' Espirometria - Prescrição
Conteúdo copiado com sucesso!

Espirometria

Voltar

Definição: Exame que funde os dados de um teste ergométrico simples às medidas dos gases expirados: consumo de oxigênio (VO 2 ), produção de CO 2 (VCO 2 ) e ventilação pulmonar (VE). Permite avaliar queixas subjetivas de dispnéia.

Para isso, a ergoespirometria fornece variáveis do sistema cardiovascular, respiratório e muscular esquelético em resposta ao exercício físico. [cms-watermark]

Sinônimos: Teste de exercício/esforço cardiopulmonar; TECP. [cms-watermark]

Para mais informações, acesse Teste Ergométrico. [cms-watermark]

  • Ergoespirometria;
  • Teste de exercício/esfor cardiopulmonar.
  • Investigação de dispneia;
  • Estratificação de risco de cardiopatia e pneumopatia;
  • Avaliação de pacientes para transplantes cardíacos;
  • Prescrição otimizada de exercícios físicos;
  • Avaliação funcional de cardiopatas e pneumopatas para fins periciais;
  • Avaliação pré-operatória em pacientes com indicação de ressecção pulmonar ou obesos de grau III e IV.
  • Exame pode ser realizado em ambiente hospitalar ou ambulatorial;
  • Não é examinador-dependente, porém necessita de profissional capacitado para sua interpretação;
  • Não envolve radiação;
  • Relativamente disponível;
  • Rápida realização;
  • Não utiliza contraste;
  • Não requer jejum;
  • Baixo custo;
  • Requer capacidade de se exercitar por parte do paciente;
  • Pode ser feito em bicicleta ou esteira (escolher a modalidade mais familiar ao paciente).
    Fases: Dividido em três fases, aumentando intensidade:
  • I: Metabolismo aeróbico:
    • Aumento linear de VE, VCO 2 e VO 2 ;
    • VCO 2 /VO 2 ~0,8 no repouso (normal).
  • II: Limiar anaeróbico ou primeiro limiar:
    • Aumento do ácido lático;
    • Tamponamento pelo bicarbonato;
    • Mais CO 2 exalado;
    • Perda de linearidade VCO 2 /VO 2 ;
    • Anormal se < 40% do pico de VO 2 (PVO 2 ) predito.
  • III: Ponto de compensação respiratória (PCR) ou segundo limiar:
    • Fase anaeróbia descompensada, com aumento desproporcional de ácido láctico;
    • Início de hiperventilação compensatória (aumento do VE) sem aumento proporcional da exalação de CO 2 (cai a relação VE/VCO 2 ).
  • A interpretação do exame requer conhecimento específico sobre o mesmo, por vezes limitando suas solicitações a profissionais especializados;
  • Depende da capacidade do paciente em realizar atividades físicas, o que limita a realização do exame em obesos de grau III e IV, pacientes com deformidade anatômica ou deficiência física;
  • Depende da colaboração do paciente para se atingir um esforço máximo e uma melhor confiabilidade no exame;
  • Necessita de aparelho específico para medição direta de gases.
  • Embolia pulmonar, infarto pulmonar ou trombose venosa profunda;
  • Dissecção aguda ou aneurisma roto de aorta;
  • Enfermidade aguda, febril ou grave (incluindo miocardite, pericardite);
  • Limitação física ou psicológica;
  • Distúrbios hidreletrolíticos ou metabólicos não corrigidos;
  • Fase aguda do infarto do miocárdio (até 2 dias);
  • Arritmia cardíaca não controlada;
  • Endocardite ativa;
  • Estenose aórtica grave sintomática;
  • Insuficiência cardíaca descompensada.
    VO 2 : Consumo de oxigênio:
  • Volume de O 2 extraído do ar em um período de tempo;
  • Dado por: débito cardíaco x (CaO 2 - CvO 2 );
  • Pico de VO 2 (PVO 2 ) = maior consumo durante o esforço;
  • Anormal se < 85% do predito;
  • Pode ser avaliado em MET: 1 MET = 3,5 ml/Kg/min VO 2 ;
  • Sofre influência de doenças pulmonares ou cardíacas, do condicionamento físico, de andar com apoio e do protocolo do exercício;
  • Correlaciona-se com prognóstico na insuficiência cardíaca: Pior prognóstico se < 14 sem betabloqueador e < 12 com betabloqueador;
  • Para sua melhor interpretação, exige o esforço máximo do paciente (coeficiente respiratório ≥ 1,1).
    RQ: Coeficiente respiratório (ou RER ou R/Q):
  • Razão entre a produção e consumo de CO 2 ;
  • No inicio do exercício, como o consumo de O 2 é maior, a razão tende a se encontrar entre 0,7 e 0,8. À medida que ocorrem os limiares ventilatórios, há uma maior eliminação de CO 2 , invertendo a razão;
  • Avalia a intensidade do esforço;
  • RQ ≥ 1,1 incida teste máximo.
    VE/VCO 2 Slope :
  • Quantidade de ar que deve ser expirada em 1 minuto (VE), para que se expulse 1 litro de CO 2 ;
  • Representa áreas do pulmão que são ventiladas e não perfundidas, e está elevado em pacientes com pneumo ou cardiopatias;
  • Não sofre influência do grau de esforço;
  • Normal até 30;
  • Pior prognóstico se > 34 na insuficiência cardíaca (tanto ICFEr quanto ICFEp).
    Ventilação periódica:
  • Respiração com períodos de hipopneia e hiperpneia, semelhante a de Sheyne Stokes, típica de pacientes em acidose constante;
  • Correlaciona-se a aumento de mortalidade, inclusive aumento de morte súbita na insuficiência cardíaca.
    OUES ( Oxygen uptake efficiency slope ):
  • Avalia a eficiência ventilatória na captação de O 2 ; [cms-watermark]
  • Relação logarítmica entre VO 2 e VE;
  • Quanto mais plana a curva (< 1,47), pior prognóstico na insuficiência cardíaca.
    VO 2 /FC: Pulso de oxigênio (VS):
  • O 2 extraído a cada batimento cardíaco;
  • Estima o volume sistólico (VS) de VE durante o exercício;
  • Alterado na ICFER ou em isquemia miocárdica (achatamento da curva ou platô precoce), < 80% do predito;
  • Arritmias de frequência irregular podem prejudicar a análise dessa variável.
    Reserva respiratória (RR):
  • Avalia o quanto a ventilação voluntária máxima (VVM) foi utilizada durante o esforço (normal ~80%);
  • RR = 1 - (VEmáx / VVM)
  • Diagnóstico diferencial de dispneia;
  • < 30% sugere penumopatia (pneumopatas têm menor VVM).
    T meio ou T meio do VO 2 :
  • Tempo que o pico de VO 2 leva para alcançar a metade do seu valor após o pico do exercício. Reflete a cinética da queda do VO 2 , na fase de recuperação;
  • Quando > 90 segundos encontra-se anormal;
  • > 120 segundos indica grave descondicionamento ou doença;
  • > 200 segundos têm o prognóstico bem agravado.

