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Definição: A Glicose-6-Fosfato Desidrogenase (G6PD) é uma enzima dimérica eritrocitária, determinada por um gene no cromossomo sexual X, em que cada um de seus monômeros é formado por 515 aminoácidos.
Sinônimos: Glicose-6-Fosfato Desidrogenase; Glicose-6-Fosfato Desidrogenase - Quantitativo; Glicose-6-Fosfato Desidrogenase Eritrocitária; Glicose-6-Fosfato Dehidrogenase; G-6-P Desidrogenase; G6PDH; Atvidade Enzimática da Glicose-6-Fosfato Desidrogenase.
É uma enzima que catalisa a primeira etapa da via da hexose monofosfato (HMP), que atua na remoção de compostos oxidativos celulares. O desvio da HMP gera NADPH, que por sua vez reduz a capacidade da glutationa em remover o peróxido de hidrogênio. Dessa maneira, a G6PD exerce um papel importante quanto à preservação da hemoglobina e enzimas vitais do estresse oxidativo.
A deficiência de G6PD é uma condição genética amplamente distribuída a nível mundial, de herança recessiva ligada ao X, sendo a causa mais comum de desordem metabólica das células vermelhas.
Mais de 400 mutações diferentes já foram descritas, as quais cerca de 60 variantes (isoladas ou em conjunto) são associadas a quadros variáveis de hemólise, precipitados quando os portadores são expostos a algum fator desencadeante (ex.: infecções virais e bacterianas, desordens metabólicas, drogas).
Algumas das principais drogas classicamente implicadas à indução das crises hemolíticas são Azul de metileno, Ácido nalidíxico, Ácido acetilsalicílico, Naftaleno, Nitrofurantoína, Fenazopiridina, Primaquina, Quinina, Sulfacetamida, Sulfametoxazol, Azul de toluidina, Trinitrotolueno (TNT).
O uso de Rasburicase (utilizada no tratamento e profilaxia da hiperuricemia aguda) é contraindicada em pacientes com deficiência da G6PD devido à possibilidade da precipitação de anemia hemolítica. Em pacientes de alto risco, é recomendável a triagem para a deficiência da G6PD antes da administração da droga.
Em um pequeno subgrupo de pacientes, a crise de hemólise pode ser desencadeada após a ingesta de feijão-fava, condição conhecida como “favismo”.
Testes moleculares estão disponíveis para a detecção das principais mutações associadas à deficiência de G6PD (ex.: 202 [G-A]).
Como solicitar:
Glicose-6-Fosfato Desidrogenase (G6PD) - Sangue total.
Normal:
Superior a 6,7 U/g Hb;
Intermediário:
2,2 a 6,7 U/g Hb;
Deficiente:
Inferior a 2,2 U/g Hb.
Após um quadro hemolítico, um resultado falsamente normal pode ocorrer. Os eritrócitos mais velhos são os que possuem as menores concentrações de G6PD, e são justamente eles que são majoritariamente eliminados em uma crise hemolítica. Permanecem na circulação os reticulócitos e eritrócitos jovens, que apresentam níveis maiores de G6PD, gerando resultados falsamente normais.
Pacientes com leucocitose importante, reticulocitose ou outras condições que levem a um aumento de células vermelhas jovens podem ter a interpretação dos seus resultados prejudicada.
Recém-nascidos e prematuros possuem níveis “basais” de G6PD mais elevados, por possuírem concentrações maiores de células vermelhas jovens na circulação.
Há extensa variabilidade genética na deficiência de G6PD, determinando grandes diferenças de apresentações clínicas e à suscetibilidade para crises hemolíticas.
Hemotransfusões recentes podem prejudicar a interpretação do resultado.
Existem testes de triagem para a pesquisa da deficiência (ex.: teste do ascorbato-cianeto, teste da redução do corante, teste da mancha fluorescente), os quais devem ser confirmados pelo teste quantitativo.
Amostras acentuadamente hemolisadas podem interferir nos resultados.
Aumento:
Recém-nascidos, prematuros, condições que induzam um aumento das células jovens circulantes.
Diminuição:
Deficiência de G6PD (total ou parcial).
Autoria principal: Pedro Serrão Morales (Patologia Clínica e Medicina Laboratorial).
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