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Definição: O vírus Epstein-Barr (EBV) é um herpes-vírus que, além de ser o principal agente causador da mononucleose infecciosa, também está relacionado a uma série de outras patologias, como linfoma de Burkitt, carcinomas da nasofaringe, linfomas de células T, carcinomas do estômago, leucoplasia pilosa oral, linfoma de Hodgkin, entre outras.
Sinônimos: EBV IgG; Anti-VCA IgG; IgG Anti-VCA; Anticorpos Anti-VCA IgG; Anticorpos IgG Anti-VCA; Anti-VCA IgG, Ab; Anticorpos Anticapsídeo viral IgG; Anti-VCA IgG Sérico; Anti-VCA IgG - Sangue.
A resposta sorológica a uma infeção pelo EBV se dá pela produção de anticorpos específicos contra os vários tipos de antígenos do vírus; dentre eles, o mais importante clínico e laboratorialmente: os anticorpos contra o capsídeo viral (anti-VCA, do inglês
viral capsid antigen
), que podem ser do tipo imunoglobulina M (IgM)
ou imunoglobulina G (IgG).
A IgG anti-VCA (assim como a IgM anti-VCA)
pode elevar as concentrações desse anticorpo a níveis detectáveis precocemente, ainda no período final de incubação e na fase prodrômica inicial (devido, notadamente, ao longo período de incubação viral), alcançando um pico sérico entre 2 e 4 semanas.
Depois disso, seus títulos começam a diminuir lentamente, com posterior estabilização no período da convalescença, permanecendo em concentrações virtualmente detectáveis pelo resto da vida.
Outros exames laboratoriais também estão disponíveis para auxiliar o raciocínio clínico-diagnóstico para a infecção pelo EBV, como as pesquisas de anticorpos heterófilos
, anticorpos anti-VCA IgM
, anticorpos anti-EA-D (anticorpo contra o antígeno precoce anti-D), anticorpos anti-EBNA (anticorpo contra o antígeno nuclear)
e testes moleculares (reação em cadeia da polimerase [PCR]).
Como solicitar:
Anti-VCA IgG.
Figura 1.
Tubo para soro - tampa vermelha.
Ilustração:
Caio Lima
Figura 2.
Tubo para soro - tampa amarela.
Ilustração:
Caio Lima
Não reagente.
Observação! Os pontos de corte dos títulos de anticorpos anti-VCA IgG podem variar de acordo com o laboratório clínico e a metodologia utilizada.
Até 20% dos pacientes com quadro de mononucleose não estão infectados pelo EBV. Eles podem estar infectados por outros vírus (ex.: vírus da imunodeficiência humana, rubéola, citomegalovírus, micoplasma,
T
oxoplasma gondii
).
Seus resultados devem ser sempre correlacionados com história clínica, exame físico e dados de outros exames complementares.
Amostras acentuadamente hemolisadas, ictéricas, lipêmicas e/ou inativadas pelo calor podem interferir nos resultados.
A dinâmica da produção e da detecção de anticorpos pode apresentar variações entre os indivíduos e os kits diagnósticos utilizados, respectivamente.
Amostras coletadas muito precocemente no curso da infecção podem ser negativas. Uma nova coleta deve ser feita em 1 a 2 semanas a fim de se avaliar a viragem sorológica (soroconversão).
Diante de um resultado reagente isolado para o anti-VCA IgG, não há como se determinar precisamente em que momento do passado ocorreu a infecção.
Esse teste não deve ser utilizado com o propósito de se isolar ou identificar o vírus. Técnicas moleculares (ex.: PCR) podem ser utilizadas para esse fim.
Reagente: Mononucleose infecciosa aguda, recente ou antiga.
Não reagente:
Indivíduos sem contato prévio; mononucleose infecciosa aguda (fase inicial).
Autoria principal: Pedro Serrão Morales (Patologia Clínica e Medicina Laboratorial).
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