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Fosfatase Alcalina Óssea

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Definição: A fosfatase alcalina (FA) total é representada por uma família de isoenzimas que catalisa a hidrólise de ésteres de fosfato em um pH alcalino, no processo de desfosforilação. Cerca de 80-90% de sua atividade se origina do fígado e nos ossos, mas essa também está presente - em menores proporções - em vários outros tecidos, como nos rins, intestinos, na placenta e nos leucócitos (LAP).

Sinônimos: Fosfatase Alcalina - Fração Óssea; Fosfatase Alcalina - Fração Óssea Específica; Fosfatase Alcalina - Isoenzima Óssea; FA - Óssea; FA - Fração Óssea; ALP Óssea; ALP - Fração Óssea; BAP; B-ALP; BsALP; ALP-2; Fosfatase Alcalina Óssea Sérica; Fosfatase Alcalina Óssea - Sangue.

A FA é uma enzima que está localizada nas membranas celulares de diversos tecidos. Apresenta uma série de isoenzimas que têm heterogeneidade molecular intertecidual, como no caso da FA óssea.

A fração óssea da FA é uma glicoproteína que está presente na superfície dos osteoblastos, refletindo, assim, sua atividade. Dessa maneira, a FA óssea é considerada um biomarcador sensível e específico da formação óssea.

Essa isoforma é a predominante nas crianças e adolescentes, refletindo a alta atividade osteoblástica e o crescimento ósseo acelerado característico dessas faixas etárias.

Uma característica peculiar da FA é que, enquanto sua isoenzima de origem hepática (ALP1) é termo-estável, a fração óssea (ALP2) é mais termo-lábil, sendo esta inativada quando exposta ao calor.

Consequentemente, uma das maneiras de se determinar, indiretamente, a isoenzima óssea, é mensurar a atividade da FA total antes e depois da exposição do soro ao calor.

A diferença entre os valores encontrados sugere a concentração da isoforma óssea, podendo ser expressa em percentual em relação à atividade total (dividindo-se a segunda dosagem pela primeira). Quanto menor for essa relação, maior será a proporção da fração óssea na amostra.

    Interpretação dos resultados após a inativação pelo calor:
  • Atividade remanescente acima de 58%: indica predominância de FA hepática;
  • Atividade remanescente abaixo de 50%: indica predominância de FA óssea.
    Indicações:
  • Monitorar resposta à terapia de reposição hormonal e do tratamento com drogas antirreabsortivas para osteoporose;
  • Realizar diagnóstico e acompanhamento de doenças metabólicas ósseas;
  • Auxiliar a detecção de metástases ósseas;
  • Marcador de formação óssea;
  • Preditor de efetividade da terapia com hormônio do crescimento (GH) em crianças com deficiência desse hormônio.

Como solicitar: Fosfatase alcalina óssea.

  • Orientações ao paciente: Idealmente, jejum de 8 horas;
  • Tubo para soro (tampa vermelha/amarela). Aguardar a completa retração do coágulo, centrifugar o tubo por 15 minutos, e congelar a amostra (-20 o C);
  • Material: Sangue;
  • Volume recomendável: 1,0 mL.
Texto alternativo para a imagem Figura 1. Tubo para soro - tampa vermelha - Ilustração: Caio Lima.
Texto alternativo para a imagem Figura 2. Tubo para soro - tampa amarela - Ilustração: Caio Lima.
Homens
Idade (anos) Valores de Referência (micrograma/L)
< 2 25-221
2-9 27-148
10-13 35-169
14-17 13-111
>17 ≤ 20
Mulheres
Idade (anos)
Valores de Referência (micrograma/L)
< 2 28-187
2-9 31-152
10-13 19-177
14-17 7-41
Adultas (pré-menopausa) ≤ 14
Adultas (pós-menopausa)
≤ 22

Observação! Os valores de referência da FA óssea podem variar de acordo com sexo, idade, laboratório clínico e metodologia utilizada.

Amostras acentuadamente hemolisadas podem prejudicar os resultados, aumentando falsamente suas concentrações.

A presença de anticorpos anticamundongos humanos (HAMA) e de anticorpos heterófilos pode interferir nos resultados.

Seus resultados devem ser interpretados em conjunto com o quadro clínico e os dados de outros exames complementares.

A isoenzima hepática da FA pode gerar reações cruzadas (com cerca de 20% de interferência) em algumas metodologias.

Altas concentrações de citrato, fosfato, oxalato podem inibir sua atividade.

Existem metodologias diretas (ex.: imunoensaios) e indiretas (ex.: inativação pelo calor) para sua determinação, cada uma com características distintas.

    Aumento:
  • Doença de Paget;
  • Tumores osteoblásticos;
  • Hiperparatireoidismo;
  • Osteomalacia;
  • Raquitismo;
  • Hipertireoidismo;
  • Doença hepática;
  • Mieloma múltiplo;
  • Insuficiência renal;
  • Crescimento ósseo;
  • Drogas (uso crônico de glicocorticoides).
    Diminuição:
  • Drogas antirreabsortivas.

Autoria principal: Pedro Serrão Morales (Patologia Clínica e Medicina Laboratorial).

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