Autoria principal: Gabriel Quintino Lopes (Clínica Médica e Cardiologia).

Revisão: Sara Del Vecchio Ziotti (Clínica Médica e Cardiologia).

    Equipe adjunta:
  • Isabela Abud Manta (Clínica Médica e Cardiologia);
  • Leonardo Nanes (Clínica Médica, Cardiologia, Arritmologia e Medicina Intensiva);
  • Eraldo Moraes (Cardiologia, Eletrofisiologia, com especialização em Marca-passo).

Yazbek Jr P, Carvalho RT, Sabbag LMS, et al. Ergoespirometria. Teste de esforço cardiopulmonar, metodologia e interpretação. Arq Bras Cardiol. 1988; 71(5):719-24.

Herdy AH, Ritt LEF, Stein R, et al. Cardiopulmonary Exercise Test: Background, Applicability and Interpretation. Arq Bras Cardiol. 2016; 107(5):467-81.

Meneghelo RS, Araújo CGS, Stein R, et al. III Diretrizes da Sociedade Brasileira de Cardiologia sobre teste ergométrico. Arq Bras Cardiol. 2010; 95(5 Supl 1):1-26.

Ghorayeb N, Stein R, Daher DJ, et al. Atualização da Diretriz em Cardiologia do Esporte e do Exercício da Sociedade Brasileira de Cardiologia e da Sociedade Brasileira de Medicina do Esporte - 2019. Arq Bras Cardiol. 2019; 112(3):326-68.

Vainshelboim B, Arena R, Kaminsky LA, et al. Reference Standards for Ventilatory Threshold Measured With Cardiopulmonary Exercise Testing: The Fitness Registry and the Importance of Exercise: A National Database. Chest. 2020; 157(6):1531-7.

Balady GJ, Arena R, Sietsema K, et al. Clinician's Guide to cardiopulmonary exercise testing in adults: a scientific statement from the American Heart Association. Circulation. 2010; 122(2):191-225.

Ramos RP, Alencar MCN, Treptow E, et al. Clinical usefulness of response profiles to rapidly incremental cardiopulmonary exercise testing. Pulm Med. 2013; 2013: 359021.

Ingle L. Theoretical rationale and practical recommendations for cardiopulmonary exercise testing in patients with chronic heart failure. Heart Fail Rev. 2007; 12(1):12-22.