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Cordocentese

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Definição: Procedimento invasivo de medicina fetal guiado por ultrassonografia indicado para coleta de sangue fetal da veia umbilical, geralmente a partir de 18 a 20 semanas de gestação. Pode ter finalidade diagnóstica ou terapêutica.

A cordocentese deve ser realizada somente em centros de referência, por médicos especialistas em Medicina Fetal, devido a sua complexidade e risco associado.

Com o avanço das técnicas não invasivas (NIPT, cfDNA, Doppler da artéria cerebral média), a cordocentese se tornou mais terapêutica do que diagnóstica. As indicações atuais são mais restritas, geralmente após 20 semanas de gestação e quando os métodos alternativos não são viáveis ou conclusivos.

  • Diagnóstico de anemias fetais graves (como no caso de aloimunização Rh e infecção fetal por parvovírus B19);
  • Diagnóstico de distúrbios genéticos (principalmente quando a biópsia de vilo corial [CVS] e a amniocentese não são possíveis ou são inconclusivas);
  • Avaliação e tratamento de trombocitopenia fetal;
  • Administração de medicamentos diretamente ao feto (antiarrítmicos, transfusões intrauterinas).

Cordocentese guiada por ultrassonografia com sedação materna ou anestesia local.

  1. Explicar o procedimento para a mãe, bem como suas potenciais e eventuais complicações.
  2. Obter termo de consentimento livre e esclarecido, devendo ser entregue à paciente para leitura pelo menos 24 horas antes da realização do exame.
  3. Não é necessário preparo específico, porém é indispensável que a paciente apresente tipagem sanguínea, estudo laboratorial de doenças venéreas (VDRL) e teste para vírus da imunodeficência humana (HIV) (ELISA) antes do procedimento.
  4. Pacientes Rh-negativas, com Coombs indireto negativo e parceiros Rh-positivos ou indeterminados devem receber imunoglobulina anti-Rh para prevenção de possível aloimunização.
  1. Paciente em decúbito dorsal horizontal (barriga para cima).
  2. Realizar varredura do abdome materno com transdutor ultrassonográfico convexo.
  3. Assepsia e antissepsia do local escolhido para a punção (após determinação da localização placentária e da inserção do cordão na mesma) com álcool 70% e colocação de campos cirúrgicos.
  4. Anestesia local (na maioria das vezes, pode-se realizar sem anestesia) sem vasoconstritor, limitada à pele e ao tecido celular subcutâneo.
  5. Inserção de agulha de raquianestesia com mandril, calibre 20 ou 22 G e comprimento entre 3,5-7 polegadas, devendo ser guiada por ultrassonografia durante todo o trajeto.
  6. Ao alcançar a veia umbilical, remove-se o mandril e conecta-se uma seringa de 5-10 mL com extensor, heparinizada (0,2-0,5 mL de Heparina).
  7. Aspiram-se 2-5 mL de sangue fetal e injeta-se 1 mL de solução salina fisiológica, objetivando visualizar o turbilhonamento no cordão ( flush ), o que confirma a correta punção da veia umbilical.
  8. Após coleta da amostra de sangue fetal (2-5 mL) ou realização de terapêutica fetal, a retirada da agulha deve ser orientada por ultrassonografia em todo o trajeto para prevenção de complicações fetais e/ou maternas, devendo ser monitorada a frequência cardíaca fetal até a estabilização do quadro.

Para a coleta apenas de amostra de sangue fetal, é relativamente tranquilo (em torno de 5 minutos).

É um fator complicador (mas não exatamente limitante) [cms-watermark] a localização placentária e do cordão.

  • Gestação com menos de 18 semanas (alto risco de complicações);
  • Placenta prévia com inserção central;
  • Infecção materna ativa (HIV, hepatite B/C sem profilaxia adequada);
  • Atividade uterina regular ou risco de trabalho de parto iminente;
  • Verificar se a paciente apresenta distúrbio de coagulação.
    A taxa de complicações situa-se entre 1-2%, dependendo da experiência do operador e da idade gestacional. Procedimentos realizados em centros especializados apresentam menos risco de perdas fetais.
  • Sangramento no local da punção no cordão ou no sítio de punção materna;
  • Bradicardia fetal;
  • Morte fetal intrauterina;
  • Desencadeamento de trabalho de parto;
  • Ruptura de membranas ovulares;
  • Isoimunização materna (realizar imunoglobulina anti-D em gestantes RH negativas);
  • Corioamnionite;
  • Lesões de trajeto:
    • Tecido celular subcutâneo;
    • Parede uterina;
    • Parede abdominal.

1. Observação e repouso relativo da gestante por um prazo de 24 a 48 horas após procedimento para prevenir complicações.

2. Abstinência sexual por 7 dias.

Autoria principal: João Marcelo Coluna (Ginecologia e Obstetrícia com mestrado em Fisiopatologia). [cms-watermark] [cms-watermark]

    Revisão: [cms-watermark]
  • Camilla Luna (Ginecologia e Obstetrícia, especialista em Reprodução Humana Assistida); [cms-watermark]
  • Ana Luiza Leal (Ginecologista, Obstetra e Mastologista). [cms-watermark]

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