' Aldosterona - Urina de 24 horas - Prescrição
Conteúdo copiado com sucesso!

Aldosterona - Urina de 24 horas

Voltar

Definição: É o principal hormônio mineralocorticoide, cuja produção se dá na zona glomerulosa do córtex da glândula adrenal, onde a enzima aldosterona sintetase (CYP11B2) converte a corticosterona em aldosterona.

Sinônimos: ALDO - Urina de 24 horas; Aldosterona urinária (24 horas).

A síntese da aldosterona é regulada pelo sistema renina-angiotensina-aldosterona (SRAA) e pelas concentrações séricas de potássio . Sua secreção é estimulada, majoritariamente, pela angiotensina II e nos estados de hipercalemia, contribuindo também com menor intensidade de estímulo, a angiotensina III e o ACTH.

Em contrapartida, ela é inibida pelo hormônio natriurético atrial, dopamina, somatostatina e heparina.

Seu mecanismo de ação se dá nos túbulos renais distais, onde a aldosterona induz à reabsorção de sódio e água (levando a um aumento do volume intravascular), e à excreção de potássio . Dessa forma, a aldosterona contribui para a manutenção do volume sanguíneo e da pressão arterial.

No hiperaldosteronismo primário, além da hipertensão arterial, são esperadas concentrações altas de sódio e de aldosterona no soro e/ou urina, associadas a baixos níveis plasmáticos de renina e potássio.

Já o hiperaldosteronismo secundário (ex.: depleção de sal, síndrome de Bartter, resposta a doença renovascular, insuficiência cardíaca congestiva etc.) é caracterizado por uma alta atividade da renina plasmática e por elevados níveis de aldosterona no soro e/ou urina.

Existem diversas estratégias e testes de estímulos para a avaliação diagnóstica do hiperaldosteronismo, cada qual com suas indicações e aplicabilidades, utilizadas para o rastreamento, confirmação e diferenciação dos subtipos.

    Rastreamento:
  • Relação aldosterona/atividade da renina plasmática;
  • Dosagem de renina.
    Confirmação:
  • Teste de infusão com solução salina;
  • Teste de sobrecarga oral de sódio;
  • Teste de supressão com Fludrocortisona;
  • Teste do Captopril.
    Diferenciação dos subtipos:
  • Teste de estímulo postural;
  • Teste terapêutico com Espironolactona;
  • Exames de imagem.
    Indicações:
  • Investigação de pacientes hipertensos, com suspeita de hiperaldosteronismo primário;
  • Investigação de hiperaldosteronismo secundário;
  • Avaliação de hipoaldosteronismo.

Como solicitar: Aldosterona - Urina de 24 horas.

  • Orientações ao paciente:
    • O uso de anti-hipertensivos, diuréticos, estrógenos, progestágenos e licorice (erva medicinal) deve ser suspenso, a critério médico, nas 2 semanas anteriores à realização do exame (preferencialmente de 4 a 6 semanas);
    • O paciente deve manter uma dieta de 3 gramas (135 mmol) de sódio/dia por pelo menos 2 semanas (preferencialmente 1 mês), antes da coleta;
    • Se o método utilizado for por radioimunuensaio (RIA), o uso recente de radioisótopos deve ser evitado;
    • Informar outros medicamentos em uso; [cms-watermark]
    • Jejum não necessário;
    • Manter a rotina e hidratação diária habitual, abstendo-se da prática de exercícios físicos;
    • No início do período da colheita, esvaziar a bexiga, desprezando essa micção, e anotar o horário;
    • Após esse procedimento, coletar toda a urina produzida no frasco coletor contendo ácido bórico (conservante) fornecido pelo laboratório clínico;
    • Há a necessidade de manter a urina sob refrigeração (2-8 o C) desde o início da coleta;
    • No fim do período, exatamente na hora em que ele foi iniciado no dia anterior, coletar essa última micção no frasco;
    • Em seguida, levar ao laboratório, que deverá medir e informar no resultado do exame o volume total coletado.
  • Frasco coletor: Deve ser apropriado para a coleta de urina de 24 horas, com Ácido bórico como conservante (Figura 1) ;
  • Material: Urina de 24 horas;
  • Volume recomendável: Não há um volume recomendável preestabelecido para a urina de 24 horas, devendo apenas ser devidamente coletada e armazenada. Aliquotar 15 mL do volume total para a análise.
    • Observação! Hipocalemia, se presente, deverá ser corrigida antes da coleta.
Texto alternativo para a imagem Figura 1. Frasco coletor para urina de 24 horas. Ilustração: Caio Lima.

