' Cobre - Sangue - Prescrição
Conteúdo copiado com sucesso!

Cobre - Sangue

Voltar

Definição: É um metal de transição presente em todas as células do organismo, sendo o terceiro elemento-traço mais abundante no corpo humano, atrás do zinco e do ferro.

Sinônimos: Cu; Cobre sérico; Cobre total; Cupremia.

O cobre participa de inúmeros processos bioquímicos, notadamente na utilização celular do oxigênio, replicação dos ácidos nucleicos, manutenção da integridade das membranas celulares e no sequestro de radicais livres, sendo um potente pró-oxidante.

Ele está associado com várias metaloenzimas, sendo que cerca de 65-90% do cobre sérico é encontrado ligado à ceruloplasmina.

Uma vez ingerido pela dieta (ex.: vegetais, carnes, frutos do mar, castanhas), apresenta absorção gástrica e intestinal. No corpo, é encontrado em maiores proporções no fígado e músculos. Apesar de sua excreção ocorrer, principalmente, pelo sistema biliar, alguma quantidade de cobre é eliminada na urina (cerca de 5-15%).

Outros exames complementares que podem ser utilizados para se avaliar o metabolismo do cobre são, por exemplo: cobre sérico livre, ceruloplasmina, cobre na urina de 24 horas, testes genéticos (ex.: mutação no gene ATP7B para a doença de Wilson e no gene ATP7A para a doença de Menkes) e biopsia hepática (a fim de determinar suas concentrações no fígado).

    Indicações:
  • Investigação, seguimento e avaliação do tratamento da doença de Wilson;
  • Útil na avaliação da doença de Menke e em deficiências dietéticas de cobre;
  • Avaliação de excesso/toxicidade ou deficiência do metal;
  • Acompanhamento de pacientes que suplementem zinco ou que estejam em terapia parenteral.

Como solicitar: Cobre sérico.

  • Orientações ao paciente: Não é necessário nenhum preparo específico. O uso de radioisótopos deve ser evitado nas 96 horas que antecedem a coleta do exame;
  • Tubo para traços de elementos (tampa azul-escura): Deverá ser coletado como primeiro tubo da ordem de coleta, se houver outros exames. Utilizar luvas sem talco durante a coleta. Aguardar a devida retração do coágulo, centrifugar a amostra por 15 minutos e transferir, por inversão, o soro para um tubo de transporte livre de metais. Manter o material sob refrigeração (2-8 ºC);
  • Material: sangue;
  • Volume recomendável: 1,0 mL.
Texto alternativo para a imagem Figura 1. Tubo para traços de elementos - tampa azul-escura. Ilustração: Caio Lima.

Homens: 7-140 microgramas/dL (11-22 µmol/L).

Mulheres: 80-155 microgramas/dL (13-24 µmol/L).

  • Observação! Os valores de referência para o cobre podem variar de acordo com a idade, sexo, laboratório clínico e a metodologia utilizada.

Durante a coleta, o contato do sangue com outros metais, alguns tipos de ponteiras de plástico ou vidrarias pode interferir nas dosagens.

As concentrações de cobre sérico têm baixa sensibilidade para o diagnóstico de sua deficiência, somente alterando-se em quadros carenciais severos.

Contaminação com o talco presente em algumas luvas médicas pode interferir nos resultados.

Não existe uma concentração limite, estabelecida na Norma Regulamentardora nº 07 (NR 07), para o acompanhamento de indivíduos expostos ocupacionalmente.

O uso de radioisótopos pode interferir na análise laboratorial. Sua administração deve ser evitada nas 96 horas que antecedem a coleta do exame.

Um aumento de suas concentrações no sangue não indica, por si só, um estado de toxicidade pelo cobre.

Na fase aguda da doença de Wilson, tanto o cobre quanto a ceruloplasmina podem estar dentro dos limites da normalidade.

    Aumento:
  • Exposição ambiental/ocupacional;
  • Ingestão em excesso;
  • Gravidez;
  • Estados inflamatórios/infecciosos;
  • Estresse;
  • Doenças crônicas;
  • Artrite reumatoide;
  • Linfomas;
  • Doença de Hodgkin;
  • Colangite biliar primária;
  • Tireotoxicose;
  • Coreia de Sydenham;
  • Colangite esclerosante primária;
  • Hemocromatose;
  • Drogas (estrógenos, anticoncepcionais orais).
    Diminuição:
  • Doença de Wilson: classicamente cursa com cobre sérico total diminuído, cobre livre aumentado, ceruloplasmina diminuída (< 20 mg/dL), excreção urinária de cobre aumentada (> 100 microgramas/24 horas), concentração de cobre na biopsia hepática > 250 microgramas/g de peso seco;
  • Desnutrição;
  • Hipoproteinemia;
  • Síndrome de má absorção de proteínas (espru);
  • Síndrome nefrótica;
  • Doença de Menkes;
  • Síndrome do corno occipital;
  • Ingestão insuficiente;
  • Drogas (corticoides, corticotropina, altas doses de zinco).

Autoria principal: Pedro Serrão Morales (Patologia Clínica e Medicina Laboratorial).

Jacobs DS, DeMott WR, Oxley DK. Jacobs & DeMott laboratory test handbook with key word index. 5th ed. Hudson: Lexi-Comp Inc., 2001.

Kanaan S. Laboratório com interpretações clínicas. 1a ed. Rio de Janeiro: Atheneu, 2019.

Kumar N. Copper deficiency myelopathy (human swayback). Mayo Clin Proc. 2006; 81(10):1371-1384.

Lucena-Valera A, Ruz-Zafra P, Ampuero J. Wilson's disease: overview. Med Clin (Barc). 2023;160(6):261-267.

McPherson RA, Pincus MR. Henry's clinical diagnosis and management by laboratory methods. 23rd ed. St. Louis: Elsevier; 2017.

Ministério do Trabalho e Emprego (BR). Programa de Controle Médico de Saúde Ocupacional. NR nº 07, de 29 de dezembro de 1994. Brasília: Ministério do Trabalho e Emprego, 1994 (Alterado pela Portaria MTP nº 567, de 10 de março de 2022).

Shribman S, Marjot T, Sharif A, et al. Investigation and management of Wilson's disease: a practical guide from the British Association for the Study of the Liver. Lancet Gastroenterol Hepatol. 2022; 7(6):560-575.

Tanzi RE, Petrukhin K, Chernov I, et al. The Wilson disease gene is a copper transporting ATPase with homology to the Menkes disease gene. Nat Genet. 1993; 5(4):344-350.

Wapnir RA. Copper absorption and bioavailability. Am J Clin Nutr. 1998; 67(5 Suppl):1054S-1060S.

Wiesner RH, LaRusso NF, Ludwig J, et al. Comparison of the clinicopathologic features of primary sclerosing cholangitis and primary biliary cirrhosis. Gastroenterology. 1985; 88(1 Pt 1):108-114.