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Dosagem Sérica de Carbamazepina (10,11-epóxido)

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Definição: A Carbamazepina é um medicamento com propriedades anticonvulsivantes e antimaníacas, capaz, dentre outras ações, de bloquear os canais de sódio voltagem-dependentes, limitando a transmissão sináptica e a descarga neural.

Sinônimos: Nível Sérico de Carbamazepina (10,11-epóxido); Carbamazepinemia (10,11-epóxido); CBZ (10,11-epóxido); CBZ10-11; CBZ-EP; Carbamazepina-10,11-epóxido; Dosagem Sérica do Metabólito Ativo da Carbamazepina.

A Carbamazepina é absorvida lentamente por via oral, com biodisponibilidade de cerca de 80% e meia-vida de 25-40 horas (inicialmente) e de 15-25 horas (após 3-4 semanas de tratamento). Seu estado de equilíbrio é alcançado em 3-8 dias.

É um medicamento de metabolização quase que exclusivamente hepática, primariamente via citocromo P450 (CYP) 3A4, sendo biotransformada (por oxidação) em seu principal e mais importante metabólito ativo, a Carbamazepina-10,11-epóxido (C 15 H 12 N 2 O 3 ).

A Carbamazepina-10,11-epóxido corresponde a cerca de 50% das concentrações da Carbamazepina total, e parece ser a maior responsável pela toxicidade, pelos efeitos teratogênicos e da trombocitemia induzida pelo uso da Carbamazepina.

Em alguns casos, a toxicidade pode ocorrer pelo aumento das concentrações de seu metabólito ativo, mesmo com níveis séricos normais de Carbamazepina total.

Os sinais e sintomas de toxicidade mais comuns incluem náuseas, vômitos, sonolência, ataxia, nistagmo, diplopia, cefaleia, delírios.

Seus níveis séricos terapêuticos e de toxicidade ainda não estão muito bem estabelecidos, podendo apresentar variações entre os laboratórios clínicos.

A Carbamazepina pode ser utilizada no tratamento de crises convulsivas tônico-clônicas generalizadas e crises parciais, além de ter utilidade nas neuralgias do trigêmeo, distúrbio afetivo bipolar e na neuropatia diabética, por exemplo.

    Indicações:
  • Monitorização da adesão ao tratamento, dos níveis terapêuticos e de toxicidade;
  • Individualização da dose medicamentosa;
  • Suspeita de toxicidade, com dosagem de Carbamazepina total normal.

Como solicitar: Dosagem Sérica de Carbamazepina (10,11-epóxido).

  • Orientações ao paciente: N ão é necessário preparo específico. Anotar e informar dia e hora da última dose, além de outros medicamentos em uso. A coleta ideal deve ser feita 12 horas após a administração da última dose, imediatamente antes da administração da próxima dose, ou a critério médico;
  • Tubo para soro (tampa vermelha/amarela), sem gel separador. Após a coleta, aguardar a devida retração do coágulo, centrifugar o tubo por 15 minutos, separar o soro das células e manter a amostra sob refrigeração (2-8 o C);
  • Material: Sangue;
  • Volume recomendável: 1,0 mL.
Texto alternativo para a imagem Figura 1. Tubo para soro - tampa vermelha - Ilustração: Caio Lima.
Texto alternativo para a imagem Figura 2. Tubo para soro - tampa amarela - Ilustração: Caio Lima.

Nível terapêutico: 0,8-3,2 microgramas/mL.

Nível tóxico: ≥ 8 microgramas/mL.

Observação! Os valores de referência para a Carbamazepina-10,11-epóxido podem variar de acordo com laboratório clínico e metodologia utilizada.

Hemólise, lipemia e/ou icterícia acentuadas podem prejudicar a sua determinação.

Esse ensaio não detecta especificamente a Oxcarbazepina. Entretanto, falsos aumentos de Carbamazepina podem ocorrer durante o uso concomitante dessas medicações.

Seus níveis séricos terapêuticos e de toxicidade ainda não estão muito bem estabelecidos, podendo apresentar variações entre laboratórios clínicos.

O gel separador contido em alguns tubos de sangue podem adsorver a Carbamazepina, reduzindo, assim, suas concentrações séricas entre 20-50% após 24 horas em 4°C.

Alguns medicamentos (ex.: Ácido valproico, Fenitoína, Iamotrigina) prolongam a meia-vida da Carbamazepina.

    Aumento: Terapia com Carbamazepina associada a:
  • Administração de dose excessiva;
  • Drogas (ex.: Ácido valproico, Fenitoína, Iamotrigina).
    Diminuição: Terapia com Carbamazepina associada a:
  • Não aderência ao tratamento.

Autoria principal: Pedro Serrão Morales (Patologia Clínica e Medicina Laboratorial).

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