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Doppler Transcraniano

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Definição: A ultrassonografia com Doppler transcraniano (DTC) fornece uma medida não invasiva, em tempo real, das características do fluxo sanguíneo e da hemodinâmica cerebrovascular nas artérias basais do encéfalo.

Os dados fisiológicos obtidos a partir dessas medições são complementares aos dados estruturais identificados por meio de vários modos de imagem vascular atualmente disponíveis.

O DTC é uma maneira de monitorar as alterações vasculares em resposta a intervenções durante eventos cerebrovasculares agudos à beira do leito.

  • Hemorragia subaracnóidea e vasoespasmo cerebral;
  • Doença esteno-oclusiva intracraniana;
  • AVC isquêmico agudo;
  • Fluxo colateral;
  • Doença falciforme;
  • Detecção de microembolias cerebrais;
  • Parada circulatória cerebral – morte encefálica.

O exame é realizado com uma sonda de ultrassom de frequência de 2 MHz. Além de usar uma sonda de frequência mais baixa, a insonação das artérias cerebrais só é possível através de regiões mais finas do crânio, denominadas janelas acústicas. Em geral, quatro janelas acústicas principais foram descritas: janela transtemporal, janela transorbital, janela submandibular e janela suboccipital.

    Artérias específicas do polígono de Willis são identificadas, usando os seguintes critérios:
  • Direção relativa da sonda dentro de uma janela acústica específica;
  • Direção do fluxo sanguíneo em relação à sonda;
  • Profundidade de insonação;
  • Em casos difíceis, quando não é possível diferenciar a circulação anterior da posterior, a resposta do fluxo sanguíneo à compressão ou vibração da carótida pode ser usada.

A ultrassonografia do DTC baseia-se no princípio do efeito Doppler.

As ondas de ultrassom emitidas pela sonda Doppler são transmitidas através do crânio e refletidas pela movimentação dos glóbulos vermelhos no interior dos vasos intracerebrais. A diferença na frequência entre as ondas emitidas e refletidas, chamada de “frequência do desvio Doppler”, é diretamente proporcional à velocidade dos glóbulos vermelhos em movimento (velocidade do fluxo sanguíneo).

Como o fluxo sanguíneo dentro do vaso é laminar, o sinal Doppler obtido, na verdade, representa uma mistura de diferentes desvios de frequência do Doppler, formando uma exibição espectral da distribuição das velocidades dos glóbulos vermelhos individuais no monitor DTC.

    A análise espectral pode ser usada para obter medidas da velocidade do fluxo sanguíneo, bem como algumas outras características do fluxo dentro do vaso sanguíneo insonado. Os parâmetros específicos obtidos a partir desta análise incluem:
  • Velocidade sistólica de pico (Vs);
  • Velocidade diastólica final (Vd);
  • Aceleração sistólica;
  • Índice de pulsatilidade (PI);
  • Velocidade média.

É altamente dependente do examinador, com a técnica manual exigindo conhecimento tridimensional detalhado da anatomia cerebrovascular e suas variações.

O uso do DTC também é dificultado pela taxa de 10 a 15% de janelas acústicas inadequadas predominantes em pacientes negros, asiáticos e idosos. Isso pode estar relacionado à espessura e à porosidade do osso ao redor das janelas acústicas e, ainda, à atenuação da transmissão de energia ultrassônica.

As medidas também são limitadas às grandes artérias basais e podem apenas fornecer um índice de velocidade de fluxo sanguíneo cerebral global, em vez de local.

Autor(a) principal: Felipe Nobrega (Neurologia).

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