' Complemento - C4 - Prescrição
Conteúdo copiado com sucesso!

Complemento - C4

Voltar

Definição: O componente C4 do complemento é uma proteína pertencente à imunidade inata, que está envolvida apenas em uma (via clássica) das três vias de ativação do complemento (via clássica, via alternativa e via da lectina ligante de manose).

Sinônimos: Componente C4 do Complemento; C4; Complemento C4; C4 Sérico; Complemento Sérico C4; C4 - Sangue.

O sistema complemento é representado por um grupo de glicoproteínas produzidas, majoritariamente, pelo fígado, que fazem parte da imunidade natural (inata) do organismo.

Ele consiste em um complexo mecanismo de interação de diferentes proteínas séricas em conjunto com proteínas da superfície celular, com a finalidade de auxiliar a defesa do organismo.

Essas glicoproteínas atuam como mediadores inflamatórios (reativos de fase aguda) e imunológicos que modulam a defesa inata do organismo pela identificação, inativação e eliminação de patógenos.

Por meio de uma ativação proteolítica, uma cascata enzimática é desencadeada, produzindo mediadores inflamatórios e opsoninas, que promovem, em última análise, a lise celular de patógenos.

O componente C4 do complemento é uma proteína pertencente à imunidade inata, que está envolvida apenas em uma (via clássica), das três vias de ativação do complemento (via clássica, via alternativa e via da lectina ligante de manose).

A via clássica - cujo desencadeamento, preponderantemente, é realizado por imunocomplexos ligados às células - pode ser avaliada como um todo por meio da análise do complemento sérico total (e seus nove componentes), cuja ordem de ativação é a seguinte: C1, C4, C2, C3, C5, C6, C7, C8, C9.

Rotineiramente o C4 é solicitado em conjunto com o complemento C3, após um resultado de complemento total baixo/indetectável.

A redução concomitante dos valores de C3 e C4 indicam ativação da via clássica do complemento. Valores diminuídos de C3 em conjunto com níveis normais de C4 sugerem ativação da via alternativa do complemento. Níveis indetectáveis de C4 (associados a concentrações normais de C3 ) sugerem deficiência congênita de C4.

Existem basicamente dois tipos de ensaios para a quantificação do complemento: aqueles que estabelecem a atividade funcional e os que determinam a atividade antigênica de suas proteínas, cada qual com as suas vantagens e desvantagens.

Em linhas gerais, os níveis antigênicos refletem de forma acurada a capacidade funcional de um componente. Em raros casos, o componente do complemento está presente, mas de forma não funcional. Nessas situações, os ensaios funcionais são necessários para a detecção dessa deficiência.

    Indicações:
  • Investigação de pacientes com valores baixos/indetectáveis de complemento total;
  • Auxílio diagnóstico de angioedema hereditário (concentrações baixas de C4 em associação a níveis baixos do inibidor de C1 esterase);
  • Avaliação e acompanhamento de uma grande variedade de doenças reumatológicas, infecciosas, dermatológicas, neurológicas, renais e cardiovasculares;
  • Acompanhamento da atividade de algumas doenças, especialmente de lúpus eritematoso sistêmico (LES)/nefrite lúpica, glomerulonefrite membranoproliferativa e artrite reumatoide;
  • Avaliação de pacientes com suspeita de deficiências congênitas do complemento C4.

Como solicitar: Complemento C4 - Sangue.

  • Orientações ao paciente : jejum aconselhável de 4 horas;
  • Tubo para soro (tampa vermelha/amarela). Aguardar a retração do coágulo em temperatura ambiente. Após essa etapa, a amostra deverá ser centrifugada, ter o soro aliquotado e imediatamente resfriado (2 a 8°C);
  • Material : sangue;
  • Volume recomendável : 0,5 mL.

Parágrafo de texto.

Texto alternativo para a imagem Figura 1. Tubo para soro - tampa vermelha - Ilustração: Caio Lima.


Texto alternativo para a imagem Figura 2. Tubo para soro - tampa amarela - Ilustração: Caio Lima.

18 a 51 mg/dL.

