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Biópsia de Medula Óssea

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Definição: C oleta de fragmento ósseo que preserva a estrutura da medula óssea.

Sinônimos: Biópsia de medula; biópsia de MO; biópsia medular.

  • Biópsia de medula;
  • Biópsia de MO.

O estudo das células na medula óssea é o exame padrão-ouro para o diagnóstico de diversas doenças hematológicas, principalmente neoplásicas.

A medula óssea deve ser estudada quando a história clínica e os exames complementares (particularmente hemograma e hematoscopia de sangue periférico) indicarem a possibilidade de doença hematológica.

A biópsia é superior ao aspirado na avaliação da celularidade; já a morfologia celular é mais bem estudada pelo aspirado. Dessa forma, na suspeita de doenças infiltrativas, recomenda-se a realização de biópsia para diagnóstico diferencial. Muitas vezes são realizados os dois procedimentos. No entanto, o aspirado é suficiente em algumas situações (ex.: diagnóstico de leucemia aguda e avaliação de resposta ao tratamento).

  • Não há necessidade de avaliação "pré-cirúrgica";
  • Não há necessidade de jejum para a realização do exame;
  • Recomenda-se suspensão de anticoagulantes ou antiagregantes plaquetários, caso não haja contraindicação absoluta, para reduzir o risco de sangramento anormal e formação de hematoma no local.
  • Exame rápido, realizado à beira do leito;
  • Necessita de profissional gabaritado para sua realização;
  • Baixo risco de complicações (ex.: reação ao anestésico local, hemorragia, infecção local);
  • Principal desvantagem: Desconforto causado ao paciente (durante ou depois do procedimento) – adultos com maior sensibilidade dolorosa, e crianças podem necessitar anestesia geral para a realização do exame (nesses casos, o procedimento deve ser feito com paciente monitorizado , em local com equipamentos e equipe treinada, pelo risco de depressão respiratória e instabilidade hemodinâmica);
  • As características do procedimento devem ser discutidas com o paciente (ou algum responsável) antes da sua execução, esclarecendo-se possíveis dúvidas. Recomenda-se que o paciente (ou seu responsável) assine um termo de consentimento para biópsia de medula óssea.
  • A crista ilíaca posterior é o local de preferência para a obtenção de material para estudo de medula óssea. Em adultos, crista ilíaca anterior também pode ser acessada;
  • O paciente é colocado em decúbito lateral (esquerdo ou direito), com os joelhos flexionados na direção do abdome;
  • Após assepsia, faz-se a anestesia local (pele, tecido subcutâneo e periósteo) com Lidocaína a 1%. Uma adequada anestesia é fundamental para minimizar a dor do paciente, mas deve-se evitar a administração de mais de 20 mL de Lidocaína em adultos;
  • Cerca de 3-5 minutos após a anestesia, a agulha de biópsia deve ser inserida com leve movimento de torção até que atinja o córtex do osso. Deve-se introduzir mais a agulha a fim de alcançar a cavidade medular. Quando a agulha estiver bem firme, o mandril é retirado, e a agulha vai sendo introduzida lentamente;
  • Durante a introdução, o paciente pode sentir uma dor tipo pressão. Ele deve ser alertado sobre isso para que permaneça calmo (consistente de que tal sensação é normal e transitória) e imóvel;
  • Para estimativa do tamanho do fragmento ósseo, utiliza-se o obturador, que é introduzido na agulha (no local do mandril) e, de acordo com a marcação contida nele, o médico é capaz de estimar seu tamanho. Algumas agulhas de biópsia de medula óssea também apresentam marcações, facilitando essa estimativa;
  • Estando a agulha suficientemente penetrada no osso, ela é rodada várias vezes para a obtenção do fragmento ósseo. Algumas agulhas de biópsia de medula óssea vêm com uma cânula (“calha”, "extrator") que facilita a separação do fragmento, diminuindo o tempo do procedimento e o risco de insucesso (nesses casos, a cânula é introduzida na agulha logo após a retirada do mandril);
  • Quando a agulha estiver mais “solta”, ela é retirada, e um curativo é feito no local. Recomenda-se uma pressão no local por, no mínimo, cinco minutos antes da confecção do curativo; se houver disfunção plaquetária (quantitativa ou qualitativa), o tempo de pressão deve ser de, pelo menos, 10-15 minutos;
  • O fragmento ósseo dentro da agulha é retirado com o auxílio do obturador (equipamento usado para estimar o tamanho do fragmento durante o procedimento), sendo depositado em frasco contendo Formol;
  • Quando realizada em conjunto com o aspirado, recomenda-se que a biópsia seja feita primeiro (ou em local diferente do aspirado) para evitar distorção da arquitetura medular.

Em pacientes obesos, o acesso à crista ilíaca é dificultado. Há agulhas de biópsia de medula óssea maiores para essas situações. Mesmo assim, a palpação e a anestesia do local são prejudicadas.

  • Não há nenhuma restrição após o procedimento. O paciente pode deambular, alimentar-se e fazer uso de medicações de uso regular (podendo retornar o uso de anticoagulantes ou antiagregantes plaquetários);
  • Em caso de dor no local, analgésicos comuns costumam ser suficientes para alívio sintomático;
  • Orientar o paciente a manter o curativo seco pelo maior tempo possível. Após o banho, pode-se retirar o esparadrapo e a gaze. Se o paciente preferir, pode colocar um curativo adesivo no local (tipo Band-aid ® ).

Autoria principal: Lívia Pessôa de Sant'Anna Coelho (Clínica Médica e Hematologia).

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