico da meningite tuberculosa, tuberculose pleural, tuberculose peritoneal e tuberculose pericárdica. [cms-watermark]

Como solicitar: Adenosina deaminase - ADA (especificar o material).

  • Orientações ao paciente: Não é necessário nenhum preparo específico. Informar sobre o procedimento que será realizado; [cms-watermark]
  • Frasco de coleta estéril, com tampa. Centrifugar a amostra e enviar ao laboratório clínico o sobrenadante, mantido sob refrigeração (2-8°C); [cms-watermark]
  • Materiais: Líquido cefalorraquidiano; líquido pleural; líquido pericárdico; líquido peritoneal. [cms-watermark]
  • Volume recomendável: 2,0 mL. [cms-watermark]
  • Líquido cefalorraquidiano (LCR): < 6 unidades/L; [cms-watermark]
  • Líquido pleural: ≤ 47 unidades/L; [cms-watermark]
  • Líquido pericárdico: ≤ 50 unidades/L; [cms-watermark]
  • Líquido peritoneal: ≤ 32 unidades/L.

Atenção! Os valores de referência para a adenosina deaminase podem variar de acordo com o laboratório clínico, prevalência de tuberculose na região, material biológico e metodologia utilizada.

Pacientes com síndrome da imunodeficiência adquirida (SIDA) podem apresentar resultados falso-negativos.

Algumas malignidades (ex.: mesotelioma, câncer de pulmão, hematológicas) também podem apresentar altas concentrações de ADA no líquido pleural.

No líquor, níveis elevados de ADA podem ser encontrados em outras infecções bacterianas e na neurobrucelose.

Ainda não existe uma concentração bem definida de ADA que permita distinguir as meningites tuberculosas das meningites causadas por outros agentes infecciosos.

A maioria dos ensaios disponíveis reportam as concentrações totais de ADA, não distinguindo as suas principais isoenzimas: ADA-1 (aumentada em condições não tuberculosas) e ADA-2 (elevada nos líquidos em quadros de tuberculose).

Técnicas moleculares (ex.: PCR) estão disponíveis, apresentando um melhor desempenho analítico quando comparadas a ADA para o diagnóstico da tuberculose nos líquidos cavitários.

Em regiões de alta prevalência de tuberculose, derrames pleurais com predominância linfocitária, mesmo com baixas concentrações de ADA, não podem ter a causa tuberculosa definitivamente excluída. Já em áreas de baixa prevalência, sua maior aplicação prática, devido ao seu alto valor preditivo negativo (VPN), é no afastamento da etiologia tuberculosa do derrame quando em baixas concentrações.

Os níveis de ADA no líquido peritoneal são mais confiáveis em pacientes não cirróticos (nos cirróticos, a sensibilidade para peritonite tuberculosa é de apenas 30%).

Aumento: Meningite tuberculosa; tuberculose pleural; tuberculose peritoneal; tuberculose pericárdica; malignidades; empiema bacteriano; derrame parapneumônico; meningite bacteriana; neurobrucelose.

Diminuição: Não se aplica.

Autoria principal: Pedro Serrão Morales (Patologia Clínica e Medicina Laboratorial).

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