    Observações:
  • Os valores de referência para o C4 podem variar de acordo com o Laboratório Clínico e a metodologia utilizada;
  • Resultados não compatíveis com a clínica devem ser repetidos em nova amostra, tendo em vista a possibilidade de inadequações da fase pré-analítica (ex.: coleta, transporte, armazenamento).

Em alguns casos, o resfriamento a 0°C pode ativar o sistema complemento, reduzindo sua atividade.

Dependendo da metodologia, as frações biologicamente ativas e inativas podem ser detectadas, produzindo desfechos inconsistentes.

Os componentes do complemento podem ser degradados, se expostos a altas temperaturas, ocasionando resultados falsamente baixos se não acondicionados corretamente.

Resultados não compatíveis com a clínica devem ser repetidos em uma nova amostra, tendo em vista a possibilidade de inadequações da fase pré-analítica (coleta, armazenamento, transporte).

Os componentes do complemento podem se comportar como reativos de fase aguda, apresentando elevações de seus níveis em estados inflamatórios/infecciosos.

Amostras acentuadamente lipêmicas podem prejudicar a determinação dos resultados.

Avaliações seriadas das concentrações de C4 têm maior valor clínico do que a dosagem isolada.

Existem basicamente dois tipos de ensaios para a quantificação do complemento: aqueles que estabelecem a atividade funcional e os que determinam a atividade antigênica de suas proteínas, cada qual com as suas vantagens e desvantagens.

Em linhas gerais, os níveis antigênicos refletem de forma acurada a capacidade funcional de um componente. Em raros casos, o componente do complemento está presente, mas de forma não funcional. Nessas situações, os ensaios funcionais são necessários para a detecção dessa deficiência.

Aumento: Estados inflamatórios/infecciosos, anemia hemolítica autoimune, crianças do sexo masculino expostas a altos níveis de poluição do ar, infecções virais/bacterianas, câncer, diabetes, infarto agudo do miocárdio, colagenoses.

Diminuição: Deficiência congênita, fase ativa do LES e da artrite reumatoide, alguns tipos de glomerulonefrites, desnutrição, doença do soro, hepatite crônica, hepatite autoimune, angioedema hereditário, vasculite crioglobulinêmica, endocardite infecciosa, doenças que cursam com hipergamaglobulinemia, vasculites, hepatite B, infecção pneumocócica, sepse por gram-negativos.

Autoria principal: Pedro Serrão Morales (Patologia Clínica e Medicina Laboratorial).

Duval A, Frémeaux-Bacchi V. Complement biology for hematologists. Am J Hematol. 2023; 98 Suppl 4:S5-19.

Willrich MAV, Braun KMP, Moyer AM, et al. Complement testing in the clinical laboratory. Crit Rev Clin Lab Sci. 2021; 58(7):447-78.

Ling M, Murali M. Analysis of the complement system in the clinical immunology laboratory. Clin Lab Med. 2019; 39(4):579-90.

Kanaan S. Laboratório com interpretações clínicas. Rio de Janeiro, RJ: Atheneu; 2019.

Pagana KD, Pagana TJ, Pagana TN, eds. Mosby’s diagnostic and laboratory test reference. 14th ed. St. Louis, MO: Elsevier; 2019.

McPherson RA, Pincus MR, eds. Henry's clinical diagnosis and management by laboratory methods. 23rd ed. St. Louis, MO: Elsevier; 2017.

Frazer-Abel A, Sepiashvili L, Mbughuni MM, et al. Overview of laboratory testing and clinical presentations of complement deficiencies and dysregulation. Adv Clin Chem. 2016; 77:1-75.

Prohászka Z, Nilsson B, Frazer-Abel A, et al. Complement analysis 2016: clinical indications, laboratory diagnostics and quality control. Immunobiology. 2016; 221(11):1247-58.

Holers VM. Complement and its receptors: new insights into human disease. Annu Rev Immunol. 2014; 32:433-59.

Daha MR. Role of complement in innate immunity and infections. Crit Rev Immunol. 2010; 30(1):47-52.

Jacobs DS, DeMott WR, Oxley DK, eds. Jacobs & DeMott laboratory test handbook with key word index. 5th ed. Hudson, OH: Lexi-Comp Inc.; 2001.

Walport MJ. Advances in immunology complement. N Engl J Med. 2001; 344:1140-4.