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Definição: É uma glicoproteína, produto do gene MUC1 (assim como o CA 15-3 ), que corresponde a determinadas sequências de mucinas, chamadas de mucinas epiteliais polimórficas (sigla em inglês: PEMs ). O CA 27.29 representa uma sequência de mucinas da região extracelular dessa glicoproteína.
Sinônimos: Antígeno de Câncer 27.29; Antígeno CA 27.29; Câncer Ag 27.29; Antígeno Carboidrato 27.29; CA 27.29; CA 2729; CA 27-29; CA 27.29 - Sangue; CA 27.29 sérico.
Essas mucinas epiteliais polimórficas são expressas em excesso na superfície de células glandulares malignas. Daí vem sua utilidade como marcador tumoral, já que suas concentrações podem elevar-se nos adenocarcinomas, notadamente os associados à mama.
O CA 27.29, ao lado do CA 15-3, é um dos marcadores mais sensíveis e específicos para o monitoramento do curso clínico e do tratamento em pacientes com câncer de mama metastático.
Para a detecção de recorrência do câncer de mama estágios II e III, tem sensibilidade de 57,7%, especificidade de 97,9%, valor preditivo positivo (VPP) de 83,3% e valor preditivo negativo (VPN) de 92,6%.
Concentrações mais altas do CA 27.29 estão associadas a estadiamentos mais avançados do câncer de mama, podendo também predizer desfechos adversos.
Nas doenças metastáticas, uma elevação > 20-30% dos níveis séricos em exames seriados é considerada clinicamente significativa e, associada ao exame físico, pode indicar falha terapêutica.
Para melhor interpretação dos resultados, seus níveis devem ser sempre avaliados em conjunto com história clínica, exame físico e resultados de outros exames complementares.
Como solicitar:
CA 27.29.
Figura 1.
Tubo para soro - tampa vermelha.
Ilustração:
Caio Lima
Figura 2.
Tubo para soro - tampa amarela.
Ilustração:
Caio Lima
A presença de anticorpos heterófilos na amostra pode interferir nos resultados.
Os resultados obtidos entre os diferentes
kits
diagnósticos, métodos e laboratórios clínicos podem não ser comparáveis entre si, existindo uma falta de padronização dos testes.
Caso haja mudança de metodologia/
kit
diagnóstico, os pacientes em acompanhamento seriado deverão ter seus valores de base redefinidos.
Seus valores podem aumentar, transitoriamente, durante o início do tratamento, sem, contudo, indicar falha da terapia.
Amostras acentuadamente hemolisadas podem prejudicar sua determinação.
Os resultados não devem ser interpretados como evidência absoluta da presença ou ausência de doença.
Níveis aumentados podem ser encontrados em pacientes saudáveis, doenças benignas e vários outros tipos de neoplasias.
Até o momento, os dados disponíveis são insuficientes para se recomendar, de rotina, o uso desse marcador tumoral para triagem, seguimento e avaliação de recidiva do câncer de mama.
Sugere-se, a critério médico, a suspensão do uso de Biotina (vitamina B7) nas 72 horas que antecedem a coleta, pela possibilidade de interferência analítica em alguns ensaios.
A interpretação de um único resultado tem baixo valor clínico/diagnóstico. Testes seriados são, de maneira geral, mais úteis que um resultado isolado.
Seus níveis devem ser sempre avaliados em conjunto com história clínica, exame físico e com resultados de outros exames complementares.
Autoria principal: Pedro Serrão Morales (Patologia Clínica e Medicina Laboratorial).
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