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Crioglobulinas

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Definição: Conjunto de imunoglobulinas (Ig) que, reversivelmente, se precipitam (tornam-se insolúveis) quando expostas a temperaturas mais baixas.

Sinônimos: Crioglobulina; C rioproteínas; CGs; Crioglobulinemia; Crioimunoglobulinemia; Crioglubulinas Séricas; Crioglobulinas - Sangue.

Após sua precipitação, as crioglobulinas formam imunocomplexos e ativam o sistema complemento, desencadeando um processo inflamatório sistêmico. Da mesma maneira que elas se precipitam em temperaturas mais baixas, também se ressolubilizam quando reaquecidas.

Devido às oclusões vasculares de gravidade e localizações variadas, ocasionadas pela sua precipitação, podem produzir uma grande diversidade de sinais e sintomas (ex.: fenômeno de Raynaud, cianose, púrpura, ulceração, gangrena, neuropatia periférica).

    As crioglobulinas são classificadas em tipos I, II e III, de acordo com a sua composição de Ig:
  • Tipo I (monoclonal): comumente encontradas no mieloma múltiplo, na macroglobulinemia de Waldenström, gamopatia monoclonal de significado indeterminado (MGUS) e em outras patologias linfoproliferativas;
  • Tipo II (mista): associadas à infecção crônica pelo vírus da hepatite C (HCV), doenças reumáticas autoimunes, leucemia linfocítica crônica, crioglobulinemia essencial e neoplasias produtoras de imunoglobulina M (IgM);
  • Tipo III (mista): encontradas em infecções crônicas (pelo vírus da imunodeficiência humana [HIV], HCV, citomegalovírus [CMV], vírus Epstein-Barr [EBV], endocardite bacteriana, afecções parasitárias, etc.), crioglobulinemia essencial, cirrose biliar e em doenças reumáticas autoimunes.

Esse tipo de teste não distingue as variedades de crioglobulinas eventualmente presentes na amostra. Para essa finalidade, existem metodologias (ex.: imunodifusão e imunofixação) que podem ser utilizadas e solicitadas para complementação diagnóstica.

    Indicações:
  • Na suspeita de vasculite crioglobulinêmica em portadores de hepatite C crônica;
  • Avaliação de pacientes com mieloma múltiplo ou macroglobulinemia de Waldenström, cuja sintomatologia seja agravada quando expostos ao frio;
  • Investigação de pacientes com quadro de glomerulonefrite, vasculites ou doenças linfoproliferativas.

Como solicitar: Crioglobulinas.

  • Orientações ao paciente: jejum de 8 horas;
  • Tubo para soro (tampa vermelha/amarela - figuras 1 e 2), sem gel separador. Preaquecer o tubo a 37ºC, por 15 minutos, coletar o sangue e imediatamente colocar o tubo em banho-maria ou estufa a 37ºC, por 30 minutos. Centrifugar o material (em centrífuga não resfriada) e separar o soro, mantendo-o em temperatura ambiente para a posterior análise. Não resfriar a amostra;
  • Material: sangue;
  • Volume recomendável: 5 mL.
    • Observação! As orientações de coleta para as crioglobulinas podem variar de acordo com cada laboratório clínico.
Texto alternativo para a imagem Figura 1. Tubo para soro - tampa vermelha. Ilustração: Caio Lima
Texto alternativo para a imagem Figura 2. Tubo para soro - tampa amarela. Ilustração: Caio Lima
    Não reagente. [cms-watermark]
  • Observação! Os valores de referência para as crioglobulinas não são padronizados, variando de acordo com o Laboratório Clínico.

Amostras acentuadamente hemolisadas ou lipêmicas podem interferir no resultado da análise.

Tempos baixos de incubação, o uso de heparina e/ou a não observância dos cuidados pré-analíticos (especialmente em relação à temperatura de manipulação da amostra) podem tornar os resultados inválidos.

Seus resultados devem ser sempre correlacionados com história clínica, exame físico e dados de outros exames complementares.

Esse tipo de teste não distingue as variedades de crioglobulinas eventualmente presentes. Para essa finalidade, existem metodologias (ex.: imunodifusão e imunofixação) que podem ser utilizadas para complementação diagnóstica.

Não centrifugar o tubo em equipamentos refrigerados.

Baixo volume de sangue no tubo coletado pode prejudicar a execução do exame.

A falta de preaquecimento do tubo pode promover resultados falso-negativos.

Tubos contendo anticoagulantes podem induzir resultados falso-positivos.

Existe uma significativa variabilidade no modo como cada Laboratório Clínico realiza, detecta e relata os resultados desse exame, dificultando a comparação das análises obtidas em diferentes laboratórios.

Reagente: Mieloma múltiplo, macroglobulinemia de Waldenström, MGUS, crioglobulinemia essencial, linfomas, leucemias, vasculites, glomerulonefrites, neoplasias produtoras de IgM, hepatite C, doenças reumáticas autoimunes, infecções por HIV, CMV e EBV, infecções parasitárias, endocardite bacteriana.

Não reagente: Indivíduos saudáveis.

Autoria principal: Pedro Serrão Morales (Patologia Clínica e Medicina Laboratorial).

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