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Broncoscopia

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Definição: Método de exame endoscópico minimamente invasivo por meio do qual se avalia a patência das vias respiratórias, com exame da mucosa, análise de alterações anatomofuncionais, coleta de material e se realizam intervenções terapêuticas e diagnósticas.

Sinônimo: E ndoscopia respiratória.

A broncoscopia é um método de exame endoscópico realizado por meio de um broncoscópio e pode ser de diferentes tipos.

    Broncoscópio flexível: Por meio de uma óptica flexível, o broncoscópio alcança os brônquios distais e realiza movimentos de flexão e extensão. Os subtipos desse instrumento são: [cms-watermark]
  • Broncoscópio flexível de luz branca: é o equipamento tradicional;
  • Broncoscópio flexível com ultrassom: a presenta um probe de ultrassom na ponta junto com a óptica;
  • Broncoscópio flexível ultrafino: a presenta diâmetro < 2,8 mm;
  • Broncoscópio flexível de navegação: a liado à imagem de tomografia computadorizada. Por meio da navegação eletromagnética é possível localizar lesões mais distais, possibilitando a biópsia;
  • Broncoscópio flexível fluorescente: identifica tecidos neovascularizados p or meio de luz fluorescente.

Broncoscópio rígido: Mediante um tubo de metal rígido é inserido um broncoscópio. Esse procedimento é realizado sob anestesia geral e, normalmente, indicado para hemoptises maciças e desobstrução de via respiratória. Só consegue alcançar as vias respiratórias mais centrais.

Broncoscopia robótica: Por intermédio de um cateter conduzido por tecnologia robótica, é possível introduzir e navegar até regiões mais distais, possibilitando a biópsia de lesões mais periféricas. A navegação é feita com visualização direta e por computação.

Broncoscopia virtual: R econstrução por meio de imagens tomográficas da árvore brônquica.

A broncoscopia flexível tem papel diagnóstico em variadas situações clínicas.

    Técnicas de broncoscopia diagnóstica:
  • Escovado brônquico: p or meio de uma escova inserida no canal de trabalho do broncoscópio flexível, coleta-se o material endobrônquico, que é enviado para análise citológica e cultura;
  • Lavado bronquioloalveolar: [cms-watermark]
    • A partir da instilação de solução fisiológica (SF) a 0,9%, coleta-se o material endobrônquico; [cms-watermark]
    • O local da lavagem depende da localização da lesão;
    • Instila-se, em média, de 100 a 240 mL de SF e aspira-se de volta, em média, metade do volume aplicado;
    • O material aspirado é enviado para cultura e análise citológica, podendo ser realizada citometria de fluxo para avaliação do padrão de células inflamatórias (neutrófilos, eosinófilos, linfócitos e relação CD4/CD8, CD1);
    • É importante frisar que a sucção do líquido não pode produzir colabamento das vias respiratórias distais, pois o resultado será lavado brônquico, e não bronquioloalveolar;
  • Biópsia transbrônquica:
    • A partir da localização da lesão, seja por navegação com radioscopia ou eletromagnética, é realizada sua biópsia; [cms-watermark]
    • Pode-se utilizar o ultrassom radial para auxiliar na localização da lesão;
    • O ideal é haver patologista na sala para verificar a eficiência da biópsia, uma vez que se está realizando o procedimento orientado e não guiado. Isto é, a lesão não está sob visualização direta, e sua localização é estimada a partir de exames de imagem ou de métodos para guiar a punção (ultrassom radial, radioscopia);
  • Biópsia endobrônquica: a partir da visualização direta da lesão endobrônquica é realizada a biópsia da lesão com pinça;
  • Aspiração transbrônquica por agulha: a partir de marcos anatômicos, pode-se realizar a biópsia de linfonodos mediastinais com a agulha de Wang. Com o broncoscópio associado ao ultrassom, é possível visualizar as cadeias linfonodais e realizar a punção transbrônquica guiada, utilizando a agulha específica para esse procedimento;
  • Criobiópsia: a partir do probe com crioterapia, é possível realizar biópsia do parênquima pulmonar (via transbrônquica) ou de lesão endobônquica.

A broncoscopia flexível, por meio de técnicas associadas, também tem o papel terapêutico, sendo capaz de interromper sangramento ou desobstruir vias respiratórias.

    Técnicas de intervenção terapêutica na broncoscopia flexível:
  • Dilatação com balão;
  • Plasma de argônio;
  • Laserterapia;
  • Crioterapia;
  • Terapia fotodinâmica;
  • Eletrocautério;
  • Braquiterapia;
  • Colocação de stent ou prótese;
  • Inserção de endovávula;
  • Termoplastia endobrônquica.

