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Calprotectina Fecal

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Definição: É uma proteína ligadora de cálcio e zinco, membro da família de proteínas S100. A calprotectina está presente, principalmente, nos grânulos citoplasmáticos dos granulócitos, com atividade imunomoduladora e antimicrobiana.

Sinônimo: Calprotectina; fezes.

Quando o intestino é exposto a algum processo inflamatório, verifica-se uma migração de neutrófilos da parede intestinal para a mucosa. Assim que esses neutrófilos são ativados, ocorre a liberação de algumas proteínas intracelulares, dentre elas a calprotectina.

Sua quantidade nas fezes aumenta, de maneira proporcional, ao nível de inflamação intestinal, apresentando assim uma boa correlação entre os achados endoscópicos e histopatológicos. Dessa forma, ela é considerada um marcador indireto do estado inflamatório intestinal.

Ao passo que, nas doenças inflamatórias intestinais (DII), seus níveis encontram-se elevados, nas doenças funcionais, como na síndrome do intestino irritável (SII), elas cursam com concentrações normais de calprotectina.

Sua determinação no sangue, embora menos disponível comercialmente, também pode ser realizada (a concentração nas fezes é cerca de 6 vezes maior do que a sérica). [cms-watermark]

    Indicações:
  • Auxíliar o diagnóstico diferencial de doença inflamatória intestinal (DII) e síndrome do intestino irritável (SII);
  • Avaliação e monitoramento de atividade inflamatória das DIIs, bem como na detecção de recidivas;
  • Auxiliar na tomada de decisão quanto à necessidade de investigação/procedimentos adicionais (ex.: colonoscopia, histopatologia, imagem).

Como solicitar: Calprotectina fecal.

  • Orientações ao paciente: Não é necessário nenhum preparo específico. Informar medicações em uso. A critério médico, o uso de laxantes ou de contrates radiológicos deve ser evitado nas 72 horas anteriores à coleta;
  • Defecar diretamente em um frasco próprio, sem conservantes, fornecido pelo laboratório. A amostra deverá ser armazenada sob refrigeração (2-8°C), até a entrega do material;
  • Material: Fezes recentes frescas;
  • Volume recomendável: Aproximadamente metade do frasco.
  • Negativo: < 50 microgramas/g;
  • Positivo baixo: 50 a 200 microgramas/g;
  • Positivo: > 200 microgramas/g;
    • Observação 1! Valores intermediários, entre 50 a 200 microgramas/g, podem corresponder a elevações transitórias associadas ao uso de: anti-inflamatórios não esteroides (AINEs), inibidores da bomba de próton, DII em remissão, infecções gastrintestinais, dentre outros. Sugere-se, a critério clínico, a repetição do exame em 4-6 semanas;
    • Observação 2! Crianças < 1 ano de idade podem apresentar concentrações elevadas, porém sem explicação definida.
  • Amostras sem refrigeração prejudicam os resultados;
  • Concentrações normais não excluem a possibilidade de doença inflamatória intestinal (DII), bem como níveis elevados não confirmam esse diagnóstico;
  • Resultados alterados podem ser encontrados em pacientes com perda sanguínea, malignidades, doença celíaca e/ou em uso de alguns medicamentos (ex.: AINEs, inibidores da bomba de próton);
  • Falsas reduções podem ser observadas em pacientes neutropênicos;
  • A distribuição da calprotectina pelo material pode não ser homogênea;
  • Seus resultados devem ser interpretados em conjunto com a história clínica, exame físico e outros exames complementares.
    Aumento:
  • Doenças inflamatórias intestinais (doença de Crohn, retocolite ulcerativa);
  • Infecções gastrintestinais;
  • Doença celíaca;
  • Câncer intestinal;
  • Cirrose hepática;
  • Drogas (AINEs, inibidores da bomba de próton).
    Níveis dentro dos limites da normalidade:
  • Síndrome do intestino irritável (SII);
  • Outras doenças funcionais do intestino;
  • Indivíduos saudáveis.

Autoria principal: Pedro Serrão Morales (Patologia Clínica e Medicina Laboratorial).

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