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Amilase (Líquido Pleural)

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Definição: É uma enzima que apresenta a função catalítica de hidrolisar glicogênio, maltose, dextrinas e amido em açúcares menores e de fácil digestão. Tem origem, predominantemente, pancreática (isoenzima P) e salivar (isoenzima S).

Sinônimos: 1,4-α-D Glucanohidrolase - Líquido Pleural; Amilase - Derrame Pleural; Amilase pleural; Amilase total - Líquido Pleural.

A amilase é uma enzima de baixo peso molecular, sendo a única enzima que apresenta depuração renal (as outras são retiradas pelo sistema reticuloendotelial), atravessando, assim, facilmente o glomérulo.

A análise da amilase no líquido pleural é utilizada, em conjunto com outros marcadores, na avaliação da causa do derrame pleural.

Uma dosagem de amilase no soro deve ser sempre solicitada em conjunto/simultaneamente com a pleural, para fins de comparação entre os valores obtidos (razão entre a amilase no líquido pleural/sérica) e sua posterior interpretação.

A concentração da amilase no líquido pleural é, caracteristicamente, inferior a seu limite superior normal no soro. Desse modo, em linhas gerais, a razão entre a amilase no líquido pleural/sérica é < 1,0.

A investigação adicional da isoforma encontrada (pancreática versus salivar) pode auxiliar na diferenciação entre derrames pleurais de causas relacionadas com pancreatite (caracteristicamente associada a elevação da isoforma pancreática) das relacionadas com ruptura esofagiana e malignidades (aumento da isoforma salivar, via de regra).

A amilase também pode ser determinada em outros materiais biológicos, por exemplo, no soro, na urina e no líquido ascítico.

    Indicações:
  • Auxiliar na investigação e no diagnóstico dos derrames pleurais associados a pancreatite (com ou sem formação de pseudocistos), fístula pleuropancreática, fístula gastropleural, perfuração/ruptura de esôfago, malignidades (especialmente nos adenocarcinomas de pulmão e ovário) e cirrose hepática.

Como solicitar: Amilase - Líquido Pleural.

  • Orientações ao paciente: Não é necessário preparo específico;
  • Para a coleta da amilase do líquido pleural: Utilizando uma seringa heparinizada, coletar a amostra e transferi-la para um tubo seco estéril, sem conservantes. Centrifugar o material e separar o sobrenadante dos elementos celulares imediatamente em um outro tubo, mantendo a amostra sob refrigeração (2-8 o C);
  • Para coleta da amilase sérica: Tubo para soro (tampa vermelha/amarela) ou plasma heparinizado (tampa verde). Aguardar a devida retração do coágulo, centrifugar o tubo por 15 minutos e manter a amostra sob refrigeração (2-8 o C);
  • Material: Líquido pleural;
  • Volume recomendável: 1,0 mL;
    • Observação! Como, geralmente, há a solicitação de outros exames em conjunto no líquido pleural, recomenda-se uma quantidade total de 50 mL, fracionados em tubos e frascos apropriados.
Texto alternativo para a imagem Figura 1. Tubo para soro - tampa branca. Ilustração: Caio Lima
  • 20-104 unidades/L;
  • Razão amilase pleural/sérica:
    • Normal: < 1,0;
    • Causas não pancreáticas: > 4,8 (+/- 1,3);
    • Causas pancreáticas: > 18,0 (+/- 6,3).

Observação! Os valores de referência para a amilase no líquido pleural podem variar de acordo com o laboratório clínico e a metodologia utilizada.

Contaminação com oxalato ou citrato pode falsamente diminuir os valores obtidos.

Amostras lipêmicas podem conter certos inibidores que podem reduzir falsamente os resultados.

Embora raramente, as gamopatias monoclonais, notadamente por IgM (macroglobulinemia de Waldenstrom), podem levar a resultados espúrios.

  • Aumento: P ancreatites (com ou sem formação de pseudocistos); fístula pleuropancreática; fístula gastropleural; perfuração/ruptura de esôfago; tumores (especialmente os adenocarcinomas de pulmão e de ovário); cirrose hepática;
  • Diminuição: Não se aplica.

Autoria principal: Pedro Serrão Morales (Patologia Clínica e Medicina Laboratorial).

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