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Definição: Imunoensaios modernos de 4ª geração, desenvolvidos pela indústria diagnóstica, são capazes de detectar, simultaneamente, o antígeno viral p24 e os anticorpos contra o HIV. Dessa maneira, permitiram reduzir o período da janela diagnóstica (intervalo de tempo decorrido entre a infecção e o aparecimento ou detecção de um marcador da infecção), para cerca de 3 semanas.
Sinônimos:
Sorologia HIV 1 e 2; Sorologia anti-HIV 1/2 (4
a
geração); Pesquisa de antígeno/anticorpo para HIV 1 e 2; Anti-HIV 1 e 2; Sorologia Anti-HIV 1 e 2; Imunoensaio Anti-HIV 1/2; Anti- HIV Ag/Ab.
O vírus da imunodeficiência humana (HIV) é um retrovírus esférico, de material genético RNA de cadeia simples, pertencente ao gênero
Lentivirinae
, família
Retroviridae
. Ele se liga e infecta, preferencialmente, aos linfócitos T CD4 (
helper
), diminuindo seus níveis lenta e progressivamente.
A infecção aguda pode se manifestar por uma síndrome mononucleose-
like
(cerca de metade dos indivíduos) ou evoluir de forma oligo/assintomática. Com o passar dos anos (cerca de 10 anos após a infecção primária, em média), infecções oportunistas e malignidades secundárias podem acontecer, levando a um estágio da infecção conhecida como SIDA (síndrome da imunodeficiência adquirida).
Possui dois tipos distintos, porém intimamente relacionados, com cerca de 40% de material genético homólogo: HIV-1 (distribuído mundialmente) e o HIV-2 (encontrado, principalmente, na África), ambos agentes etiológicos da SIDA. A infecção pelo HIV-2 induz a uma clínica/doença semelhante a causada pelo HIV-1, embora o tempo médio de incubação para o desenvolvimento da SIDA pareça ser maior.
O anti-HIV 1 e 2 (Antígeno-Anticorpo) é um teste recomendado para o
screening
inicial, por possuir alta sensibilidade/especificidade. Contudo, resultados reagentes devem ser considerados provisórios, sendo necessário a sua confirmação em uma nova amostra, por metodologias complementares ou confirmatórias (ex.:
western blot
,
imunoblot
(IB), carga viral
), a depender do fluxograma utilizado.
Em virtude das graves implicações que um resultado positivo pode trazer, diversos fluxogramas para triagem e confirmação laboratorial são propostos pelo Ministério da Saúde (MS). Tais fluxogramas objetivam o fornecimento de resultados precisos e confiáveis, a fim de aumentar ao máximo a sensibilidade e especificidade dos testes.
Como solicitar:
Sorologia HIV 1/2 (Antígeno-Anticorpo).
Amostra não reagente para HIV.
Amostras acentuadamente hemolisadas, ictéricas, lipêmicas ou inativadas pelo calor podem prejudicar o resultado.
Vacinação recente contra o vírus influenza A (H1N1) pode causar resultados falso reagentes. Dessa maneira, recomenda-se a realização do exame após um intervalo de 30 dias, embora possa ser feito antes desse período, após a devida informação ao paciente.
Reações cruzadas podem ocorrer com outras viroses, anticorpos contra o HLA-DR4, gravidez, multíparas, pacientes politransfundidos, doenças autoimunes etc.
O desenvolvimento de anticorpos não é protetivo contra o vírus, indicando apenas a infecção/contato.
Resultados falso-reagentes, falso-não reagentes, indeterminados, inconclusivos ou discrepantes podem ocorrer entre os diferentes tipos de testes ou metodologias.
Por não ser um ensaio 100% sensível e específico, um resultado reagente deverá ser interpretado com cautela, devendo ser levado em consideração o risco e a prevalência do HIV na população a que o paciente está inserido.
Quanto menor for a prevalência do HIV na população, maior será a possibilidade de resultados falso-reagentes, diminuindo assim o valor preditivo positivo (VPP) do teste.
Imunoensaios de 3ª geração (que detectam apenas os anticorpos) ainda estão disponíveis comercialmente, embora em menor grau. De maneira geral, apresentam um desempenho analítico inferior, com um maior período de janela diagnóstica em relação aos de 4ª geração.
Testes sorológicos não devem ser utilizados para determinar se um recém-nascido de uma mãe HIV positiva está infectado, em decorrência da passagem de anticorpos maternos intraútero.
Os imunoensaios não são recomendados para o diagnóstico de crianças até os 18 meses de idade, sendo necessário, nesses casos, exame de quantificação da carga viral.
Existe um intervalo de tempo entre a exposição do paciente e a detecção do vírus ("janela diagnóstica"), ao qual nenhum teste atualmente disponível pode definir conclusivamente o resultado da amostra.
No caso de um resultado reagente, se faz necessária a sua confirmação em uma outra amostra, por metodologias complementares ou confirmatórias (ex.:
western blot
, carga viral
), a depender do fluxograma utilizado.
Resultados não-reagentes não excluem, de maneira definitiva, a possibilidade da infecção aguda pelo HIV.
Frente a um resultado reagente, esse teste não é capaz de especificar e diferenciar a reatividade entre o antígeno p24,
o anticorpo anti-HIV-1 ou o anticorpo anti-HIV-2.
Não se aplica.
Autoria principal: Pedro Serrão Morales (Patologia Clínica e Medicina Laboratorial).
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