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Exame de Urina de Rotina

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Definição: O exame de urina de rotina é um dos mais solicitados na prática clínica e consiste na avaliação da urina, classicamente, em três etapas complementares entre si: exame visual, exame físico-químico (por meio de tiras reagentes [ dipstick ] ) e análise microscópica do sedimento urinário após centrifugação.

Sinônimos: Urina tipo 1; sumário de urina; parcial de urina; elementos anormais e sedimentoscopia; elementos anormais e sedimento; EAS; exame de urina; exame simples de urina; urinálise; uroanálise; rotina de urina; exame comum de urina; ECU; exame qualitativo de urina; EQU; albumina, açúcar e acetona mais sedimento; 3A+S.

A urina é um material biológico de fácil obtenção (na maioria das vezes) e sua análise é simples, rápida, de baixo custo e amplamente disponível. Por meio do exame de rotina, podem-se avaliar a urina quanto aos seus aspectos físico-químicos e os elementos fisiológicos/patológicos (celulares ou não celulares) encontrados no sedimento.

Dessa forma, quando bem indicado, realizado e interpretado, o exame de urina fornece importantes subsídios a um adequado raciocínio clinicolaboratorial de uma grande variedade de condições que vão além das doenças intrínsecas do trato geniturinário em si (ex.: doenças hepatobiliares, hemólise intravascular).

A técnica tradicional de visualização e interpretação a olho nu das tiras reagentes e a análise do sedimento urinário por microscopia óptica convencional ainda são muito utilizadas em nosso meio, entretanto, nos últimos anos, a análise da urina por meio de equipamentos automatizados vêm ganhando espaço, notadamente nos médios/grandes laboratórios clínicos cuja rotina diária é alta.

A análise automatizada, tanto das tiras reagentes quanto do sedimento urinário, aumenta a rapidez e a consistência do processo, possibilita a verificação de um maior número de campos e ajuda a padronizar os resultados.

    Indicações:
  • Pesquisa e acompanhamento de processos patológicos intrínsecos ao sistema geniturinário;
  • Avaliação de condições extrarrenais (ex.: distúrbios metabólicos e do equilíbrio ácidobasico);
  • Triagem de indivíduos assintomáticos (ex.: avaliação periódica, pré-operatório).

Como solicitar: Exame de urina de rotina – jato médio.

  • Orientações ao paciente:
    • Identificar o corpor do frasco de urina, registrando nome, data e hora da coleta; [cms-watermark]
    • Lavar as mãos com água e sabão;
    • Realizar assepsia da região urogenital com água e sabão e, depois, enxugar;
    • Colher, preferencialmente, a primeira urina da manhã (mais concentrada) ou com intervalo de, no mínimo, 2 horas entre as micções; [cms-watermark]
    • Deve-se desprezar o primeiro jato e colher o jato médio/intermediário (do meio) da urina. Levar o material ao laboratório clínico em, no máximo, 2 horas após a coleta, conservado sob refrigeração de 2-8 o C (não pode congelar);
    • Caso a amostra necessite ser transportada por longas distâncias ou o período entre a coleta e a análise laboratorial seja superior a 2 horas e a refrigeração seja inviável, conservantes químicos específicos devem ser utilizados;
      • Observação! Em avaliações de rotina, é aconselhável que mulheres em período menstrual colham a urina após o término do mesmo, a fim de evitar o risco de contaminação da amostra com sangue;
      • Observação! A depender do sexo, da idade e da capacidade de controle esfincteriano do paciente, os procedimentos de coleta podem variar significativamente.
  • Frasco de coleta: Descartável com boca larga, fundo chato e tampa de rosca. Para solicitações que contenham também exames microbiológicos (ex.: urinocultura e antibiograma), além dessas características, o frasco deverá ser estéril;
  • Material: urina;
  • Volume recomendado: 20 mL.
Texto alternativo para a imagem Figura 1. Kit coletor de urina não estéril


