'
Definição:
A deidroepiandrosterona (DHEA) é um hormônio esteroide sintetizado e secretado pelo córtex adrenal, sob influência parcial do ACTH.
Sinônimos: DHEA; Dehidroepiandrosterona; Deidroepiandrosterona não sulfatada; Desidroepiandrosterona; DHEA sérica; DHEA - Sangue.
Em mulheres saudáveis, o córtex adrenal é o sítio exclusivo de sua síntese. Já nos homens o córtex adrenal é a principal fonte, entretanto cerca de 10-25% da DHEA é sintetizada pelos testículos. Apresenta uma meia-vida de aproximadamente 1-3 horas, e seus níveis estão submetidos a uma variação circadiana.
No tecido periférico, pode ser convertida em andrógenos mais potentes (ex.: androstenediona
, testosterona
), e em estrógenos (ex.: estradiol
). Dado o seu baixo efeito androgênico, quase que a totalidade de sua atividade androgência é derivada de sua conversão periférica à testosterona.
Sua concentração apresenta um pequeno decréscimo após o nascimento, continua baixa na primeira infância e aumenta a partir dos 8 anos, alcançando seu pico por volta dos 30 anos de idade. Após a 3ª década de vida, apresenta um decréscimo gradual, atingindo aos 70-80 anos de idade, apenas de 10-25% de sua concentração de pico.
Observação! Geralmente, o DHEA é solicitado em conjunto com o sulfato de deidroepiandrosterona (S-DHEA ). Quando somente um deles é solicitado, usualmente o S-DHEA é o exame de escolha, já que ele não apresenta variação circadiana e possui uma meia-vida maior em comparação ao DHEA.
Como solicitar: DHEA.
Figura 1.
Tubo para soro — tampa vermelha.
Ilustração:
Caio Lima.
Figura 2.
Tubo para soro — tampa amarela.
Ilustração:
Caio Lima.
Observação! Os valores de referência da deidroepiandrosterona podem variar de acordo com a idade, sexo, laboratório clínico e a metodologia utilizada.
Uma variação isolada de seus níveis, por si só, não faz diagnóstico de nenhuma doença específica, devendo-se complementar a investigação com a dosagem laboratorial de outros hormônios.
Amostras acenduadamente hemolisadas ou lipêmicas podem prejudicar sua determinação.
Suas concentrações sofrem influência do ritmo circadiano e podem variar com de acordo com a fase do ciclo menstrual.
Na hiperplasia adrenal congênita, a depender do tipo de deficiência enzimática, seus níveis podem se apresentar elevados, normais ou diminuídos.
Autoria principal: Pedro Serrão Morales (Patologia Clínica e Medicina Laboratorial).
Bennett G, Cussen L, O'Reilly MW. The role for long-term use of dehydroepiandrosterone in adrenal insufficiency. Curr Opin Endocrinol Diabetes Obes. 2022; 29(3):284-293.
Ebeling P, Koivisto VA. Physiological importance of dehydro-epiandrosterone. Lancet. 1994; 343(8911):1479-1481.
Jacobs DS, DeMott WR, Oxley DK, eds. Jacobs & DeMott Laboratory Test Handbook With Key Word Index. 5th ed. Hudson: Lexi-Comp Inc., 2001.
Kanaan S. Laboratório com interpretações clínicas. 1a ed. Rio de Janeiro: Atheneu, 2019.
McPherson RA, Pincus MR, eds. Henry's Clinical Diagnosis and Management by Laboratory Methods. 23rd ed. St. Louis: Elsevier, 2017.
Pagana KD, Pagana TJ, Pagana TN, eds. Mosby's Diagnostic & Laboratory Test Reference. 14th ed. St. Louis: Elsevier, 2019.