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Ferritina

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Definição: A ferritina é uma glicoproteína de síntese hepática, com peso molecular de aproximadamente 450.000 Da e capacidade de armazenamento de 4.000 a 5.000 íons férricos por molécula, sendo considerada a principal proteína de reserva intracelular do ferro.

Sinônimos: Ferritina sérica; Ferritinemia; Ferritina - Sangue.

A ferritina é formada quando ocorre a ligação do ferro à apoferritina (molécula proteica por si só). Ela está presente em todas as células do organismo, principalmente naquelas ligadas à síntese de compostos férricos, metabolismo e reserva do ferro.

Ela parece estar em equilíbrio com a ferritina tecidual, com concentrações circulantes proporcionais à quantidade de ferro armazenado no organismo. Dessa forma, a ferritina é um bom indicador das reservas corporais totais de ferro.

No auxílio diagnóstico da anemia por carência de ferro (ferropriva), a ferritina é considerada o melhor marcador laboratorial isolado, sendo o teste mais sensível e de alteração precoce para esse fim.

Para uma melhor avaliação do status corporal do ferro, a ferritina pode ser solicitada em conjunto com o ferro sérico , TIBC , índice de saturação da transferrina e transferrina , ou mesmo inserida no contexto da cinética do ferro.

Ela também é considerada um reativo de fase aguda, apresentando níveis aumentados em algumas patologias hepatocelulares, doenças crônicas, malignidades e processos inflamatórios/ infecciosos em geral.

    Indicações:
  • Investigação, diagnóstico e acompanhamento do tratamento da anemia ferropriva e de outras desordens do metabolismo do ferro;
  • Diagnóstico diferencial das anemias relacionadas à deficiência do ferro de outros tipos de anemias (ex.: talassemias, doença crônica);
  • Auxílio ao diagnóstico e seguimento do tratamento da hemocromatose.

Como solicitar: Ferritina.

  • Orientações ao paciente: Não é necessário nenhum preparo específico. Sugere-se, a critério médico, a suspensão do uso de Biotina (vitamina B7) nas 72 horas que antecedem a coleta (possibilidade de interferência analítica em alguns ensaios);
  • Tubo para soro (tampa vermelha/ amarela): Aguardar a devida retração do coágulo, centrifugar a amostra por 15 minutos e armazenar o material sob refrigeração (2-8 o C);
  • Material: Sangue;
  • Volume recomendável: 1,0 mL.
Texto alternativo para a imagem Figura 1. Tubo para soro - tampa vermelha. Ilustração: Caio Lima.


Texto alternativo para a imagem Figura 2. Tubo para soro - tampa amarela. Ilustração: Caio Lima.
  • Recém-nascidos: 25-200 ng/mL (25-200 mcg/L);
  • 1 mês de vida: 200-600 ng/mL (200-600 mcg/L);
  • 2-5 meses de vida: 50-200 ng/mL (50-200 mcg/L);
  • 6 meses de vida-15 anos de idade: 7-140 ng/mL (7-140 mcg/L);
  • Homem adulto: 20-250 ng/mL (20-250 mcg/L);
  • Mulher adulta: < 40 anos de idade: 12-122 ng/mL (12-122 mcg/L); ≥ 40 anos de idade: 12-250 ng/mL (12-250 mcg/L).
    Observações!
  • 1 ng/mL de ferritina sérica corresponde a aproximadamente 8 mg de ferro de reserva;
  • Os valores de referência da ferritina podem variar de acordo com o sexo, idade, laboratório clínico e a metodologia utilizada.

Por ser um reativo de fase aguda, a ferritina pode ter suas concentrações elevadas em algumas doenças hepatocelulares, malignidades e processos inflamatórios/ infecciosos, sendo uma estimativa desproporcionalmente alta do ferro de reserva nessas situações.

Amostras acentuadamente hemolisadas ou ictéricas podem prejudicar a sua determinação.

Tem pouco valor na avaliação das reservas de ferro em pacientes alcoólatras com doença hepática.

Os indivíduos com uma alimentação rica em carne vermelha podem apresentar valores mais elevados que aqueles com dieta vegetariana.

Em algumas situações, o diagnóstico da deficiência de ferro deve ser feito por meio do exame da medula óssea (aspirado/biópsia).

Sugere-se, a critério médico, a suspensão do uso de Biotina (vitamina B7) nas 72 horas que antecedem a coleta, pela possibilidade de interferência analítica em alguns ensaios.

    Aumento: [cms-watermark]
  • Inflamação;
  • Doença hepática;
  • Doença hepática gordurosa não alcoólica (DHGNA);
  • Anemia hemolítica [cms-watermark] ;
  • Anemia megaloblástica [cms-watermark] ;
  • Anemia sideroblástica;
  • Talassemia;
  • Hemocromatose;
  • Hemossiderose;
  • Insuficiência renal terminal;
  • Doenças malignas sólidas e hematológicas (linfomas, leucemias);
  • Doença de Gaucher;
  • Hipertireoidismo;
  • Excesso de suplementação;
  • Transfusão;
  • Hepatite aguda;
  • Artrite idiopática juvenil;
  • Doença de Still;
  • Síndrome de ativação macrofágica;
  • Alcoolismo;
  • Dieta rica em carne vermelha. [cms-watermark]
    Diminuição:
  • Anemia por deficiência de ferro;
  • Combinação da deficiência de ferro e talassemia;
  • Hemodiálise;
  • Gravidez.

Autoria principal: Pedro Serrão Morales (Patologia Clínica e Medicina Laboratorial).

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