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Estradiol

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Definição: Os estrogênios são responsáveis pelo desenvolvimento, na puberdade das mulheres, das características sexuais secundárias femininas, dos seios e de órgãos genitais. O estradiol (E 2 ) é o mais potente e importante estrógeno circulante e, dessa maneira, é o hormônio que melhor apresenta correlação laboratorial com a atividade estrogênica nas mulheres.

Sinônimos: E 2 ; E2; 17ß-Estradiol; Estradiol-17ß; 17-beta-Estradiol; Estradiol sérico; Estradiol - Sangue.

Em mulheres não grávidas, a maior parte do E 2 origina-se dos ovários, com uma pequena contribuição das glândulas adrenais e dos tecidos periféricos (notadamente na gordura). Nas grávidas, a placenta é uma fonte adicional de síntese.

Nos homens, 1⁄3 de todo o E 2 é produzido nos testículos, com o restante originando-se a partir da conversão extraglandular da testosterona e da estrona.

No soro, o E 2 encontra-se, principalmente, na forma conjugada, sendo 60% dele ligado à albumina , 38% à globulina ligadora de hormônios sexuais (SHBG) (ligação de alta afinidade) e de 2 a 3% na forma livre/não ligada. A fração ligada à albumina junto a sua forma livre representam o E 2 biodisponível.

O E 2 tem metabolismo predominantemente hepático, sendo considerado o estrógeno mais potente. Apresenta baixas concentrações no período pré-ovulatório, com elevação durante a segunda metade da fase folicular. Sua concentração máxima é alcançada 1 dia antes ou no mesmo dia do pico do hormônio luteinizante (LH).

Após o pico do LH, os níveis do E 2 sérico começam a decrescer acentuadamente, quase aos níveis pré-ovulatórios para, então, aumentar ligeiramente durante a fase lútea.

Texto alternativo para a imagem Figura 1. Teores plasmáticos hormonais durante o ciclo menstrual bifásico normal. Gráfico adaptado de: Kanaan S, 2019.
    Indicações:
  • Investigação de distúrbios da função ovariana;
  • Acompanhamento de mulheres em reprodução assistida;
  • Investigação de infertilidade;
  • Síndromes genéticas;
  • Avaliação de distúrbios feminilizantes em homens;
  • Rastreamento de alguns tipos de tumores secretadores de estrogênio em ambos os sexos;
  • Investigação de transtornos do desenvolvimento em crianças;
  • Pode ser útil no diagnóstico de gravidez ectópica.

Contraindicações: Não deve ser utilizado na avaliação do bem-estar fetal.

Como solicitar: Estradiol ou E 2 .

  • Orientações ao paciente:
    • Informar data da última menstruação (DUM);
    • Se o método utilizado for o radioimunoensaio, a administração recente de radioisótopos deve ser evitada;
    • Em algumas metodologias, a biotina (vitamina B 7 ) pode interferir nos resultados. Dessa forma, sugere-se, a critério médico, a suspensão de seu uso nas 72 horas que antecedem a coleta;
  • Tubo para soro (tampa vermelha/amarela). Aguardar a devida retração do coágulo, centrifugar a amostra por 15 minutos e armazenar o material sob refrigeração (2 a 8°C);
  • Material: sangue;
  • Volume recomendável: 1 mL.
Texto alternativo para a imagem Figura 2. Tubo para soro - tampa vermelha. Ilustração : Caio Lima.
Texto alternativo para a imagem Figura 3 . Tubo para soro - tampa amarela. Ilustração: Caio Lima.


Crianças de 6 meses a 10 anos: < 15 pg/mL;

Homens adultos: 10 a 50 pg/mL;

    Mulheres adultas:
  • Fase pré-ovulatória: < 50 pg/mL;
  • Ovulatória: 150 a 500 pg/mL;
  • Fase lútea: 100 a 200 pg/mL;
  • Pós-menopausa: 0 a 30 pg/mL.

Observação! Os valores de referência para o E 2 podem variar de acordo com sexo, idade, fase do ciclo menstrual, Laboratório Clínico e metodologia utilizada.

Amostras acentuadamente hemolisadas ou lipêmicas podem prejudicar a sua determinação laboratorial.

Em algumas metodologias, a biotina (vitamina B7) pode interferir nos resultados. Dessa forma, sugere-se, a critério médico, a suspensão de seu uso nas 72 horas que antecedem a coleta.

A acurácia dos imunoensaios pode variar devido à possibilidade de reações cruzadas com outros estrogênios estruturalmente similares

O uso de Fulvestranto pode provocar reações cruzadas em algumas metodologias (ex.: imunoensaio), acarretando falsas elevações dos resultados do E 2 sérico.

Os resultados podem variar significativamente dependendo do kit para diagnóstico/plataforma analítica utilizada, devido, notadamente, a diferenças de acurácia dos imunoensaios, causadas por reações cruzadas com outros estrogênios estruturalmente similares ou devido a interferências de matriz inespecíficas.

Quando os resultados, obtidos por imunoensaios, não estiverem compatíveis com a clínica ou outros dados laboratoriais, deve-se repetir a dosagem em outra metodologia mais acurada (cromatografia líquida acoplada à espectrometria de massa), bem como na mesma plataforma analítica para confirmação dos resultados.

    Aumento:
  • Síndrome de Klinefelter;
  • Síndrome de feminização testicular completa;
  • Puberdade precoce idiopática ou por lesão ao sistema nervoso central;
  • Tumores de adrenal;
  • Tumores produtores de estrogênios;
  • Hiperplasia adrenal congênita;
  • Obesidade;
  • Hepatopatias;
  • Terapia estrogênica e androgênica;
  • Período pré-ovulatório.
    Diminuição:
  • Falência ovariana (todas as causas);
  • Síndrome de Turner;
  • Hipopituitarismo;
  • Síndrome de Kallmann;
  • Deficiência isolada de gonadotrofina;
  • Puberdade tardia simples;
  • Insuficiência testicular primária;
  • Anorquismo;
  • Pós-menopausa;
  • Pós-ovulação.
  • Terapia antiestrogênica.

Autoria principal: Pedro Serrão Morales (Patologia Clínica e Medicina Laboratorial).

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