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Eletroforese de Proteínas - Sangue

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Definição: Técnica de separação e quantificação relativa e absoluta* dos principais grupos de proteínas séricas em bandas/frações, sem, contudo, discriminá-las individualmente.

  • *Observação! Uma vez que as bandas/frações são aferidas em porcentagem (%), a quantificação prévia das proteínas séricas totais é necessária para a expressão das bandas/frações em valores absolutos (g/dL).

Sinônimos: Eletroforese de proteínas séricas; Eletroforese de proteínas plasmáticas; Proteinograma eletroforético sérico; Proteinograma eletroforético plasmático; Separação eletroforética das proteínas séricas; Separação eletroforética das proteínas plasmáticas; Eletroforese de proteínas - Soro.

A eletroforese de proteínas séricas/plasmáticas é uma técnica antiga (porém que foi se aperfeiçoando ao longo do tempo), relativamente barata, rápida e eficaz de separação proteica. A depender de seu tamanho molecular e carga (razão de massa/afinidade elétrica), os grupos de proteínas são reunidos em frações distintas.

Em geral, as proteínas séricas se apresentam em cinco principais bandas eletroforéticas (albumina, α 1 -globulinas, α 2 -globulinas, betaglobulinas e gamaglobulinas). Todavia, técnicas mais modernas de eletroforese (ex.: capilaridade) são capazes de separar a banda das betaglobulinas em duas: ß 1 -globulinas e ß 2 -globulinas, perfazendo, assim, um total de seis bandas/frações.

    São dois os principais tipos de proteínas séricas: a lbumina e globulinas:
  • A albumina é o componente mais abundante, representada por um grande pico à esquerda do gráfico, o mais próximo do polo positivo (a pré-albumina , embora com concentração infimamente menor, está localizada ainda mais à esquerda);
  • Já as globulinas são encontradas em menores proporções, retratadas em bandas menores. Suas frações são encontradas, na ordem, da esquerda para direita do gráfico (do polo positivo para o negativo): α 1 -globulinas, α 2 -globulinas, ß 1 -globulinas, ß 2 -globulinas e gamaglobulinas.
    Localização (em bandas/frações) de algumas globulinas no perfil eletroforético:
  • α 1 -globulinas: α 1 -antitripsina; α 1 -glicoproteína ácida; α 1 -lipoproteína; α 1 -fetoproteína;
  • α 2 -globulinas: α 2 -macroglobulina; haptoglobina; ceruloplasmina;
  • Betaglobulinas: Hemopexina; complemento C3; complemento C4; transferrina; betalipoproteína;
  • Gamaglobulinas: IgG; IgA; IgM; proteína C-reativa:
    • Observação! A IgA e a IgM podem se apresentar na interseção das frações beta e gamaglobulinas.
    Indicações:
  • Avaliação de variações das concentrações de proteínas séricas totais;
  • Investigação de sinais/sintomas sugestivos das desordens de células plasmáticas;
  • Triagem, diagnóstico, seguimento e avaliação do tratamento de gamopatias monoclonais.

Como solicitar: Eletroforese de proteínas séricas.

  • Orientações ao paciente: jejum de 8 horas;
  • Tubo para soro (tampa vermelha/amarela). Após a coleta, aguardar a retração do coágulo, centrifugar o tubo por 15 minutos, armazendo-o sob refrigeração (2-8 o C);
  • Material: sangue;
  • Volume recomendável: 1,0 mL.
Texto alternativo para a imagem Figura 1. Tubo para soro - tampa vermelha. Ilustração: Caio Lima
Texto alternativo para a imagem Figura 2. Tubo para soro - tampa amarela. Ilustração: Caio Lima
Componente Relativo (%) Absoluto (g/dL)
Proteína total - 6,00-7,80
Albumina 58,0-74,0 4,00-5,50
Alfa 1 (α 1 ) 2,0-3,5 0,15-0,25
Alfa 2 (α 2 ) 5,4-10,6 0,43-0,75
Beta (ß) 7,0-14,0 0,50-1,00
Gama 8,0-18,0 0,60-1,30
Relação A/G - 1,40-2,60
  • Observação 1! Os valores de referência são representativos, e podem variar de acordo com o laboratório clínico e a metodologia utilizada;
  • Observação 2! Esses valores de referência são baseados em eletroforeses que utilizam como meio sólido o gel de agarose;
  • Observação 3! Os valores em crianças são diferentes em relação aos de adultos.
  • Hemólise e lipemia intensas podem interferir nas determinações;
  • Para que se possa avaliar quantitativamente as frações, há necessidade de se determinar previamente as concentrações das proteínas séricas totais;
  • A depender da finalidade e da alteração encontrada, sugere-se, a critério clínico, a complementação dos resultados com outros exames, como a eletroforese de proteínas urinárias, imunofixação sérica e urinária , bem como a determinação das cadeias leves livres no soro e na urina.

Nos quadros patológicos, geralmente, envolvem a redução da albumina e aumento de uma ou mais frações das globulinas.

A albumina pode estar reduzida em razão da síntese reduzida (desnutrição, má absorção, insuficiência hepática, desvio para síntese de outras proteínas) ou perda aumentada (proteinúria, acúmulo de fluido ascítico, enteropatia). [cms-watermark]

As globulinas podem estar elevadas em decorrência da síntese aumentada de muitas proteínas diferentes como parte de reações agudas ou crônicas às doenças. [cms-watermark]

    As seguintes patologias podem alterar o padrão eletroforético ou, de acordo com os sinais/sintomas, indicar a solicitação da eletroforese de proteínas para complementar a investigação:
  • Mieloma múltiplo;
  • Macroglobulinemia de Waldenstrom;
  • Amiloidose;
  • Gamopatia monoclonal de significado indeterminado;
  • Reações de fase aguda;
  • Inflamações crônicas;
  • Hepatite autoimune;
  • Cirrose;
  • Imunodeficiência humoral;
  • Osteoporose;
  • Dor lombar;
  • Lesões osteolíticas;
  • Hipercalcemia;
  • Insuficiência renal;
  • Neuropatia periférica inexplicada;
  • ICC refratária a terapia usual;
  • Síndrome nefrótica;
  • Má absorção em paciente > 50 anos;
  • Hepatomegalia e/ou esplenomegalia e/ou anemia inexplicada;
  • Anormalidades da α1-antitripsina;
  • Síndrome POEMS;
  • Gamopatias mono, oligo ou policlonais.
Texto alternativo para a imagem Figura 3. Eletroforese das proteínas do soro: correlações clínico-patológicas

Autoria principal: Pedro Serrão Morales (Patologia Clínica e Medicina Laboratorial).

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