Texto alternativo para a imagem Figura 2. Frasco coletor de urina não estéril
    Exame visual/olfativo:
  • Cor: Tonalidades variadas de amarelo;
  • Aspecto: Transparente/claro/límpido;
  • Odor: Aromático característico/amoniacal.
    Exame físico-químico (análises qualitativa e semiquantitativa por tira reagente):
  • pH: 4,5 a 7,8 (média de 6);
  • Densidade: 1,003 a 1,029 g/cm 3 ;
  • Proteínas: Negativo (as tiras de teste de urina são mais sensíveis à albumina);
  • Glicose: Negativo (as tiras de teste de urina são específicas para glicose);
  • Corpos cetônicos: Negativo;
  • Hemoglobina: Negativo;
  • Bilirrubina: Negativo;
  • Urobilinogênio: 0,1 a 1 mg/dL;
  • Nitrito: Negativo (sua positividade ocorre na presença de bactérias que reduzem o nitrato a nitrito, como no caso da maioria das enterobactérias);
  • Esterase leucocitária: Negativo;
  • Ácido ascórbico: Negativo.
    Exame do sedimento (microscopia óptica convencional):
  • Células epiteliais: Via baixa: ≤ 2 células por campo; via alta: raras/ausentes;
  • Eritrócitos: Homens: 0 a 3 por campo; mulheres: 0 a 5 por campo;
  • Leucócitos/piócitos: 0 a 4 por campo;
  • Muco: Não se aplica;
  • Cilindros: Hialinos: ≤ 2 por campo; patológicos: ausentes;
  • Cristais:
    • Urina ácida normal: Ausentes ou uratos amorfos, uratos cristalinos, ácido úrico, oxalato de cálcio;
    • Urina alcalina normal: Ausentes ou fosfatos amorfos, fosfatos cristalinos, carbonato de cálcio, biurato de amônio;
    • Urina alterada: Cistina, tirosina, leucina, colesterol, hemossiderina, fármacos (Sulfonamida, Ampicilina, contrastes radiográficos).
  • Flora bacteriana: Escassa/ausente;
  • Leveduras: Ausentes.
  • Parasitos: Ausentes.
    Exame do sedimento (análise quantitativa automatizada):
  • Células epiteliais: 0 a 22/microlitro;
  • Eritrócitos: Homens: 0 a 16/microlitro; mulheres: 0 a 27/microlitro;
  • Leucócitos/piócitos: 0 a 27/microlitro;
  • Muco: Não se aplica;
  • Cilindros: 0 a 1/microlitro;
  • Cristais: Ausentes.
Correlação (Leucócitos e Eritrócitos)
Análise quantitativa automatizada Microscopia óptica convencional
0 a 16/microlitro 0 a 3 por campo (400x)
17 a 27/microlitro 3 a 5 por campo (400x)
28 a 54/microlitro 6 a 10 por campo (400x)
55 a 108/microlitro 10 a 20 por campo (400x)
109 a 162/microlitro 20 a 30 por campo (400x)
163 a 216/microlitro 30 a 40 por campo (400x)

Observação! Os valores de referência do EAS podem variar de acordo com o laboratório clínico, a metodologia e a bibliografia utilizada. [cms-watermark]

    Tira reagente:
  • pH: Urina em excesso na tira reagente pode diminuir falsamente o pH, já que é capaz de mover o tampão do reagente da proteína ao lado (efeito run-over );
  • Densidade: Quantidades moderadas de proteínas podem aumentar falsamente a densidade. Urinas alcalinas (pH > 8) podem apresentar resultados falsamente [cms-watermark] mais baixos;
  • Proteínas: Falso positivo: urinas alcalinas (pH > 9). As tiras de teste de urina são mais sensíveis à albumina e, dessa forma, perdas proteicas urinárias decorrentes de outros tipos de proteínas podem apresentar resultados falsamente negativos;
  • Glicose: Falso negativo: ácido ascórbico, corpos cetônicos, densidade elevada, pH alto;
  • Corpos cetônicos: Falso positivo: urinas altamente pigmentadas, metabólitos da Levodopa, densidade alta, pH baixo, fenolsulfoftaleína.
  • Hemoglobina: Falso positivo: contaminação por menstruação, peroxidase microbiana, contaminantes oxidantes (ex.: hipoclorito). Falso negativo: ácido ascórbico, alta densidade urinária, proteína elevada;
  • Bilirrubina: Falso positivo: metabólitos de fármacos (ex.: Cloridrato de fenazopiridina), sulfato de [cms-watermark] indoxil. Falso negativo: ácido ascórbico, exposição prolongada à luz direta, sulfato de [cms-watermark] indoxil;
  • Urobilinogênio: Falso negativo: concentrações altas de formalina;
  • Nitrito: Falso negativo: ácido ascórbico, nitrato ausente na dieta, retenção por tempo insuficiente de urina na bexiga. Falso positivo: coleta e armazenamento inadequados (pode ocorrer proliferação bacteriana in vitro ), ácido ascórbico (em urinas com baixas concentrações de nitrito);
  • Esterase leucocitária: Falso positivo: contaminação com secreção vaginal, agentes oxidantes. Falso negativo: altas concentrações de glicose, albumina, densidade alta, ácido ascórbico, Tetraciclina;
  • Ácido ascórbico: urina alcallina (pH 8-9) pode atenuar a reação.

A interpretação e a análise visual das tiras reagentes e do sedimento urinário por microscopia óptica são dependentes do [cms-watermark] examinador, podendo apresentar variações nos resultados conforme a qualidade do insumo e do microscópio utilizado, da experiência do profissional etc.

Como há falta de padronização nos valores de referência, eles variam de acordo com o laboratório clínico, a metodologia e a bibliografia utilizada.

Antes da análise laboratorial propriamente dita, deve-se aguardar a urina atingir a temperatura ambiente, já que a análise da amostra em baixas temperaturas pode aumentar a gravidade específica (ao urodensímetro), interferir na atividade enzimática das tiras reagentes e proporcionar a precipitação de uratos e fosfatos amorfos.

O congelamento da urina interfere nos dados bioquímicos da amostra, além destruir os elementos figurados, portanto não deve ocorrer.

A ausência de urobilinogênio urinário não pode ser determinada pelas tiras reagentes, pois elas não são um método confiável para a detecção do porfobilinogênio.

Metabólitos do cloridrato de fenazopiridina podem prejudicar as reações e tiras de teste por provocarem interferência nas cores.

Autoria principal: Pedro Serrão Morales (Patologia Clínica e Medicina Laboratorial).

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