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Definição: Os anticorpos antineutrófilos citoplasmáticos (ANCA) são autoanticorpos circulantes direcionados contra uma série de antígenos (proteínas) citoplasmáticos de neutrófilos e monócitos.
Sinônimos: ANCA citoplasmático; ANCA-C; c-ANCA; Anti C-ANCA; C-ANCA sérico; C-ANCA - Sangue.
Classicamente, ao se acrescentar o soro do paciente utilizando como suporte leucócitos fixados em lâmina, ocorre uma reação antígeno-anticorpo, com um posterior deslocamento desse complexo observado por técnicas de imunofluorescência indireta (IFI).
Desse modo, podem ser identificados basicamente dois tipos de padrões de imunofluorescência, de acordo com o deslocamento e a visualização do complexo antígeno-anticorpo, que refletem diferentes especificidades antigênicas: o padrão perinuclear (P-ANCA)
e o citoplasmático (C-ANCA).
O padrão de fluorescência citoplasmático (C-ANCA) está relacionado, geralmente, com o antígeno proteinase 3 (PR3)
,que é uma protease serínica. Sua reatividade está associada a alguns tipos de vasculites e doenças autoimunes.
O C-ANCA é mais sensível e específico para o diagnóstico de granulomatose com poliangiíte (GPA)
- anteriormente denominada granulomatose de Wegener - do que o P-ANCA
. Esses são, usualmente, solicitados em conjunto.
Em indivíduos portadores de granulomatose com poliangiíte
, sua sensibilidade e especificidade são superiores a 98%. Já nos casos de doença branda ou de apresentação atípica, a sensibilidade é reduzida para cerca de 60-70%.
Observação! Metodologias por imunoensaios (ex.: ELISA - enzyme-linked immunosorbent assay ), que utilizam antígenos específicos purificados de alta qualidade, são largamente utilizadas para a determinação de anticorpos PR3 e MPO ,sendo mais acurados que o ANCA por IFI. Desse modo, atualmente, esses testes são considerados os de escolha para a triagem diagnóstica;
Observação!
Caso o primeiro imunoensaio apresente resultado negativo, mas a suspeita clínica ainda permaneça elevada, a solicitação do ANCA pela metodologia de IFI e/ou dos anticorpos (anti-PR3
e anti-MPO
) por outro imunoensaio é recomendado.
Como solicitar:
C-ANCA.
Figura 1.
Tubo para soro - tampa vermelha.
Ilustração:
Caio Lima
Figura 2.
Tubo para soro - tampa amarela.
Ilustração:
Caio Lima
Não reagente.
Amostras acentuadamente hemolisadas, lipêmicas e/ou com contaminação bacteriana podem prejudicar sua determinação.
Resultados falso-positivos para C-ANCA foram reportados em uma série de casos de infecções (ex.: tuberculose, HIV) e neoplasias (ex.: mieloma múltiplo, linfoma de Hodgkin), assim como na presença do fator de permeabilidade bacteriana.
Amostras tratadas termicamente podem ocasionar resultados falso-positivos.
Seus títulos não se correlacionam com a severidade da doença e podem permanecer positivos mesmo após a remissão.
Sua utilização para o acompanhamento da atividade de doença na granulomatose com poliangiíte
é controversa.
Até 2% dos indivíduos saudáveis podem apresentar reatividade para o C-ANCA.
Os testes para ANCA carecem de padronização, o que faz com que a acurácia dos kits diagnósticos possa variar entre os laboratórios clínicos.
Embora o padrão de fluorescência citoplasmático (C-ANCA) seja fortemente associado ao antígeno proteinase 3 (PR3), o antígeno mieloperoxidase (MPO)
, em alguns casos, também pode apresentar esse padrão.
A IFI é uma metodologia examinador-dependente e, dessa forma, os resultados podem variar de acordo com a experiência do profissional do laboratório.
Metodologias por imunoensaios (ex.: ELISA -
enzyme-linked immunosorbent assay
), que utilizam antígenos específicos purificados de alta qualidade, são largamente utilizadas para a determinação de anticorpos PR3
e MPO
, sendo mais acurados que o ANCA por IFI. Desse modo, atualmente, esses testes são considerados os de escolha para a triagem diagnóstica.
Não reagente: Indivíduos saudáveis.
Autoria principal: Pedro Serrão Morales (Patologia Clínica e Medicina Laboratorial).
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