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Gastrina

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Definição: Hormônio polipeptídico secretado pelas células neuroendócrinas G do antro gástrico (sob a regulação do peptídio liberador de gastrina e da somatostatina , que as estimulam e inibem, respectivamente) e, ocasionalmente, em outras partes do trato gastrintestinal, sendo considerado um marcador tumoral em algumas situações.

Sinônimos: Gastrinemia, Gastrina sérica, Gastrina - Sangue.

A gastrina é um produto de um único gene, localizado no cromossomo 17. Situações fisiológicas como distensão gástrica (ex.: ingesta de alimentos), ambiente gástrico alcalino e/ou o estímulo vagal induzem a secreção de gastrina.

Ela, por sua vez, estimula a produção de ácido clorídrico pelas células parietais do corpo do estômago, promovendo uma diminuição do pH gástrico. Sua inibição ocorre quando há um pH ácido no estômago e pelo jejum.

As concentrações séricas de gastrina são influenciadas pelo ritmo circadiano, apresentando níveis menores pela manhã e maiores durante o dia.

Em alguns estados patológicos (ex.: gastrinomas), há intensa produção de gastrina (quando elevada em mais de 10 vezes o valor de referência, é considerada um marcador tumoral).

Essa hipergastrinemia causa uma acidez gástrica excessiva, sem contrarregulação fisiológica, desencadeando, assim, a formação de úlceras pépticas.

A gastrina apresenta, pelo menos, três formas moleculares diferentes, todas biologicamente ativas. Seus níveis são definidos pela soma das suas diferentes formas, e a medida isolada dessas frações não apresenta relevância clínica.

A dosagem seriada, após o estímulo com secretina, também pode ser usada para complementação diagnóstica.

    Indicações:
  • Investigação da suspeita de gastrinomas, associados ou não à síndrome de Zollinger-Ellison;
  • Acompanhamento pré e pós-ressecção cirúrgica de gastrinomas e/ou úlceras pépticas;
  • Investigação de anemia perniciosa e acloridria.

Como solicitar: Gastrina.

  • Orientações ao paciente:
    • Jejum de 12 horas;
    • Interromper o uso de inibidores da bomba de prótons (IBP) e/ou de bloqueadores H 2 por uma semana antes da coleta, a critério médico;
    • Medicamentos que interfiram na motilidade gastrintestinal (ex.: opioides) devem ser suspensos por duas semanas, a critério médico;
    • Sugere-se a descontinuidade do uso de Biotina (vitamina B7), a critério médico, nas 72 horas que antecedem a coleta, pela possibilidade de interferência analítica em alguns ensaios;
  • Tubo para soro (tampa vermelha/amarela). Aguardar a retração do coágulo, centrifugar a amostra por 15 minutos, separar o soro e congelá-lo (-20 o C) imediatamente após a coleta;
    • Para o teste com estimulação pela secretina: após a infusão em bólus de secretina (2 UI/kg), coletar as amostras nos tempos 2, 5, 10, 15, 20 e 30 minutos;
  • Material: sangue;
  • Volume recomendável: 1 mL.
Texto alternativo para a imagem Figura 1. Tubo para soro - tampa vermelha. Ilustração: Caio Lima
Texto alternativo para a imagem Figura 2. Tubo para soro - tampa amarela. Ilustração: Caio Lima
  • Cordão umbilical: 20 a 290 ng/L;
  • Recém-nascidos (0 a 4 dias): 120 a 183 ng/L;
  • Crianças: 10 a 125 ng/L;
  • Adultos:
    • 16 a 60 anos: 25 a 90 ng/L;
    • > 60 anos: < 100 ng/L;
  • Teste após desafio com secretina (tempos 2, 5, 10, 15, 20 e 30 minutos): aumento de 200 ng/L em qualquer um dos tempos de coleta é indicativo de gastrinoma;
  • Observação! Os valores de referência para a gastrina podem variar de acordo com Laboratório Clínico, idade, metodologia e kit diagnóstico utilizado. [cms-watermark]

Uma relação direta entre as concentrações séricas de gastrina e a Helicobacter pylori ainda não está bem estabelecida.

Amostras acentuadamente hemolisadas podem prejudicar a sua determinação.

O uso de IBP, antiácidos e/ou bloqueadores H 2 podem prejudicar a interpretação do teste.

Coletas sem jejum prévio podem elevar as concentrações de gastrina, prejudicando a interpretação dos valores.

Sugere-se, a critério médico, a suspensão do uso de Biotina (vitamina B7) nas 72 horas que antecedem a coleta, pela possibilidade de interferência analítica em alguns ensaios.

Insuficiência renal pode aumentar a meia-vida da gastrina, elevando as suas concentrações séricas.

A detecção de anticorpos heterófilos na amostra pode interferir nos resultados.

Medicamentos que interfiram na motilidade gastrintestinal (ex.: opioides) podem prejudicar a sua determinação.

    Aumento:
  • Síndrome de Zollinger-Ellison;
  • Gastrinomas;
  • Gastrite atrófica;
  • Adenocarcinoma gástrico;
  • Anemia perniciosa;
  • Pós-vagotomia;
  • Úlcera péptica;
  • Insuficiência renal;
  • Artrite reumatoide;
  • Cirrose;
  • Após grandes ressecções do intestino delgado;
  • Hiperplasia primária de células G;
  • Neoplasia endócrina múltipla tipo 1;
  • Síndrome de Jervell e Lange-Nielsen (JLNS);
  • Consumo de álcool;
  • Hipoacidez gástrica;
  • Medicamentos (IBP, antiácidos, bloqueadores H 2 ).

Diminuição: Pacientes submetidos à antrectomia com vagotomia.

Autoria principal: Pedro Serrão Morales (Patologia Clínica e Medicina Laboratorial).

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