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Dosagem Sérica de Digoxina

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Definição: É um glicosídeo digitálico, utilizado na insuficiência cardíaca congestiva (ICC), fibrilação atrial e taquiarritmias.

Sinônimos: Nível sérico de Digoxina; Digoxinemia.

Seu mecanismo de ação se deve à inativação da bomba de sódio da membrana do miocárdio e à inibição da bomba sódio-potássio ATPase, levando, em última análise, ao seu efeito inotrópico positivo e eletrofisiológico direto.

Geralmente, a digoxina é metabolizada apenas em pequenas quantidades pelo fígado e no lúmen do intestino grosso, sendo de 50-75% eliminada de maneira inalterada pela urina.

Seu início de ação após uma dose oral é rápido (cerca de 1-2 horas), com meia-vida de 20-60 horas (média de 48 horas), sendo transportado de 20-25% ligado a proteínas plasmáticas, atingindo seu estado de equilíbrio em torno de 5 dias. [cms-watermark]

Seus efeitos colaterais tóxicos incluem: manifestações gástricas, náuseas, vômitos, fibrilação ventricular, taquicardia, arritmia supraventricular e bloqueio atrioventricular. Fragmentos de anticorpos Fab antidigoxina são disponíveis, sendo utilizados como antídoto nas intoxicações. [cms-watermark]

    Indicações:
  • Monitorar adesão, níveis terapêuticos, eficácia, possível toxicidade medicamentosa e seu tratamento;
  • Individualização da dose medicamentosa.
    Como solicitar:
  • Digoxina.
  • Orientações ao paciente: não é necessário nenhum preparo específico. Anotar dia e hora da última dose, além de outros medicamentos em uso;
  • Tubo para soro (tampa vermelha/amarela). A coleta deve ser feita de 6 a 8 horas após a administração da última dose, ou a critério médico (figuras 1 e 2) ;
  • Material: sangue;
  • Volume recomendável: 1,0 mL.
Texto alternativo para a imagem Figura 1. Tubo para soro - tampa vermelha
Texto alternativo para a imagem Figura 2. Tubo para soro - tampa amarela
  • Nível terapêutico: 0,8-2,0 ng/mL;
  • Nível tóxico: > 2,5 ng/mL;
  • Efeitos tóxicos podem ocorrer mesmo em níveis dentro da faixa terapêutica. Sendo assim, suas concentrações devem ser sempre correlacionadas com a clínica do paciente;
  • Os valores de referência podem ser maiores em neonatos;
  • Os níveis terapêuticos e de toxicidade podem variar de acordo com o laboratório clínico e a metodologia utilizada.

Hemólise pode prejudicar os resultados.

Em pacientes com hipocalemia, hipomagnesemia, alcalose, insuficiência renal, mixedema, hipoxia e cardiopatias, a toxicidade pode ocorrer em níveis mais baixos.

A concentração sérica pode não estar muito bem correlacionada com a eficácia medicamentosa.

Esse ensaio detecta tanto a fração livre quanto a ligada de Digoxina.

O uso de fragmentos de anticorpos Fab antidigoxina para o tratamento da intoxicação pode gerar resultados espúrios e errôneos, a depender do método analítico utilizado. Uma alternativa seria a dosagem sérica de Digoxina de 2-4 dias após a última dose do fármaco, já que sua meia-vida é de aproximadamente 15-20 horas.

O uso recente de radioisótopos pode gerar resultados falsamente normais ou diminuídos, a depender do método analítico utilizado.

A absorção, metabolização e resposta ao medicamento pode possuir diferenças entre os indivíduos.

A presença de substâncias endógenas imunorreativas digitálicas- like (mais frequentemente encontrados em hipertensos com renina baixa, insuficiência renal e hepática, gravidez, neonatos e crianças) pode gerar reações cruzadas, interferindo, assim, no resultado.

O uso recente de Biotina (vitamina B7), em algumas metodologias, pode interferir nos resultados.

    Aumento: Terapia com Digoxina associada a:
  • Administração de dose excessiva;
  • Insuficiência renal;
  • Drogas (Quinidina, Verapamil, Amiodarona, Ciclosporina, Espironolactona, Indometacina, Diltiazem, Eritromicina, Tetraciclina, Itraconazol).
    Diminuição: Terapia com Digoxina associada a:
  • Não aderência ao tratamento;
  • Dose insuficiente;
  • Tireoidopatias;
  • Síndromes má-absortivas;
  • Diminuição do fluxo sanguíneo mesentérico;
  • Drogas (Metoclopramida, Colestiramina, Neomicina, Sulfassalazina, Antiácidos, Fenitoína).

Autoria principal: Pedro Serrão Morales (Patologia Clínica e Medicina Laboratorial).

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