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Fibrinogênio

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Definição: O fibrinogênio, também conhecido como fator I, é uma proteína hexamérica plasmática solúvel, com peso molecular de 340 kDa.

Sinônimos: Fator I; Fibrinogenemia; Fibrinogênio plasmático; Fibrinogênio - Plasma.

Ao final de todo o processo da cascata de coagulação, já na via comum, o fibrinogênio é convertido pela trombina (fator IIa) em monômeros de fibrina (proteína insolúvel), que, por sua vez, se polimerizam para formar o coágulo de fibrina (os polímeros de fibrina se unem em um arranjo tridimensional, após serem estabilizados pelo fator XIIIa).

O fibrinogênio é sintetizado pelo fígado, possuindo uma meia-vida aproximada de 72-120 horas. Ele também é considerado uma proteína de fase aguda, podendo se elevar em estados inflamatórios/infecciosos, por exemplo.

Além do seu papel essencial para a formação de coágulos sanguíneos (trombogênese), ele possui grande importância no contexto da aterogênese, crescimento de vasos sanguíneos, cicatrização de feridas e inflamação (na etapa de adesão celular ao endotélio).

    Indicações:
  • Avaliação de distúrbios da coagulação e hemostasia;
  • Quando há prolongamento sem causa aparente do TAP/INR e/ou PTTa;
  • Seguimento de hepatopatias;
  • Investigação de deficiências hereditárias (ex.: afibrinogenemia, hipofibrinogenemia);
  • Investigação de disfibrinogenemias (adquiridas ou hereditárias);
  • Avaliação do risco cardiovascular.

Como solicitar: Fibrinogênio.

  • Orientações ao paciente: Não é necessário preparo específico;
  • Tubo para plasma (tampa azul-clara - citrato de sódio 3,2%). Coletar logo após o tubo sem aditivo ou hemocultura (se houver), e antes dos outros na ordem de coleta. Proceder, delicadamente, uma inversão do tubo por, pelo menos, 8 vezes, a fim de homogeneizar a amostra. Centrifugar o material por 15 minutos, separar o plasma em um tubo de transporte. Repetir a centrifugação e transferir o sobrenadante a um novo tubo de transporte para obter o plasma pobre em plaquetas (PPP). Caso não seja analisado no mesmo dia, congelar (-20 o C) imediatamente a amostra;
  • Material: Sangue;
  • Volume recomendável: Varia de acordo com o volume do tubo utilizado, que geralmente apresenta marcação que evidencia o nível até onde deve ser preenchido pelo sangue. Sempre respeitar a proporção de 9 partes de sangue para 1 de anticoagulante (9:1).
Texto alternativo para a imagem Figura 1. Tubo para plasma - tampa azul-clara - Citrato de sódio 3,2%. Ilustração: Caio Lima.
  • 150-400 mg/dL (1,5-4,0 g/L);
    • Observação! Níveis < 100 mg/dL podem estar associados a sangramento;
    • Observação! Os valores de referência do fibrinogênio podem variar de acordo com o laboratório clínico e metodologia utilizada.
  • Amostras hemolisadas podem prejudicar a sua determinação;
  • Garroteamento prolongado (> 1 minuto);
  • Heparina com concentração > 0,6 unidade/mL, Hirudina e Argatroban podem diminuir falsamente a dosagem do fibrinogênio pelo método de Clauss, assim como os produtos de degradação de fibrina (PDF), quando > 30 microgramas/mL;
  • Contaminação cruzada com outros anticoagulantes presentes nos demais tubos de coleta, quando não se respeita a ordem correta de coleta;
  • Amostras de soro inviabilizam a sua dosagem;
  • O uso de Dabigatrana pode provocar resultados falsamente baixos;
  • A contaminação do plasma com plaquetas pode proporcionar resultados espúrios.
    Aumento:
  • Estados inflamatórios/infecciosos;
  • Neoplasias;
  • Síndrome nefrótica;
  • Obesidade;
  • Diabetes;
  • Trauma;
  • Estresse;
  • Gravidez;
  • Pós-menopausa;
  • Infarto agudo do miocárdio (IAM);
  • Idosos;
  • Drogas (anticoncepcionais).
    Diminuição:
  • Doença hepática;
  • Desnutrição severa;
  • Coagulação intravascular disseminada (CIVD);
  • Fibrinólise;
  • Terapia fibrinolítica;
  • Hemotransfusões maciças;
  • Níveis elevados de produtos de degradação de fibrina (PDF);
  • Deficiências hereditárias (ex.: afibrinogenemia, hipofibrinogenemia);
  • Disfibrinogenemias (adquiridas ou hereditáras);
  • Drogas (asparaginase).

Autoria principal: Pedro Serrão Morales (Patologia Clínica e Medicina Laboratorial).

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