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FAN

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Definição: O fator antinuclear (FAN) detecta a presença de anticorpos séricos circulantes contra os autoantígenos existentes nos mais variados compartimentos celulares (membranas celulares, organelas citoplasmáticas, citosol, aparelho mitótico, envelope nuclear e núcleo).

Sinônimos: FAN-HEp2; ANA; FANA; PAAC; Fator antinúcleo; Anticorpos antinucleares; Anticorpos anticelulares; Anticorpos contra antígenos celulares; Pesquisa de anticorpos contra antígenos celulares; FAN sérico; FAN - Sangue.

Diluições seriadas do soro são realizadas em uma lâmina contendo células humanas epiteliais da linhagem HEp-2 (extraídas de tumores epiteliais de laringe) como substrato.

Se há anticorpos no soro, ocorre a formação de um complexo antígeno-anticorpo e, após a adição de anti-imunoglobulina humana conjugada com fluoresceína (reagente fluorescente), determinados padrões de fluorescência são evidenciados quando a lâmina é analisada sob microscopia de luz UV.

Atualmente, o método padrão-ouro para a pesquisa desses autoanticorpos é a imunofluorescência indireta (IFI) em substratos de células epiteliais humanas (HEp-2). Entretanto, a pesquisa do FAN por imunoensaio enzimático (EIA) automatizado vem ganhando destaque.

Diversos padrões de fluorescência podem ser observados, e os resultados positivos são submetidos a diluições seriadas (a triagem inicial é realizada com uma diluição de 1/80), até que a fluorescência não possa mais ser observada.

Em algumas doenças, certos padrões de fluorescência podem ser mais prevalentes e característicos (enquanto outros padrões são relativamente inespecíficos), auxiliando na investigação diagnóstica, sempre aliado ao exame físico, dados clínicos e do resultado de outros exames complementares (ver tabela abaixo).

Padrão de FAN-HEp-2 Autoantígenos mais frequentemente relacionados Correlação clínica
Nuclear homogêneo DNA nativo, histonas, nucleossomo LES, LES induzido por drogas, vasculites, AIJ
Nuclear pontilhado grosso U1 snRNP, U2-6 snRNP (Sm) DMTC, LES, síndrome de Raynaud, ES, SSj, DITC
Nuclear pontilhado fino SSA/Ro, SSB/La, topoisomerase 1 LES, SSJ, ES, MII, DMTC
Nuclear centromérico Cinetocoro: CENP-1, B, C, F ES, síndrome de Raynaud
Nuclear pontilhado fino denso LEDGF/p75 Indivíduos hígidos, condições inflamatórias
Nuclear pontilhado pleomórfico PCNA LES, SSj, doenças linfoproliferativas
Nuclear tipo membrana nuclear Laminas LES, AR, cirrose biliar primária, MII, hepatite autoimune
Nucleolar PM/Scl, RNA polimerase, U3 RNP, To/Th ES, síndrome de Raynaud, MII, síndrome de superposição ES + MII
Citoplasmático pontilhado fino Jo-1, SRP, PDH MII, cirrose biliar primária, doença intersticial pulmonar
Aparelho mitótico tipo fuso mitótico NuMA AR, condições inflamatórias, pneumonia por micoplasma

Por não haver melhora no valor preditivo positivo (VPP) para o diagnóstico de doenças reumáticas autoimunes, não há a necessidade de diluir as amostras positivas além de 1/640. Sendo assim, essas amostras são liberadas no laudo como ≥ 1/640.

Títulos ≥ 1/160 são encontrados, geralmente, em pacientes com doenças reumatológicas autoimunes, enquanto títulos inferiores são mais comumente vistos em indivíduos saudáveis. Entretanto, exceções a esse padrão podem ocorrer em ambos os casos.

Sua maior utilidade clínica ainda é para o auxílio diagnóstico do lúpus eritematoso sistêmico (LES), apresentando alta sensibilidade (93-100%) e valor preditivo negativo (VPN) de praticamente 100%, apesar de uma baixa especificidade (57%) e VPP de 11%.

Ao se interpretar o resultado do FAN, deve-se levar em consideração a probabilidade pré-teste, a titulação e o padrão de fluorescência.

