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Amilase

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Definição: É uma enzima que apresenta função catalítica de hidrolisar glicogênio, maltose, dextrinas e amido em açúcares menores e de fácil digestão. Possui origem, predominantemente, pancreática (isoenzima P) e salivar (isoenzima S).

Sinônimos: 1,4-α-D glucanohidrolase; Amilasemia; Amilase sérica; Amilase - Sangue; Amilase total.

As amilases pancreática e salivar são enzimas intimamente relacionadas, mas possuem variações órgão-específicas. Embora a fração pancreática seja a forma que possua maior interesse clínico, a fração salivar é responsável por cerca de 60% da atividade sérica.

Ela possui menor sensibilidade e especificidade do que a lipase para o diagnóstico de pancreatite aguda, porém ambas são úteis e suas dosagens são utilizadas em conjunto para investigação de pacientes com dor abdominal.

Suas concentrações aumentam entre 2 e 12 horas, com pico em 24 horas, retornando aos níveis basais em 48-72 horas, após uma injúria pancreática aguda. Já os níveis da lipase persistem alterados por mais tempo, elevando-se nas primeiras 12 horas do início dos sintomas, permanecendo aumentados por cerca de 7-10 dias.

Ela possui baixo peso molecular, sendo a única enzima que apresenta depuração renal (as outras são retiradas pelo sistema reticuloendotelial), atravessando assim facilmente o glomérulo.

A macroamilasemia é uma condição adquirida e benigna, formada por um complexo circulante de amilase normal ligada, geralmente, a uma imunoglobulina. É caracterizada por níveis de amilase persistentemente aumentados, sem sintomas clínicos aparentes de afecções pancreáticas, não sendo por si só considerada uma entidade patológica.

A relação da depuração da amilase/depuração da creatinina é importante nesses casos, sendo seu valor de referência entre 1-4%. Uma razão depuração amilase/creatinina baixa (< 1%) é sugestiva de macroamilasemia, enquanto proporções > 4% indicam pancreatite aguda.

A amilase também pode ser determinada em outros materiais biológicos, como, por exemplo, na urina , no líquido pleural e no líquido ascítico.

    Indicações:
  • Avaliação de pacientes com dor abdominal;
  • Diagnóstico e acompanhamento de pancreatite aguda e crônica, alcoólica ou não alcoólica, além de outras desordens pancreáticas;
  • Auxiliar na avaliação da função pancreática;
  • Avaliação de quadros inflamatórios das glândulas salivares.

Como solicitar: Amilase.

  • Orientações ao paciente: Jejum de 2 horas. Não ingerir bebidas alcoólicas nas 24 horas que antecedem a coleta;
  • Tubo para soro (tampa vermelha/amarela) ou plasma heparinizado (tampa verde). Aguardar a devida retração do coágulo, centrifugar o tubo por 15 minutos e manter a amostra sob refrigeração (2-8 o C);
  • Material: Sangue;
  • Volume recomendável: 1,0 mL.
Texto alternativo para a imagem Figura 1. Tubo para soro - tampa vermelha. Ilustração: Caio Lima.


Texto alternativo para a imagem Figura 2. Tubo para soro - tampa amarela. Ilustração: Caio Lima.

Adultos: 20-300 U/L.

  • Observação! Os valores de referência da amilase podem variar de acordo com o laboratório clínico e a metodologia utilizada.
  • Observação! Recém-nascidos e crianças até 2 anos possuem níveis muito reduzidos de amilase, sendo a maior parte dessa atividade pela isoforma salivar (isoenzima S).

Amostras de plasma anticoagulado com citrato e oxalato podem produzir resultados falsamente diminuídos.

A contaminação da amostra com saliva (conteúdo de amilase é 700x maior àquela do soro) pode elevar os resultados.

Hemólise e lipemia podem interferir em alguns tipos de ensaios.

A amilase possui menor sensibilidade e especificidade do que a lipase para o diagnóstico de pancreatite aguda, porém ambas são úteis e suas dosagens são utilizadas em conjunto para investigação de pacientes com dor abdominal.

A magnitude da elevação não se correlaciona diretamente com o grau de acometimento pancreático.

Um nível sérico dentro dos valores de referência não afasta o diagnóstico de pancreatite aguda, principalmente, mas não exclusivamente, em pacientes que apresentam alterações do metabolismo lipídico.

Em linhas gerais, os testes determinam a atividade total da amilase sérica (pancreática + salivar). Entretanto, existem técnicas que detectam apenas a amilase pancreática. Para encontrar a concentração da amilase salivar e descartá-la como causa de elevação da amilase sérica, subtrair a amilase sérica total pela amilase pancreática.

Por ser produzida em diferentes órgãos, a amilase não é um indicador específico da função pancreática.

    Aumento:
  • Pancreatite aguda e crônica, alcoólica ou não alcoólica;
  • Pseudocisto pancreático;
  • Abscesso pancreático;
  • Pancreatite traumática, incluindo manobras de investigação;
  • Trauma abdominal;
  • Pós-operatório de cirurgia abdominal;
  • Alcoolismo agudo;
  • Afecções das glândulas salivares (ex.: parotidite, doença calculosa);
  • Caxumba;
  • Úlcera péptica;
  • Obstrução ou infarto intestinal;
  • Doenças do trato biliar (ex.: colecistite, cólica biliar);
  • Cirrose hepática;
  • Aneurisma de aorta;
  • Peritonite;
  • Apendicite;
  • Queimaduras;
  • Traumatismo cranioencefálico (TCE);
  • Queimaduras;
  • Cetoacidose diabética;
  • Carcinomas extrapancreáticos;
  • Carcinoma pancreático;
  • Gravidez/gravidez ectópica;
  • Macroamilasemia;
  • Abscesso tubo-ovariano;
  • Insuficiência renal crônica (IRC);
  • Transplante renal;
  • Drogas (ex.: Codeína, Meperidina, Morfina, Hidrocortisona, Isoniazida, Penicilamina, Hidantoína, Sulfametoxazol, Ácido valproico, Cisplatina, Hidroclorotiazida, Heroína).
    Diminuição:
  • Fibrose cística;
  • Dano hepático;
  • Toxemia gravídica;
  • Câncer pancreático.

Autoria principal: Pedro Serrão Morales (Patologia Clínica e Medicina Laboratorial).

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