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Definição: Teste de função pulmonar no qual se avalia a capacidade de transferência de gases do alvéolo ao capilar, utilizando o monóxido de carbono como traçador.
Sinônimos: DLCO; DCO; Capacidade de transferência pulmonar de Monóxido de Carbono; TLCO.
O médico, ao solicitar a DLCO, deve colocar a indicação do exame, isto é, investigação de doença pulmonar, dispneia e afins. É importante orientar o paciente a levar o último hemograma realizado para calibração da máquina.
O paciente senta de frente ao aparelho. Coloca-se o bucal na boca e o clipe nasal. A manobra consiste em inspirar profundamente, prender a respiração por 10 segundos e exalar completamente o ar em seguida até o volume residual.
O CO é medido antes, e depois da inalação é calculada a diferença entre esses. Considerando um pulmão saudável, a diferença corresponde ao que foi transferido para o sangue.
São necessárias duas manobras dentro dos critérios de aceitabilidade para o exame ser aceito.
Não é necessário jejum para a realização do exame. Recomenda-se não fumar no dia do procedimento, não usar oxigênio suplementar até no mínimo 10 minutos antes do exame. Antes de realizar a manobra, o paciente deve repousar cerca de 10 a 15 minutos.
Existem várias técnicas, mas neste conteúdo, será utilizada a técnica de respiração única, que é a mais utilizada atualmente.
A técnica para realizar a manobra de DLCO consiste em iniciar a manobra com respiração normal (volume corrente), até que exala-se completamente para, em seguida, inspirar profunda e rapidamente até a CPT, prender a respiração por 10 segundos e exalar até o volume residual. Não se deve exceder mais de três tentativas com intervalo mínimo de 4 minutos entre elas.
Em pacientes com obstrução ao fluxo aéreo, como DPOC e asma, deve-se considerar um intervalo maior entre as manobras.
De acordo com a Lei de Fick, a difusão de um gás pela membrana alvéolo-capilar depende da solubilidade, da área de difusão, da espessura da membrana e da diferença de gradiente. Dessa forma, quando se analisa a capacidade de difusão de um gás, estamos avaliando os seguintes componentes da função pulmonar: superfície de troca disponível, espessamento da membrana, pressão parcial dos gases e constante de difusão.
Tanto a superfície quanto o espessamento da membrana são acometidos por doenças primariamente pulmonares. Enquanto que o gradiente de pressão e a constante podem sofrer influencia tanto por uma doença pulmonar quanto cardíaca. Além disso, outro componente fundamental é a hemoglobina. Inclusive, o gás utilizado é monóxido de carbono devido sua alta afinidade com essa. Dessa forma, o exame deve ser calibrado para o valor de hemoglobina atual do paciente. Para realizar o exame, o paciente inala uma mistura de gases (CO - Monóxido de carbono + gás inerte). O CO é transferido à hemoglobina, sofrendo uma redução na mistura de gases que é exalada em seguida. A DLCO mede a capacidade de transferência de CO por minuto, sendo medida em mL/minuto/mmHg.
De forma simplificada, a DLCO corresponde a dois componentes principais:
Superfície do pulmão disponível para troca gasosa (volume alveolar - VA) e a taxa de captação de CO pelo sangue dos capilares (KCO). O VA é medido pelo gás inerte, o qual não é absorvido. Após inalado, esse gás se mistura com o volume residual e sobre redução. Essa diferença entre o que entrou e o que saiu corresponde ao volume alveolar. Já o KCO corresponde a diferença entre as concentrações sobre o tempo (10 segundos de apneia). A DLCO é calculada pelo produto de VA e KCO. Se ocorrer alteração em qualquer um desses, há redução da DLCO.
É necessária uma capacidade vital de pelo menos 1,5 L para a realização do exame. Além disso, é necessário que o paciente não use oxigênio suplementar e seja capaz de prender a respiração por 10 segundos.
Pacientes hipoxêmicos que não saem do oxigênio são contraindicados a realizar a DLCO.
A DLCO é um exame bem tolerado. Embora utilize CO na mistura de gases, a concentração é mínima e o efeito tóxico é irrisório. A principal complicação, que é rara, é a contaminação cruzada e o risco de infecção respiratória por doenças como tuberculose e COVID-19.
| Classificação pela DLCO |
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| Aumentada | > 140% |
| Normal | 75% a 140% |
| Redução Leve | 74 a 60% |
| Redução Moderada | 59 a 40% |
| Redução Grave | < 40% |
Ter uma DLCO reduzida é um dos sinais mais sensíveis de que há problema em relação ao sistema pulmonar e sua relação com a circulação, auxiliando a investigação e sinalizando de forma precoce em pacientes com suspeita de doença intersticial ou enfisema. É um bom preditor de mortalidade e auxilia também na avaliação pré-operatória de ressecção pulmonar.
Ao interpretar uma DLCO, devemos nos perguntar se a redução corresponde a uma redução ou no VA ou na KCO ou em ambos. Uma redução no VA ocorre devido a enfisema, ressecção pulmonar, fibrose pulmonar. Uma redução no KCO ocorre devido a alterações na circulação pulmonar. Um parâmetro que se utiliza é a relação entre DLCO e VA. Essa relação nos auxilia a identificar se a redução da DLCO ocorre por doenças do parênquima pulmonar ou pro causas extrapulmonares.
Quando a relação entre DLCO e VA é normal, o problema é fora do parênquima. Quando a relação DLCO/VA é reduzida, o problema é do parênquima pulmonar. Isso ajuda a interpretar a DLCO em doenças que cursam tanto com alteração do parênquima pulmonar quanto da circulação pulmonar. Por exemplo, a esclerose sistêmica. Se a DLCO está reduzida, mas a KCO (DLCO/VA) está normal, então a chance dessa redução ser por hipertensão pulmonar é maior.
Autoria principal: Bruna Cuoco Provenzano (Clinica Médica, Pneumologia e Terapia Intensiva).
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