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Definição: Exame ultrassonográfico, não invasivo, capaz de avaliar a anatomia cardíaca e sua função. É realizado pelo aparelho de ecocardiograma, composto por uma central e um transdutor, e tem o objetivo de analisar imagens cardíacas produzidas pelo ultrassom a partir de vários ângulos do coração. Com a tecnologia do Doppler, é possível avaliar o fluxo sanguíneo, à medida que este se aproxima ou se afasta do transdutor, analisando assim shunts , insuficiências valvares e velocidades de fluxo, entre outras.
Sinônimos: ECOTT; ECO.
Por ser examinador-dependente, o exame traz algumas variáveis subjetivas que variam de examinador para examinador, a despeito da tentativa de objetivar cada vez mais os parâmetros.
Sofre interferência da anatomia e condição do paciente, prejudicando, assim, a janela acústica e a visualização do coração no exame.
Função sistólica: A função sistólica global do ventrículo esquerdo pode ser mensurada de diversas formas pelo ecocardiograma e basicamente mostra se o coração em repouso consegue manter um débito sistólico adequado através da força de contração. Objetivamente, a função sistólica é medida através da fração de ejeção, fração de encurtamento, índice cardíaco e strain longitudinal.
Fração de ejeção: É a maneira mais recomendada de se medir a função ventricular esquerda. Pode ser obtida no modo M, no modo bidimensional e, preferencialmente, no modo tridimensional. É uma variável que utiliza medidas ventriculares esquerdas em um cálculo para determinar a função cardíaca. Sofre influências hemodinâmicas e varia de examinador para examinador, entretanto, nas mãos de um examinador experiente, é uma das ferramentas mais utilizadas para prever desfechos e definir condutas (VR ≥ 55%).
Fração de encurtamento: Uma maneira menos fidedigna de estimar a função sistólica do VE, consiste na mudança de porcentagem das dimensões do VE a cada contração. Raramente é utilizada nos dias de hoje para diagnóstico e tomada de decisões (VR 14-23%).
Análise segmentar: O coração é dividido em 17 segmentos pelo ecocardiograma e a análise subjetiva das paredes pode indicar isquemia ou lesão permanente do miocárdio, conforme a contração muscular de cada segmento.
Função diastólica: Cerca de 50 a 55% dos pacientes com insuficiência cardíaca têm a fração de ejeção preservada, por isso a análise da função diastólica é de extrema importância para o diagnóstico. Uma função diastólica anormal aumenta as pressões de enchimento, reduzindo o volume de sangue que o ventrículo recebe na diástole. Muitas variáveis são levadas em conta na hora de se medir a função diastólica do VE. Com o aumento da pressão atrial esquerda, o fluxo transvalvar mitral se modifica à medida que o VE se torna menos complacente e o padrão do fluxo se tona restritivo. Os principais métodos de avaliação são o doppler pulsátil do fluxo mitral, doppler tecidual do anel mitral, volume do átrio esquerdo (AE) indexado pela superfície corpórea e velocidade do refluxo tricúspide.
Em indivíduos com função sistólica preservada e sem cardiopatia estrutural, considera-se que exista disfunção diastólica na presença de alteração de mais de 50% dos quatro parâmetros a seguir: relação E/e’ média > 14; velocidade e’ septal < 7 cm/s ou lateral < 10 cm/s; velocidade do refluxo tricúspide > 2,8 cm/s; e volume indexado do AE > 34 mL/m.
Doppler: Técnica capaz de medir a velocidade de fluxos de sangue no coração. O mapeamento com cores através do doppler indica em qual direção o sangue está indo. Essa ferramenta é essencial para diagnosticar, medir e analisar com maior precisão as lesões valvares e shunts intracavitários.
Análise valvar: Várias técnicas são utilizadas para a avaliação das estruturas valvares e suas lesões (estenose e insuficiência). As principais são as análises de fluxo e refluxo (importante nas insuficiências), o gradiente entre câmaras e a medida da área valvar (importantes nas estenoses). Através de técnicas para obtenção dessas variáveis, é possível graduar de maneira objetiva a gravidade das lesões valvares.
