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Fosfatase Ácida Total

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Definição: Grupo de enzimas localizadas nos lissosomos de várias espécies animais, que são capazes de hidrolisar, em um meio ácido (pH < 5), ésteres de fosfato.

Sinônimos: Fosfatase Ácida; FAT; ACP; ACPase; AP; Total AP; Fosfatase Ácida Total Sérica; Fosfatase Ácida Total - Sangue.

    A fosfatase ácida é composta por algumas isoenzimas, as quais são secretadas por células de vários órgãos e sistemas (ex.: próstata, pulmões, baço, ossos, leucócitos, hemácias, plaquetas), apresentando alguma especificidade tecidual.

Ela está envolvida em muitos processos fisiológicos do organismo, como, por exemplo, no sistema imunológico, na reabsorção óssea e no transporte de ferro.

O resultado da fosfatase ácida total é representado pela soma das atividades de todas as suas isoenzimas.

    Por meio de uma separação eletroforética, essas isoenzimas podem ser evidenciadas em cinco bandas/frações:
  • Fração 1 (fosfatase ácida prostática) : Sua fonte principal é a próstata (nos homens pode corresponder a cerca de 50% da fosfatase ácida total), estando fisiologicamente envolvida na mobilidade espermática;
  • Frações 2 e 4: Têm origem nos granulócitos;
  • Fração 3: Forma majoritária encontrada no plasma normal, com origem em monócitos, eritrócitos e plaquetas;
  • Fração 5: Encontrada nos osteoclastos, sendo considerada um marcador de reabsorção óssea.

Embora antigamente a fosfatase ácida total - particularmente sua fração prostática - tenha sido muito utilizada como marcador tumoral para o câncer de próstata, sua determinação, nas últimas décadas, vem caindo em desuso. Ela foi substituída do ponto de vista laboratorial, principalmente, pela dosagem do antígeno prostático específico total e livre (PSAT/L) .

    Indicações:
  • Auxílio diagnóstico e prognóstico, e no monitoramento de resposta aos tratamentos de afecções da próstata;
  • Acompanhamento de mieloma múltiplo, de processos hematológicos e ósseos;
  • Utilizada para identificar sêmen na secreção vaginal, em casos de abuso sexual;
  • Avaliação de metástases ósseas.

Como solicitar: Fosfatase Ácida Total.

  • Orientações ao paciente: A coleta deve ser realizada preferencialmente pela manhã, em jejum de 8 horas. Recomenda-se evitar o exame em pacientes submetidos à manipulação prostática recente (toque retal, biópsia, massagem prostática, etc.);
  • Tubo para soro com gel separador (tampa vermelha/amarela). Aguardar a devida retração do coágulo e centrifugar a amostra por 15 minutos. Logo após a centrifugação, aliquotar o soro em um tubo de transporte, adicionar 30 microlitros de ácido acético a 0,8 M para cada 1 mL de soro, e refrigerar o material em seguida (2 a 8°C).
  • Material: Sangue;
  • Volume recomendável: 1 mL.
Texto alternativo para a imagem Figura 1. Tubo para soro - tampa vermelha - Ilustração: Caio Lima.
Texto alternativo para a imagem Figura 2. Tubo para soro - tampa amarela - Ilustração: Caio Lima.
  • Homens: 2 a 12 U/L;
  • Mulheres: 0,3 a 9,2 U/L.
    Observações:
  • Os valores de referência para a fosfatase ácida total podem variar, dependendo de idade, sexo, condições hormonais (mulheres), Laboratório Clínico e metodologia utilizada; [cms-watermark]
  • As crianças apresentam concentrações aumentadas em relação aos adultos, elevando-se ao longo da primeira década de vida, até alcançar, durante a adolescência, picos de 3 a 4 vezes os valores de adultos. Já no final da adolescência, suas concentrações regridem para os níveis de adultos (permanecendo constantes até aproximadamente a oitava década de vida). [cms-watermark]
  • Amostras acentuadamente hemolisadas, lipêmicas ou ictéricas podem prejudicar os resultados do exame;
  • A fosfatase ácida é instável no pH plasmático normal, devendo a amostra ser acidificada para prevenir a diminuição da sua atividade;
  • Seu uso não é recomendado para o screening do adenocarcinoma de próstata;
  • A fosfatase ácida total é considerada um biomarcador não específico;
  • Recomenda-se evitar a coleta em pacientes submetidos à manipulação prostática recente (toque retal, biópsia, massagem prostática, etc.), sob o risco de falsas elevações das concentrações;
  • Sua dosagem não substitui o PSAT/L , exames de imagem e o toque retal no diagnóstico e monitoramento do adenocarcinoma de próstata.
    Aumento:
  • Adenocarcinoma de próstata;
  • Hipertrofia prostática benigna;
  • Menopausa;
  • Doenças hemolíticas;
  • Destruição plaquetária;
  • Metástases ósseas;
  • Doença de Paget;
  • Leucemia mielocítica;
  • Doença de Gaucher;
  • Doença de Niemann-Pick;
  • Mieloma múltiplo;
  • Embolia pulmonar;
  • Hiperparatireoidismo;
  • Infarto prostático;
  • Prostatite;
  • Retenção urinária;
  • Manipulação prostática;
  • Osteoporose;
  • Osteossarcoma;
  • Hepatites;
  • Gengivite;
  • Periodontite;
  • Medicamentos (Acetato de medroxiprogesterona).
    Diminuição:
  • Resposta aos tratamentos de afecções da próstata.

Autoria principal: Pedro Serrão Morales (Patologia Clínica e Medicina Laboratorial).

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