O ideal é encaminhar o paciente ao pneumologista broncoscopista para uma avaliação pré-procedimento.

As indicações são classificadas em: diagnóstica e terapêutica .

    Indicação diagnóstica:
  • Avaliação de infiltrado pulmonar de etiologia desconhecida;
  • Diagnóstico de lesões pulmonares suspeitas, massas e nódulos;
  • Avaliação de atelectasia persistente;
  • Análise de hemoptise a esclarecer;
  • Avaliação de linfadenomegalia mediastinal e hilar;
  • Investigação de estridor;
  • Avaliação de traqueomalacia;
  • Acompanhamento pós-transplante;
  • Avaliação após inalação de fumaça tóxica;
  • Estudo de fístula traqueoesofágica e broncopleural.
    Indicação terapêutica:
  • Abordagem de via respiratória difícil;
  • Desobstrução de vias respiratórias com aspiração de secreção;
  • Remoção de corpo estranho;
  • Desobstrução de lesões endobrônquicas sólidas com: crioterapia, eletrocautério, plasma de argônio e fototerapia dinâmica;
  • Dilatação de estenoses.

A broncoscopia é um procedimento minimamente invasivo com baixa taxa de complicação, entretanto há risco de hipoxemia, sangramento e broncospasmo. Diante disso, é fundamental avaliar o risco / benefício de submeter o paciente a esse procedimento.

Considerar métodos menos invasivos, como escarro, escarro induzido, biópsia percutânea, entre outras opções. [cms-watermark]

    Principais contraindicações:
  • Hipoxemia refratária;
  • Risco cardiovascular elevado e instabilidade hemodinâmica;
  • Hipertensão pulmonar grave;
  • Broncospasmo refratário;
  • Uso de anticoagulante (para biópsia);
  • Uso de antiagregante ou plaquetopenia < 50 mm/mm 3 (para biópsia).

O paciente com indicação de broncoscopia deve ser avaliado para ser preparado para o exame.

Visto ser um procedimento seguro e com baixa taxa de complicações, pacientes sem fatores de risco ou contraindicações não precisam de exames específicos para a realização da broncoscopia. É necessário apenas os exames de imagem, a fim de localizar a lesão e planejar o procedimento.

São necessárias 6 horas de jejum, sendo orientado aos pacientes a suspensão de hipoglicemiantes na manhã do exame. Se forem usuários de antiagregantes e anticoagulantes, esse manejo deve ser planejado considerando-se essa informação, sendo o ideal a suspensão dessas medicações.

Para paciente com obstrução de vias respiratórias / massas torácicas com alto risco de obstrução da via respiratória superior, deve haver um planejamento anestésico, pois é necessária a realização de anestesia geral em vez da sedação.

O procedimento é feito com anestesia tópica com lidocaína, sem vasoconstritor, e sedação venosa. Em alguns casos de broncoscopia intervencionista, exames com maior complexidade ou risco mais elevado de sangramento e hipoxemia, recomenda-se a realização de anestesia geral com a abordagem de via respiratória.

O broncoscopista posiciona-se na cabeceira do paciente e introduz o aparelho broncoscópico pelo nariz ou pela boca.

Inicialmente se visualizam a epiglote e as cordas vocais, a seguir insere-se mais profundamente o aparelho, descendo-o pela traqueia e visualizando-se a carina principal. As árvores brônquicas direita e esquerda e seus subsegmentos são evidenciadas pela rotação do aparelho e pela flexão da ponta do broncoscópio.

    A broncoscopia é um método minimamente invasivo com poucas complicações. Os percentuais de complicação dependerão da modalidade que será executada:
  • Se for realizado apenas um lavado, a principal complicação é a hipoxemia, podendo ocorrer também broncospasmo;
  • Se for realizada biópsia, o risco é de sangramento de via respiratória.

A broncoscopia consegue avaliar lesões mais centrais, não sendo capaz de analisar alterações mais periféricas, mesmo com o uso de radioscopia e ultrassom radial.

Após o exame, podem ocorrer tosse com raias de sangue e febre, não sendo necessariamente indicativo de abordagem ou início de antibiótico.

A dieta está autorizada a partir do momento que o paciente se recupere da sedação.

As medicações de uso oral devem ser retomadas junto com o retorno à dieta. O antiagregante e o anticoagulante podem ser reiniciados no dia seguinte ao procedimento.

Autoria principal: Bruna C. Provenzano (Clínica Médica, Terapia Intensiva e Pneumologia).

    Equipe adjunta:
  • Fernanda Oliveira (Clínica Médica e Pneumologia).

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