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Definição: Proteína circulante mais abundante do organismo, sintetizada exclusivamente no fígado, cuja concentração representa cerca de 2/3 das proteínas plasmáticas totais. Pode ser determinada no líquido pleural, em conjunto com suas concentrações no soro, para auxiliar na diferenciação entre derrames pleurais exsudativos e transudativos.
Sinônimos: Alb. - Líquido Pleural; Albumina - Derrame Pleural.
A albumina é uma proteína formada apenas por aminoácidos, solúvel em água, que coagula com o calor e precipita em meio ácido. Suas concentrações refletem e variam de acordo com a taxa de síntese, degradação e distribuição.
Essa proteína, dentre outras funções, atua na manutenção da pressão oncótica sanguínea, no transporte, no armazenamento e na solubilização de uma série de componentes (ex.: hormônios, íons, medicamentos), além de ser uma fonte endógena de aminoácidos.
A análise da albumina no líquido pleural é utilizada, em conjunto com outros marcadores, na avaliação/diferenciação da causa do derrame pleural de acordo com sua concentração/gradiente (exsudatos
versus
transudatos).
Uma dosagem de albumina sérica
deve ser sempre solicitada em conjunto/simultaneamente com a pleural, para fins de comparação entre os valores obtidos, por meio do cálculo do gradiente de albumina sérico-pleural (albumina sérica
– albumina pleural).
Em linhas gerais, os derrames pleurais do tipo transudato apresentam concentrações de albumina mais baixas (gradiente de albumina sérico-pleural > 1,2 g/dL), enquanto nos exsudatos as concentrações de albumina são mais altas (com um gradiente, tipicamente, < 1,2 g/dL).
O gradiente de albumina sérico-pleural é uma alternativa diagnóstica mais efetiva aos critérios de Light para a identificação de alguns derrames pleurais transudativos, que podem ser inadequadamente enquadrados como exsudatos pelos critérios clássicos.
Como solicitar:
Albumina - Líquido Pleural.
Figura 1.
Frasco coletor urina de 24 horas.
Ilustração:
Caio Lima
Observação!
Os valores de referência podem variar de acordo com o laboratório clínico e a metodologia utilizada.
Em algumas metodologias, pacientes com insuficiência renal podem apresentar falsas elevações nos resultados da albumina.
Seus resultados devem ser interpretados em conjunto com dados clínicos e outros exames complementares.
O uso de Ampicilina pode interferir em algumas metodologias.
Embora raramente, as gamopatias monoclonais, notadamente por IgM (macroglobulinemia de Waldenstrom), podem levar a resultados espúrios.
Amostras acentuadamente lipêmicas ou ictéricas podem interferir nas determinações da albumina no soro.
A coleta de sangue em pacientes na posição supina pode levar a um leve decréscimo (< 0,5 g/dL) da albumina sérica.
Pacientes sob uso de grandes quantidades de fluidos intravenosos podem apresentar resultados séricos pouco acurados.
A albumina é considerada uma proteína de fase aguda negativa. Por esse motivo, sua solicitação em conjunto com a proteína C reativa
pode ser necessária, a fim de se obter uma interpretação melhor dos resultados.
Seu resultado no líquido pleural, de maneira isolada, apresenta limitada relevância.
Autoria principal: Pedro Serrão Morales (Patologia Clínica e Medicina Laboratorial).
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