'
Definição: É uma proteína endógena de baixo peso molecular (13,3 kDa), não glicosilada e de carga positiva, codificada pelo gene CST3, sendo um dos 11 membros da superfamília dos inibidores das cisteíno proteases (enzimas proteolíticas).
Sinônimos: Cescitina; CysC; CisC; Cistatina C sérica; Cistatina C - Sangue.
A cistatina C é sintetizada a uma taxa praticamente constante por quase todas as células nucleadas do organismo, sendo encontrada em potencialmente todos os tecidos e fluidos corporais, como o sangue.
Em razão de seu baixo peso molecular e sua carga positiva (ponto isolétrico em pH 9,3), a cistatina C é livremente filtrada pelos glomérulos. É quase que completamente reabsorvida e catabolizada nos túbulos contorcidos proximais, não apresentando secreção renal e/ou extrarrenal.
Tem baixa variabilidade intra e interindividual, sendo pouco impactada pelo gênero, idade (quando > 1 ano), período nictemeral, massa muscular ou dieta/uso de suplementos pelo paciente (ao contrário da creatinina
). Dessa maneira, suas concentrações dependem quase que exclusivamente da taxa de filtração glomerular.
Assim como a creatinina , suas concentrações séricas são inversamente proporcionais à taxa de filtração glomerular (TFG), ou seja, quanto maiores seus níveis, menor é a TFG, e vice-versa.
Em geral, a cistatina C apresenta sensibilidade maior que a creatinina sérica para a avaliação da taxa de filtração glomerular (TFG).
A combinação dos dois marcadores (creatinina
+ cistatina C), na fórmula 2021 CKD-EPIcr+cis, apresenta maior acurácia, performance e correlação com a TFG medida que o uso de cada marcador isolado, em todos os estágios de DRC.
Como solicitar:
Cistatina C.
Figura 1.
Tubo para soro - tampa vermelha
Figura 2.
Tubo para soro - tampa amarela
> 1 ano: 0,63-1,33 mg/L.
Amostras acentuadamente hemolisadas e/ou ictéricas podem interferir em suas dosagens.
Seus níveis podem variar, sem correlação com a alteração da TFG, em pacientes com hipertireoidismo, mieloma múltiplo, cirrose hepática, tumores malignos, altas doses de corticoesteroides, adiposidade, tabagismo, inflamação sistêmica (aumento da concentração) e hipotireoidismo (diminuição da concentração).
Além de apresentar menor disponibilidade comercial, atualmente seu custo ao paciente final pode chegar a ser 10 vezes maior que o da creatinina.
Autoria principal: Pedro Serrão Morales (Patologia Clínica e Medicina Laboratorial).
Kirsztajn GM, Silva Junior GB, Silva AQB, et al. Estimativa da taxa de filtração glomerular na prática clínica: posicionamento consensual da Sociedade Brasileira de Nefrologia (SBN) e Sociedade Brasileira de Patologia Clínica e Medicina Laboratorial (SBPC/ML). Braz. J. Nephrol. 2024; 46(3):e20230193.
Wang Y, Adingwupu OM, Shlipak MG, et al. Discordance Between Creatinine-Based and Cystatin C-Based Estimated GFR: Interpretation According to Performance Compared to Measured GFR. Kidney Med. 2023; 5(10):100710.
Spencer S, Desborough R, Bhandari S. Should Cystatin C eGFR Become Routine Clinical Practice? Biomolecules. 2023; 13(7):1075.
Chen DC, Potok OA, Rifkin D, et al. Advantages, Limitations, and Clinical Considerations in Using Cystatin C to Estimate GFR. Kidney360. 2022; 3(10):1807-14.
Zou LX, Sun L, Nicholas SB, et al. Comparison of bias and accuracy using cystatin C and creatinine in CKD-EPI equations for GFR estimation. Eur J Intern Med. 2020; 80:29-34.
Khalid UB, Haroon ZH, Aamir M, et al. Comparison of Estimated Glomerular Filtration Rate with Both Serum Creatinine and Cystatin C (eGFRcr-cys) versus Single Analyte (eGFRcr or eGFRcys) Using CKD-EPI and MDRD Equations in Tertiary Care Hospital Settings. J Coll Physicians Surg Pak. 2020; 30(7):701-6.
Kanaan S. Laboratório com interpretações clínicas. Rio de Janeiro: Atheneu; 2019.
McPherson RA, Pincus MR. Henry's Clinical Diagnosis and Management by Laboratory Methods. 23rd ed. St. Louis: Elsevier; 2017.
Inker LA, Schmid CH, Tighiouart H, et al. Estimating glomerular filtration rate from serum creatinine and cystatin C. N Engl J Med. 2012; 367(1):20-9.
Gabriel IC, Nishida SK, Kirsztajn GM. Cistatina C sérica: uma alternativa prática para avaliação de função renal? J Bras Nefrol. 2011; 33(2):261-7.
Séronie-Vivien S, Delanaye P, Piéroni L, et al. SFBC "Biology of renal function and renal failure" working group. Cystatin C: current position and future prospects. Clin Chem Lab Med. 2008; 46(12):1664-86.
Prates AB, Amaral FB, Vacaro MZ, et al. Avaliação da Filtração Glomerular Através da Medida da Cistatina C Sérica. Braz. J. Nephrol. 2007; 29(1):48-55.
Jacobs DS, DeMott WR, Oxley DK. Jacobs & DeMott Laboratory Test Handbook With Key Word Index. 5th ed. Hudson: Lexi-Comp Inc.; 2001.
Buehrig CK, Larson TS, Bergert JH, et al. Cystatin C is superior to serum creatinine for the assessment of renal function. J Am Soc Nephrol. 2001; 12:194A.