Doppler tecidual: Trata-se de uma técnica em que os pulsos emitidos pelo doppler foram configurados para ignorar as altas velocidades do fluxo sanguíneo, a fim de avaliar a velocidade de movimentação das estruturas cardíacas. Essa técnica é utilizada para a análise da função diastólica do VE.
Strain e speckle tracking : O strain é a mudança de porcentagem no comprimento do músculo cardíaco durante a contração e o relaxamento. A técnica do speckle tracking define pontos no miocárdio, calculando essa porcentagem. Sendo assim, constitui uma importante e fidedigna ferramenta para a avaliação da função sistólica do ventrículo. O strain global 2D tem as vantagens de não depender do ângulo de incidência do feixe de ultrassom (como ocorre no Doppler tecidual) e de apresentar valor prognóstico independentemente da fração de ejeção, mas carece de padronização dos fabricantes de aparelho.
Função sistólica do VD: Para a avaliação da função sistólica do VD, pode-se utilizar o aspecto visual da contratilidade das paredes, a fração sistólica de redução da área cavitária do VD (TAPSE) e a onda S’ do Doppler tecidual do anel e o fluxo da veia supra-hepática. Esses parâmetros são, em geral, descritos pelo ecocardiografista na intenção de objetivar a função ventricular direita.
PSAP: É possível, através do ecocardiograma, estimar a pressão sistólica da artéria pulmonar, sendo o exame inicial no diagnóstico da hipertensão arterial pulmonar. Para o cálculo da estimativa da PSAP, são utilizadas medidas do refluxo e tricúspide acrescido de um valor dado de acordo com o diâmetro da veia cava.
Medida da veia cava: A medida da veia cava nos permite avaliar a volemia do paciente, uma ferramenta utilizada na avaliação é a capacidade de variação de diâmetro durante a respiração. Quanto maior a volemia, mais ingurgitada está a veia cava, e menos varia conforme a respiração. Pacientes com baixo volume circulante podem apresentar a veia cava reduzida de tamanho ou colabada. A medida da veia cava também é utilizada para o cálculo da estimativa da PSAP.
Análise do pericárdio: O pericárdio também pode ser avaliado pelo ECO, tanto sua espessura, quanto mobilidade e quantidade de líquido pericárdico. A avaliação gradua os derrames em leve, moderado e grave, e alguns sinais, como um padrão restritivo, o colapso diastólico do VD, entre outros, podem indicar, inclusive, tamponamento cardíaco.
As medidas das estruturas cardíacas podem ser obtidas através do modo M ou do modo bidimensional. A padronização é importante, pois dessas medidas surgem variáveis importantes, como o cálculo da fração de ejeção do VE.
Índice de massa de VE por área de superfície corpórea:
Valores aumentados de massa podem indicar hipertrofia do VE. HVE concêntrica pode estar presente na hipertensão arterial, nas obstruções do trato de saída do VE ou mesmo na obesidade e indicam lesão de órgão alvo e pior prognóstico, diferente da HVE excêntrica encontrada no coração do atleta, que tem caráter benigno e costuma cursar com desfechos favoráveis (VR 43-115 g/m
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).
Diâmetro diastólico do VD:
Medida do diâmetro do VD durante a diástole. Valores aumentados indicam dilatação ventricular direita (VR 10.7-27 mm).
Raiz da aorta:
O diâmetro da raiz da aorta pode ser medido no ECO transtorácico, pois essa parte do vaso é visualizada no exame. Dissecções e dilatações (ectasias ou aneurismas) podem ser observadas na raiz da aorta e devem chamar a atenção do médico, a depender do quadro clínico. A progressão da dilatação também é de suma importância no tocante à decisão cirúrgica. O valor normal do diâmetro da raiz da aorta é de 2,7 a 3,6 cm.
Autoria principal: Gabriel Quintino Lopes (Clínica Médica e Cardiologia).
Revisão: Isabela Abud Manta (Clínica Médica e Cardiologia).
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