    Indicações:
  • Triagem e diagnóstico diferencial de doenças reumáticas autoimunes, notadamente do LES;
  • Monitorar o prognóstico de pacientes com fenômeno de Raynaud, artrite crônica juvenil e síndrome do anticorpo antifosfolipídeo;
  • Critério diagnóstico de algumas doenças.

Como solicitar: FAN.

  • Orientações ao paciente: Não há necessidade de preparo específico. Informar sobre uso recente de medicamentos;
  • Tubo para soro (tampa vermelha/amarela). Aguardar a retração do coágulo, centrifugar o tubo por 15 minutos e armazenar o material sob refrigeração (2-8 o C);
  • Materia l: Sangue;
  • Volume recomendável: 1,0 mL.
Texto alternativo para a imagem Figura 1. Tubo para soro - tampa vermelha. Ilustração: Caio Lima
Texto alternativo para a imagem Figura 2 . Tubo para soro - tampa amarela. Ilustração: Caio Lima
  • Não reagente (ausência de anticorpos contra antígenos intracelulares):
    • Observação! Usualmente, títulos < 1/40 são considerados negativos;
    • Observação! Títulos ≥ 1/160 são considerados clinicolaboratorialmente significantes;
    • Observação! Em geral, a diluição de triagem utilizada é de 1/80. Entretanto, há a possibilidade de que os títulos de anticorpos possam se alterar de acordo com laboratório clínico, experiência do examinador e dia da coleta.

Um número substancial de pessoas saudáveis pode apresentar resultados reagentes, aumentando em razão da idade, geralmente com títulos ≤ 1/160.

Alguns medicamentos podem causar resultados falso-positivos ou falso-negativos.

Elevações transitórias podem ocorrer em pacientes com quadros infecciosos.

A pesquisa do FAN pela técnica de IFI apresenta baixa especificidade.

Não há relação entre os títulos de anticorpos e atividade de doença, sendo assim, não há a necessidade de repetições seriadas para este fim.

Exceto em pacientes com fenômeno de Raynaud, artrite crônica juvenil e síndrome do anticorpo antifosfolipídeo, o FAN não tem utilidade para o prognóstico.

Resultados falso-negativos podem ocorrer em pacientes com anticorpos anti-SS-A/Ro isolado.

Por não haver melhora no valor preditivo positivo (VPP) para o diagnóstico de doenças reumáticas autoimunes, não há a necessidade de diluir as amostras positivas além de 1/640. Sendo assim, essas amostras são relatadas como ≥ 1/640.

O padrão de imunofluorescência nuclear pontilhado fino denso, notadamente em baixos títulos, é encontrado, geralmente, na população saudável.

A interpretação laboratorial quando se utiliza a imunofluorescência indireta (IFI) é examinador dependente, o que pode levar a uma variação intra e interlaboratorial considerável.

A sensibilidade e especificidade dos EIAs podem variar significativamente entre os diferentes kits/fabricantes, notadamente em relação à qualidade do substrato utilizado no ensaio.

Ao se interpretar o resultado do FAN, deve-se levar em consideração a probabilidade pré-teste, a titulação e o padrão de fluorescência encontrado.

    Reagente (padrão de imunflorescência e titulação variáveis):
  • LES;
  • Lúpus induzido por medicamentos;
  • Lúpus discoide;
  • Esclerodermia;
  • Síndrome de Sjögren;
  • Artrite reumatoide;
  • Polimiosite;
  • Dermatomiosite;
  • Miopatia inflamatória idiopática;
  • Vasculites;
  • Hepatite autoimune;
  • Doença mista do tecido conjuntivo;
  • Fenômeno de Raynaud;
  • Artrite crônica juvenil;
  • Síndrome do anticorpo antifosfolipídeo;
  • Fibrose pulmonar idiopática;
  • Hipertensão arterial pulmonar idiopática;
  • Esclerose múltipla;
  • Endocardite bacteriana;
  • Doença de Graves/tireoidite de Hashimoto;
  • Cirrose biliar primária;
  • Colangite autoimune;
  • Infecções crônicas;
  • Doença inflamatória intestinal;
  • Alergias;
  • Malignidades (notadamente linfoma);
  • Hanseníase;
  • Pacientes com implantes de silicone;
  • Indivíduos saudáveis.

Autoria principal: Pedro Serrão Morales (Patologia Clínica e Medicina Laboratorial).

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