0 a 30 dias: 0,7 a 11,0 µg/24 horas.

1 a 11 meses: 0,7 a 22,0 µg/24 horas.

> 12 meses: 2,0 a 16,0 µg/24 horas.

    Observações!
  • Os valores de referência da aldosterona urinária podem variar muito entre os laboratórios clínicos e a metodologia utilizada. É necessário consultar o valor de referência aplicado pelo laboratório clínico, bem como o preparo indicado;
  • É indicada a análise concomitante do sódio urinário , já que um paciente com dinâmica normal do sistema renina-angiotensina-aldosterona, sob uma dieta hiperssódica (> 200 mEq/24 horas), deve apresentar uma aldosterona urinária < 10 µg/24 horas (as concentrações da aldosterona e do sódio urinários são inversamente correlacionados).

Se o método utilizado for por radioimunuensaio (RIA), o uso recente de radioisótopos deve ser evitado, devido à possibilidade de interferência analítica.

Interferências não específicas em alguns ensaios automatizados podem ocorrer.

O uso da relação aldosterona sérica (ng/dL)/atividade da renina plasmática (ng/mL/hora) aumenta a acurácia diagnóstica do hiperaldosteronismo primário (ponto de corte > 30), sendo o exame mais recomendado para o screening do hiperaldosteronismo primário.

O uso de alguns anti-hipertensivos e diuréticos pode interferir nas suas concentrações.

    Aumento:
  • Hiperaldosteronismo primário;
  • Hiperaldosteronismo secundário;
  • Hiperaldosteronismo familiar;
  • Tumor secretor de renina;
  • Adenoma produtor de aldosterona;
  • Hipertensão renovascular (estenose de artéria renal);
  • Síndrome de Bartter;
  • Insuficiência cardíaca congestiva;
  • Cirrose;
  • Síndrome nefrótica;
  • Síndrome de Gitelman;
  • Hiperaldosteronismo supressivo por Dexametasona;
  • Drogas (diuréticos). [cms-watermark]
    Diminuição:
  • Doença de Addison;
  • Síndrome de Liddle;
  • Síndrome de Cushing;
  • Síndrome de excesso aparente de mineralocorticoide;
  • Hipoaldosteronismo isolado;
  • Hipoaldosteronismo hiporreninêmico;
  • Heparina;
  • Dopamina. [cms-watermark]

Autoria principal: Pedro Serrão Morales (Patologia Clínica e Medicina Laboratorial).

Aralica M, Šupak-Smolčić V, Honović L, et al. Laboratory medicine in arterial hypertension. Biochem Med (Zagreb). 2023; 33(1):010501.

Jacobs DS, DeMott WR, Oxley DK, eds. Jacobs & DeMott Laboratory Test Handbook With Key Word Index. 5th ed. Hudson: Lexi-Comp Inc., 2001.

Kakiki M, Morohashi K, Nomura M, et al. Expression of aldosterone synthase cytochrome P450 (P450aldo) mRNA in rat adrenal glomerulosa cells by angiotensin II type 1 receptor. Endocr Res. 1997; 23(4):277-295.

Kanaan S. Laboratório com interpretações clínicas. 1a ed. Rio de Janeiro: Atheneu, 2019.

Kifor I, Moore TJ, Fallo F, et al. Potassium-stimulated angiotensin release from superfused adrenal capsules and enzymatically dispersed cells of the zona glomerulosa. Endocrinology. 1991; 129(2):823-831.

McPherson RA, Pincus MR, eds. Henry's Clinical Diagnosis and Management by Laboratory Methods. 23rd ed. St. Louis: Elsevier, 2017.

Mulatero P, Bertello C, Veglio F, et al. Approach to the Patient on Antihypertensive Therapy: Screen for Primary Aldosteronism. J Clin Endocrinol Metab. 2022; 107(11):3175-3181.

Perschel FH, Schemer R, Seiler L, et al. Rapid screening test for primary hyperaldosteronism: ratio of plasma aldosterone to renin concentration determined by fully automated chemiluminescence immunoassays. Clin Chem. 2004; 50(9):1650-1655.

Young WF Jr. Primary aldosteronism: a common and curable form of hypertension. Cardiol Rev. 1999; 7(4):207-214.