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Gama-GT (GGT)

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Definição: A gama-GT é uma enzima presente nas membranas citoplasmáticas celulares de diversos tecidos (ex.: renal, hepático, pancreático). Apesar dos seus maiores níveis serem encontrados no tecido renal, sua atividade no soro parece ser originada, majoritariamente, no sistema hepatobiliar.

Sinônimos: GGT; G-GT; Gama-glutamil transferase; Gama-glutamil transpeptidase; Gamaglutamiltranspeptidase; Glutamil transpeptidase; Transpeptidase, gama-glutamil; GT; Gama-GT sérica; Gama-GT - Sangue.

É uma enzima que reflete primariamente a lesão canalicular hepática, apresentando um aumento gradual nas atividades plasmáticas após uma obstrução canalicular.

Ela é considerada, dentre todas as outras, a enzima de maior sensibilidade, estando aumentada em todas as formas de doença hepática, sendo a primeira a elevar-se e a que persiste por mais tempo alterada.

A GGT é encontrada, em maiores proporções, na superfície canalicular do hepatócito, além de também estar presente nos microssomos. Possui uma meia-vida de 10 dias, podendo chegar a até 28 dias, nos casos de abuso de álcool.

Possui uma sensibilidade um pouco maior do que da fosfatase alcalina (FA) para afecções obstrutivas, porém é menos específica para esse fim. Já para doenças hepáticas, apresenta uma maior especificidade em relação à FA.

Uma relação GGT/FA maior que 2,5 indica marcadamente que a etiologia da hepatopatia seja alcoólica (ex.: cirrose ou hepatite alcoólica) ou por medicamentos.

    Indicações:
  • Especialmente útil no auxílio diagnóstico de icterícia obstrutiva, colestase intra e extra-hepática;
  • Avaliação, em conjunto com outros biomarcadores (ex.: TGO/AST, TGP/ALT, FA, bilirrubinas, albumina, TAP ), da função hepática;
  • Monitoramento da cessação ao etilismo;
  • Investigação adicional quando há um aumento sérico da FA. Nesses casos, níveis normais de GGT falam a favor de doenças ósseas, enquanto concentrações elevadas indicam doenças hepatobiliares;
  • Avaliação de lesões que ocupam espaço no fígado, bem como na exposição a drogas indutoras de enzimas microssomais;
  • Diagnóstico diferencial entre atresia biliar e hepatite neonatal idiopática.

Como solicitar: Gama-GT.

  • Orientações ao paciente: Idealmente, jejum de 8 horas. Relatar uso de Fenitoína ou Fenobarbital;
  • Tubo para soro (tampa vermelha/amarela): Aguardar a devida retração do coágulo, centrifugar a amostra por 15 minutos e armazenar o material sob refrigeração (2-8 o C);
  • Material: Sangue;
  • Volume recomendável: 1,0 mL.
Texto alternativo para a imagem Figura 1. Tubo para soro - tampa vermelha. Ilustração: Caio Lima.


Texto alternativo para a imagem Figura 2. Tubo para soro - tampa amarela. Ilustração: Caio Lima.

Homens ≥ 6 meses: 2 a 30 U/L.

Mulheres ≥ 6 meses: 1 a 24 U/L.

    Observações!
  • Os níveis em recém-nascidos e nos primeiros 3 a 6 meses de vida são, fisiologicamente, mais elevados;
  • Concentrações em homens adultos são cerca de 25% maiores do que nas mulheres adultas;
  • Os valores de referência para a GGT podem variar de acordo com o sexo, idade, laboratório clínico e a metodologia utilizada.

Um valor normal de GGT não exclui, de maneira definitiva, a possibilidade de doença hepática.

Amostras acentuadamente hemolisadas ou ictéricas podem prejudicar a sua determinação.

O uso de algumas drogas, como Fenitoína ou Fenobarbital, podem induzir a um aumento da atividade da GGT.

Após a cessação do etilismo, seus níveis podem permanecer elevados por até cerca de 1 mês.

Raramente, alguns casos de gamopatias, notadamente na macroglobulinemia de Waldenstrom, podem levar a resultados espúrios.

    Aumento: [cms-watermark]
  • Afecções canaliculares;
  • Hepatite alcoólica;
  • Hepatites virais agudas ou crônicas;
  • Tabagismo;
  • Raça negra;
  • Alcoolismo;
  • Doença hepática gordurosa não alcoólica;
  • Cirrose;
  • Cirrose biliar primária;
  • Intoxicação por Acetaminofeno;
  • Carcinoma hepático e pancreático;
  • Linfoma;
  • Atresia biliar;
  • Glicogenose;
  • LES;
  • Neoplasias primárias e secundárias (metástases);
  • Hipertireoidismo;
  • Mononucleose;
  • Patologias prostáticas;
  • Drogas (Fenitoína, Fenobarbital, Carbamazepina, barbitúricos, Ácido valproico, Estreptoquinase, Acetaminofeno, estrógenos esterificados, anticoncepcionais orais). [cms-watermark]

Diminuição: Hipotireoidismo; drogas (Azatioprina, Clofibrato, estrógenos conjugados, Metotrexato, Metronidazol).

Autoria principal: Pedro Serrão Morales (Patologia Clínica e Medicina Laboratorial).

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